Já tinha passado alguns momentos da vida prestando atenção na expressão e gestos ansiosos daqueles que esperam por alguém: corpos estáticos ou inquietos, mãos suando, buquês estendidos, cartazes, balões, fanfarra, sinceros sorrisos, criança pulando em colo de pai.
Se as chegadas sensibilizam, as partidas chorosas de namorados também dificilmente passam incólumes quando você está circulando pelo saguão do aeroporto.
Sim, eu já me despedi de muita gente, já senti aquele corte de levinho no coração, que parece começar como uma pequena rachadura e se aprofunda lentamente até parecer abismo.
Mas foi a primeira vez que me senti oca, perdida, sem rumo após dizer adeus. Foi a primeira vez que o cortezinho virou abismo em questão de segundos. Foi a primeira vez que eu não tive vontade de ir para lugar nenhum após a despedida, exatamente porque eu não sabia para onde ir. Eu não tinha para onde ir.
Foi a primeira vez que eu sustentei meu corpo na ponta dos pés até o último segundo, enquanto acompanhava os passos dele até o detector de metais e depois em direção ao portão de embarque.
Foi a primeira vez que a imagem no meu foco foi gradualmente ficando distante, distante, distante, até não haver mais definição.
Foi a primeira vez que eu pensei que se acenasse eternamente poderia paralisar o momento.
Foi a primeira vez que eu tive vontade de gritar por desespero.
Foi a primeira vez que eu entendi que é fácil devastar-se quando você vive longe do seu país e longe de quem você ama.
"It is pretty hard, no?", me diz a mulher ao lado que também se equilibrava na ponta dos pés, com quem construi uma cumplicidade inconsciente por intermédio do olhar.
Ele partiu. Mas me deixou com a certeza de onde quero chegar.
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Um comentário:
Hey, Ninfa, só aqui pra eu saber algo de você, hein? Natal na Alemanha, Ano Novo em Paris, Stefan já se foi... E neva, porque isso eu vi na TV. Mas quero saber mais. Ah, e vê se me aceita no Facebook, sua amiga ingrata. Missssssss yoooooouuuuuuu.
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