<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094</id><updated>2011-07-08T01:54:08.128-07:00</updated><category term='ã'/><title type='text'>chá com cinco</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1989641171492498123</id><published>2009-08-21T11:29:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T17:39:05.271-07:00</updated><title type='text'>Right, Left</title><content type='html'>Não se preocupem. Não se trata de um debate sobre a nova esquerda na América Latina ou o recrudescimento da direita na Europa. Não, não, não.&lt;br /&gt;É mais simples. É mais uma cena urbana, que sempre me inquieta.&lt;br /&gt;Há meses eu tinha notado a inconsistência dos avisos nas estações de metrô sobre qual elevador vai chegar primeiro.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;'The lift on the left shall be the next lift."&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ai você corre para o lado esquerdo, dando uma de esperta, e espera. &lt;br /&gt;Um segundo depois, "a locutora universal da tube station" dispara:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;'The lift on the right shall be the next lift.'&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ok, minha filha, decida-se, eu disse a ela, irritada, na primeira vez em que ouvi a confusa informação.&lt;br /&gt;Não adianta. Ela continua confundindo os pobres trabalhadores que, exaustos, querem voltar rápido para a casa e espremem-se na entrada da porta do elevador.&lt;br /&gt;Mas qual? O da direita ou o da esquerda? &lt;br /&gt;Nesta semana, o dilema voltou à tona, por vias indiretas.&lt;br /&gt;Caminho da minha casa até a Caledonian Road Station. À minha frente segue uma velhinha, de vestido vermelho e bolero pretinho. Um escândalo de elegância. Aquelas roupas de missa, que a gente guarda mesmo para os domingos. Perfumadíssima, claro.&lt;br /&gt;Chegamos à estação praticamente juntas. E eis que a locutora universal começa:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;'The lift on the right...'&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E a senhora se dirige para o elevador à direita.&lt;br /&gt;Eu, descolada, fico no meio. Sempre.&lt;br /&gt;Um segundo depois, as usual, a locutora muda de idéia:&lt;br /&gt;'The lift on the left...'&lt;br /&gt;A velhinha muda de lado.&lt;br /&gt;Eu sigo no meio.&lt;br /&gt;A locutora, volúvel, diz que agora quem chega primeiro é o da direita.&lt;br /&gt;Cansada, a velhinha me olha com aquela carinha de 'what the hell'.&lt;br /&gt;Eu não me aguento: solto uma gargalhada. Digo para ela que sempre tenho o mesmo dilema.&lt;br /&gt;'You will never know. It is a sort of lottery.'&lt;br /&gt;Chega o elevador da direita. &lt;br /&gt;It doesn't matter. Estamos cansadas e entramos sem nos importar com o lado.&lt;br /&gt;Mais ou menos como acontece na política.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1989641171492498123?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1989641171492498123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1989641171492498123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1989641171492498123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1989641171492498123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/08/right-left.html' title='Right, Left'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6576424724545809970</id><published>2009-07-25T12:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T13:37:08.000-07:00</updated><title type='text'>How can you survive?</title><content type='html'>Em um raro momento de privacidade, sábado de manhã e estou sozinha na Staveley Close. Fantastic. Posso tomar café com o som ligado e alto, posso assistir a vídeos estúpidos e morrer de rir. Falo sozinha com o locutor sem medo de ser observada. &lt;br /&gt;Toca a campainha. Nem o Royal Mail vai atrapalhar meu momento intimista hoje, sério. Estou determinada. Mas parece ser algo diferente. &lt;br /&gt;Tenho medo do golpe da Eletropaulo ou da Telefônica, mas rapidamente me dou conta de que não estou em São Paulo.&lt;br /&gt;Abro a porta. Uma senhora de bengala, super simpática, me entrega um papel. &lt;br /&gt;"Gostaria de lhe fazer esse convite", ela diz, após colocar o papel em minhas mãos. &lt;br /&gt;Suavemente ela sorri, agradece, vira as costas e me deixa ali, sozinha, lendo o convite.