O dia amanheceu amarelo, com cheiro de flor e fruta, som de passarinhos.
Ainda que fosse uma linda manhã, Marcelo permanecia de mau-humor.
Tudo porque se achava pequeno. Não gostava de ser pequeno.
Ávidos por brincadeiras em horas que imaginavam ser certamente coloridas, João e Maria, amigos de Marcelo, decidiram convencê-lo de que havia razão para brincar, ainda que sendo pequeno.
Explicaram a ele que é possível um menino pequeno fazer coisas inimagináveis.
Marcelo não se convenceu. João e Maria insistiram numa brincadeira de esconde-esconde. Em poucas horas, Marcelo venceu o jogo. É que às vezes a condição de miúdo nos permite entrar em lugares apertadinhos, até mesmo arriscados.
Ficamos lá, pequenos, e ninguém nos vê.
Na corrida pelos campos, o corpo de Marcelo outra vez lhe garantiu a redenção. Apareceu, de repente, um javali selvagem no caminho. Marcelo avistou, a alguns metros, um cano de cimento jogado entre as árvores. Fez troça para atrair o animal, correu e entrou, de caso pensado, pelo cano.
O javali grande, coitado, tentou seguir o pequeno e ficou ali, encurralado.
João e Maria sorriram. Sabiam que Marcelo, agora, não tinha raiva do corpo.
O dia amanhaceu bonito de novo e Marcelo acordou rindo na cama. Lembrou-se das aventuras do dia anterior e pensou em como foi grande sua coragem para salvar os amigos. Descobriu que isso basta para não tornar ninguém pequeno.
NOTA DE RODAPÉ - Essa história foi escrita por Luíza Delgado, uma menina ainda pequena, que pediu para a titia Lucinha reproduzi-la, aqui neste blog, com as palavras de gente (que acha que é) grande.
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Um comentário:
Lindo!
Nada melhor do que ser, e nunca deixar de ser, criança. Sonhar é imprescindível e necessário. Acho que a sobrinha vai seguir os passos da titia! Rsrsrs!
Adorei!
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