quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O homem, o estalo (My 'click') - Para Stefan

Na primeira declaração de quase amor (era quase porque só veio a ser inteira dias depois), disse-me sentir "estalos em neon" ao me ver.
A prática do amor nos faz inventar nomes engraçados (porque amor é graça) e então eu virei o "Estalinho".
Ele me estala. Estalo por ele. Estalamos.
Por ele _ e por causa dele _ eu produzo sons. Eu quebro, espatifo, explodo. Me espremo.
Fiquei intacta por anos. Agora, com ele, eu simplesmente estalo.
Ele é o algo em mim que faz o som oco, o eco.
O céu da boca que estala com a língua.
A taça repleta de vinho tinto estalada freneticamente pela impaciência dos dedos das mãos.
O riso estalado da criança.
A chuva inesperada que estala.
O estalar da guerra.
O desejo, que ardente e longe estala.
Ele é um grito novo que me quebra e me refaz.
Venha logo ver o Estalinho.
E hoje, homem, tenho que dizer-te: EU TE ESTALO.
Em neon.



"Os homens de barro quebram, os de pau corrompem-se, os de vidro estalam, os de cera derre­tem-se" (Pe. Antônio Vieira)

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