&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"How can you survive the end of the world? You are warmly invited to come and listen to the answer." &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Wait a minute! No Bible. No preach. Just an invitation. Seriously? &lt;br /&gt;Tenho vontade de gritar e pedir para ela voltar. Como assim ela bate sábado de manhã na minha porta, me diz que o mundo vai acabar, e me convida para uma reunião para saber quando e o que fazer? Nada pode ser mais angustiante.&lt;br /&gt;Penso em pedir uma dica: vai acabar em que mês? Ano? Tem porta de emergência? Em que país é melhor estar para chegar mais rápido ao paraíso (se é que eu tenho alguma chance de entrar no paraíso)? Levo o sleeping bag comigo? Um casaco de lã? Cantil?&lt;br /&gt;Fico perturbada, pois se a senhora foi tão simpática, não abriu a boca, e não tentou me vender bíblia é porque algo muito errado deve estar mesmo acontecendo no mundo. Pronto. O mundo vai mesmo acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presto atenção na foto do convite da Conferência das Testemunhas de Jeová. Parece que todos estão em um vale. Há uma nuvem negra enorme cobrindo o céu. Uma fila gigantesca de pessoas. Os que estão na frente sorriem e olham para o horizonte. Certamente estão vendo deus. Ou uma mesa de café da manhã linda, com frutas tropicais, cereais, pão fresco, café, pão de queijo, geléia, bolo de fubá, bolo de cenoura com chocolate, e essas coisas todas que qualquer paraíso que se preza deve ter.&lt;br /&gt;Os do meio viram para trás e acenam para os do fundo, mas não parecem lá muito preocupados. Devem ter certeza que o paraíso fica aberto até mais tarde e vai dar tempo de chamarem a senha deles. Já os últimos da fila... Sinceramente. É de dar dó. Levam consigo uma cara de pânico, todos submersos naquela escuridão da enorme nuvem cinza no céu. Certamente vão dar com a cara na porta, porque o paraíso não funciona full time e tem hora para encerrar o café da manhã.&lt;br /&gt;Procuro mais informações no meu folheto. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Admission is free, and no collection are taken." &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Agora tenho mesmo certeza. É o fim. Não vendem bíblia, não pregam, e não vão coletar o dízimo?????? Acabou. É a hora. &lt;br /&gt;Checo os locais da conferência. Preciso de instruções, ora bolas!&lt;br /&gt;Preocupada, coloco o folheto na bolsa e vou me encontrar com amigas no Portobello Market. Mostro a elas o folheto. Uma delas, iraniana, diz que deus pode ser tudo, inclusive uma "spoon". [Hã? Too much information in a Saturday morning.] &lt;br /&gt;Ela me conta meio indignada que o namorado, italiano e católico fervoroso, acredita na virgindade de Maria. Difícil levar adiante conversas sobre religião. &lt;br /&gt;Mas ela deixa uma pergunta intrigante no ar. Onde é que a Virgem Maria foi enterrada? Por que o corpo dela não foi preservado pela Igreja Católica para que pessoas incrédulas, como ela (que acredita no poder da colher), pudessem ver e pensar a respeito?&lt;br /&gt;Não tenho resposta pra nada. Olho para a colher ao lado da minha xícara de chá. Pagamos a conta e resolvemos aderir ao protesto em prol da democracia no Irã, em frente à Embaixada do Irã em Londres. &lt;br /&gt;É. Não há mais dúvida.&lt;br /&gt;O fim do mundo não parece estar muito distante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6576424724545809970?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6576424724545809970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6576424724545809970' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6576424724545809970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6576424724545809970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/07/how-can-you-survive.html' title='How can you survive?'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-878732670225887833</id><published>2009-07-18T03:38:00.001-07:00</published><updated>2009-07-18T03:58:25.103-07:00</updated><title type='text'>About waste and recycling....