Por favor não me liguem pela manhã.
Não deixem recado na secretária.
Não mandem muitos e-mails.
Não me solicitem tanto.
Tenho poucas horas para o café da manhã com ele.
Minutos para diferenciar raiva, melancolia, angústia e frustração.
Segundos para entender as diferenças de olhar.
Temos poucas semanas para nos amarmos intensamente.
Poucas horas para as danças novas.
Quartos _de horas_ para inventarmos nomes.
Milésimos para catalogar hábitos e rotinas.
Se você me ama entenda que preciso da solidão antes de partir.
De isolar-me com ele.
Preciso estar com ele.
Por favor, não me abandonem.
Mas me deixem repousar com ele.
Porque vamos gastar todas as horas de amor.
Até que eu acorde. E volte para ele.
terça-feira, 29 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
Festa de 80 anos
As horas passaram assim como passam quando a brincadeira é tremendamente boa.
O bolo acabou rápido, assim como os anos que as velas representam.
Ele circulava entre as mesas com um rosto e uma idade que eu talvez não compreenda.
Com as máquinas fotográficas penduradas no pescoço, só entendo a razão dos registros.
Olho para os mais velhos. Bem velhos. Os pequenos. Bem pequenos.
São todos muitos.
E ele os cerca, em todas as direções.
Ele os abraça. Os aperta. Os protege.
Seu império de emoção liberta e asfixia.
Mas estamos todos lá.
Por desejo. Amor. Consideração.
Gratidão, talvez. Seguimos com ele.
Mas é só à noite que eu flagro a cena de amor.
Ele, cansado, a agradece. Pela festa, pelas cinco décadas juntos, pelos seis filhos, pelos inúmeros bolos, as horas de brincadeira, a ausência de liberdade, o excesso de proteção. Os álbuns. As certidões. Os títulos das bodas. O ar. A falta dele.
Ela só diz que ele merece mais.
Parece que se beijam, não sei.
E eu, no quarto ao lado, clandestina, choro ao entender que no silêncio também há amor.
O bolo acabou rápido, assim como os anos que as velas representam.
Ele circulava entre as mesas com um rosto e uma idade que eu talvez não compreenda.
Com as máquinas fotográficas penduradas no pescoço, só entendo a razão dos registros.
Olho para os mais velhos. Bem velhos. Os pequenos. Bem pequenos.
São todos muitos.
E ele os cerca, em todas as direções.
Ele os abraça. Os aperta. Os protege.
Seu império de emoção liberta e asfixia.
Mas estamos todos lá.
Por desejo. Amor. Consideração.
Gratidão, talvez. Seguimos com ele.
Mas é só à noite que eu flagro a cena de amor.
Ele, cansado, a agradece. Pela festa, pelas cinco décadas juntos, pelos seis filhos, pelos inúmeros bolos, as horas de brincadeira, a ausência de liberdade, o excesso de proteção. Os álbuns. As certidões. Os títulos das bodas. O ar. A falta dele.
Ela só diz que ele merece mais.
Parece que se beijam, não sei.
E eu, no quarto ao lado, clandestina, choro ao entender que no silêncio também há amor.
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