</title><content type='html'>Eu não sei explicar o grau de indignação com o qual recebi a notícia de que 1.400 toneladas de lixo (TÓXICO E HOSPITALAR, INCLUINDO BOLSAS DE SANGUE) foram transportadas do Reino Unido e despejadas em três portos do Brasil.&lt;br /&gt;Algumas hipóteses para tal sentimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Talvez porque durante este ano eu tenha estudado um pouco mais sobre a ação do Império Britânico e dos Estados Unidos na América Latina;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Talvez porque eu já sofria ao ler as sucessivas notícias sobre a "exportação" global de lixo dos países desenvolvidos para a África e pensava na incapacidade institucional do continente para reagir;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Talvez porque tenho tentado reciclar lixo por um ano na Inglaterra e tenho total consciência de como o sistema é desorganizado, incipiente, ineficaz, descuidado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Talvez porque eu veja o descaso dos ingleses para reciclar lixo (eu moro com um, e ele é único que sistematicamente dá sinais de pouca ou nenhuma colaboração com a causa; já achei vários potes de vidro e plástico usados pela figura no lixo orgânico; o ser humano se recusa a jogar na sacola destinada ao recycling); &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) Talvez porque me irrita a calma do governo brasileiro, das instituições, e, sobretudo, da mídia. Por que o Lula não veio a público até agora criticar isso aberta e duramente? O Brasil não tem procurado se associar à África, no eixo sul-sul? Então, taí: bom momento para abrir a boca e criticar o "Império" por uma ótima causa; por que a mídia brasileira não considera o caso absolutamente prioritário e começa uma investigação sistemática e de qualidade?; se fosse o contrário, garanto que ia ter jornalista britânico batendo na porta do governo brasileiro dia após dia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f) Talvez porque eu imagine o fim do mundo como o Cartoon do Wall-E. Só que, fora da ficção, não vai ter nenhum espaço para romance com Eva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente não começar a pensar na questão do lixo seriamente AGORA, em qualquer país do mundo, certamente esse será o maior problema da humanidade no futuro. Indignação coletiva pode ser um primeiro passo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-878732670225887833?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/878732670225887833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=878732670225887833' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/878732670225887833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/878732670225887833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/07/about-waste-and-recycling.html' title='About waste and recycling....'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5555801223287602943</id><published>2009-07-12T06:14:00.000-07:00</published><updated>2009-07-12T08:06:53.519-07:00</updated><title type='text'>London, one year</title><content type='html'>Quando as pessoas mais próximas imaginam que haverá algum sofrimento por conta da distância, o consolo é imediato e sempre universal: "Passa rápido, você vai ver".&lt;br /&gt;É estranho sentir-se de certa forma desolado quando você está partindo para um destino que escolheu, para uma aventura que almejava há tempos, para um projeto pessoal e profissional certamente enriquecedor. No entanto, o coração fica um tanto amiúde quando você sente a mais profunda solidão e ela começa a se manifestar logo após sua acomodação na poltrona da aeronave da Swiss Air.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;10 de julho de 2008, a caminho de Guarulhos&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Ele dirigia, eu chorava. Enquanto chorava, atendia aos telefonemas sucessivos das quatro irmãs e do único irmão. Depois, o adeus da mãe e do pai. Os amigos mais próximos também se despedem. Só escuto, porque o pranto é tanto que emudece. Tudo dá errado no aeroporto. Confusão na declaração do laptop e das "divisas" modestas que deixam o tão querido Brasil. A sorte fica por conta de um simpático funcionário da Receita Federal que, percebendo minha alteração psíquica, me ajuda a resolver toda a burocracia com um simples clique no teclado do computador. Dentro do avião, tudo parece estranho. O lugar é péssimo, aquele do meio, cinco poltronas grudadas. Assisto a um filme tão ridículo que até hoje sou incapaz de me lembrar do nome. Choro, lenta e intermitentemente. A aeromoça tenta falar alemão comigo e me irrita. Respondo em inglês. Ela coloca o jantar na minha mesa sem nem perguntar qual opção eu prefiro. Me irrito de novo e pergunto: o que temos para o jantar? Ela responde "massa" ou "carne". Eu revido: e isso que você colocou aqui é o que? Ela: massa. Eu: pois é, prefiro carne. Começo a sentir um leve preconceito vindo do mundo europeu. Me assusto com o que pode estar por vir.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;11 de julho de 2008, London City Airport&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;: Sarah Rink me busca do aeroporto. Não sei dizer o que seria de mim sem o carinho desta amiga no meu primeiro dia em London. Me sinto em casa, de alguma forma. Ela me leva para a casa dela. No dia seguinte, Ian, que se transformou em outro amigo querido, gentilmente aluga um carro e me leva para a residência estudantil. Anne Stephenson Hall. O nome que me perseguirá por quase três meses. Pânico na chegada. Desespero ao mirar o quarto minúsculo, o armário minúsculo, o meu lar tão minúsculo e tão vazio de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;10 e 11 de julho de 2009&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;: Passei os dias em casa, trabalhando na minha tese. Tomei café da manhã com Sarah, a flatmate italiana. Chove e faz sol em Londres. Normal. Mas o verão enche as almas de alegria. Não sofro de ficar em casa. Tenho um trabalho a terminar. Tenho um objetivo. E, um ano depois, entendo os altos e baixos da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;My balance:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Um corte gigante no queixo;&lt;br /&gt;- A primeira "bladder infection" da vida;&lt;br /&gt;- Quatro ou três quilos a menos (finalmente, já era hora!);&lt;br /&gt;- Anna, Catia e, recentemente, Sarah;&lt;br /&gt;- Sarah e Ian, sempre;&lt;br /&gt;- Vanessinha, Jogurt e Cles, e consequentemente a Barbie Girl e os pais dela;&lt;br /&gt;- Uma ítalo-colombiana e uma colombiana americanizada que nunca mais vão sair do meu coração;&lt;br /&gt;- Três novas magníficas criaturinhas no mundo: Lara, Felipe e Sophia;&lt;br /&gt;- Um Master sobre globalização enquanto o mundo agora parece estar se "desglobalizando";&lt;br /&gt;- Avanços no inglês (nem tanto, mas pelo menos umas boas 100 novas palavras foram incorporadas solidamente no vocabulário);&lt;br /&gt;- Liow or more specifically Nipon Terror;&lt;br /&gt;- One lovely twaianese friend (Mei and the 'Susies');&lt;br /&gt;- Um inglês casado com uma cubana;&lt;br /&gt;- A primeira experiência de climbing indoor;&lt;br /&gt;- My red bike and a new passion for cycling...;&lt;br /&gt;- Some good books about Latin America and... DEMOCRACY...&lt;br /&gt;- Alguma noção sobre o que é a América Latina;&lt;br /&gt;- Novos vícios: honey roasted cashews and Carrs (agora na versão QUEIJO);&lt;br /&gt;- O Morrinsons;&lt;br /&gt;- Vontade de comer Fish and Tips (de verdade, e não só por curiosidade);&lt;br /&gt;- Pouco álcool, quase nenhuma carne vermelha;&lt;br /&gt;- Paixão incontrolável pelo sol;&lt;br /&gt;- Atração por bibliotecas;&lt;br /&gt;- Aquisição de um certo sarcasmo inglês ao meu sarcasmo natural;&lt;br /&gt;- A descoberta de incríveis scholars, como Guillermo O'Donnell e Robert Dahl (tardio, mas sempre válido); &lt;br /&gt;- Crescente admiração por Philip Roth;&lt;br /&gt;- Um ano sem TV: e eu não morri;&lt;br /&gt;- Vício completo, absoluto, integral e incurável em House MD, Brothers and Sisters, and Gray's Anatomy;&lt;br /&gt;- Pouquíssimo dinheiro na conta corrente;&lt;br /&gt;- A cura, segundo o Tea Tree;&lt;br /&gt;- Visão altamente crítica sobre a mídia brasileira (já era, só fez piorar);&lt;br /&gt;- Entendimento mais claro sobre a definição de "accountability";&lt;br /&gt;- Crença na "Rule of Law";&lt;br /&gt;- Entendimento profundo sobre a burocracia inglesa (a Era Victoriana precisa acabar, sério);&lt;br /&gt;- Conteúdo e boa experiência para publicar o livro de auto-ajuda &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Como ser paciente, engolir sapos e fingir que acredita nas boas intenções do Home Office"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Ódio profundo da Virgin Broadband, Carphone Warehouse, Transport for London (or against London), and Thames Water;&lt;br /&gt;- Ódio profundo da dissimulação do landlord;&lt;br /&gt;- Ódio profundo do freezer que passou um ano sem funcionar;&lt;br /&gt;- Guinness forever;&lt;br /&gt;- Sentimento de humilhação em vários momentos;&lt;br /&gt;- Sentimento de raiva em vários outros;&lt;br /&gt;- Uma saudade indescritível;&lt;br /&gt;- A ciência de quem são meus amigos de verdade e onde eles estão;&lt;br /&gt;- A descoberta do que é o amor genuíno, e de como ele é paciente e pode esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o saldo é positivo, afinal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5555801223287602943?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5555801223287602943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5555801223287602943' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5555801223287602943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5555801223287602943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/07/london-one-year.html' title='London, one year'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5263576824109469035</id><published>2009-06-28T13:23:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T16:29:27.781-07:00</updated><title type='text'>Memories</title><content type='html'>Eis que eu estava sozinha aqui no silêncio do meu quarto, pensando na vida, nas pessoas, inclinada a assistir alguma coisa interessante. Mas a televisão foi abolida da minha vida em Londres (exceto as reportagens online, os filmes online, os seriados online, os documentários online... A vida online é mais que suficiente e estou certa de que a TV vai acabar rapidamente). &lt;br /&gt;De repente, uma amiga do Brasil parece ler meu pensamento e me manda um link: &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Você TEM que ver isso".&lt;/strong&gt;Obedeço. E vou.&lt;br /&gt;Percebo pelo título do videoclip que se trata de algo sobre Guilherme Arantes. Vou animada. Fui fã do Guilherme Arantes na década de 80 (você também certamente foi fã de alguma coisa nos anos 80, então não me venha com essa. Estamos quites) e não resisti. Clico freneticamente.&lt;br /&gt;Vejo o nome da música e não reconheço, o que me deixa perplexa. Que tipo de fã sou eu? O vídeo começa. Não é uma música do Gui. Alívio. Mas foi algo organizado pelo Gui, em 1987. Uma campanha de conscientização sobre a AIDS que envolveu vários artistas, patrocinada e veiculada pela Rede Globo. &lt;br /&gt;O &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8tqGzXusvko"&gt;vídeo&lt;/a&gt; começa. E começa na verdade um requintado filme de horror. Quase cinco minutos de pura agonia.&lt;br /&gt;A música é Viver outra vez, de Osmir Neto (não sei nada sobre ele, procurei algumas informações na internet e não achei nada confiável _ algumas falavam sobre a relevância do cantor no cenário brasileiro. Portanto, aceito informações relevantes sobre a figura).&lt;br /&gt;Guilherme Arantes abre o vídeo com aquela vitalidade ímpar da década de 80. A música é incompreensível (&lt;em&gt;"A minha mão nosso pai... Quero viver outra vez"&lt;/em&gt;), o ritmo é péssimo. &lt;br /&gt;Na medida em que você vai assistindo ao clip, o pânico atinge graus elevados. A impressão imediata é que convidaram tudo e todos. Ou todos disponíveis. Ou o cachê era baixo. Ou era pura caridade. &lt;br /&gt;Ou o que mais pode explicar o Emílio Santiago, o Neguinho da Beija-Flor, o Jerry Adriani e o Dr.Silvana, por exemplo, juntos? Heim? Qual é a conexão MUSICAL? Elza Soares combina com Rosana? A coisa vai se complicando ainda mais. Os fantasmagóricos dos anos 80 vão saltitando pela tela.&lt;br /&gt;Jerry Adriani, como sempre, canta imponente, com o usual terno branco. Silvinho mexe a cabeleira, espreme os olhinhos. Eu me esforço e a internet me ajuda a lembrar que ele é o cara do &lt;em&gt;Ursinho Blau Blau&lt;/em&gt;. Atualizando os internautas, lembro que ele virou evangélico (observação relevante: nem a Gretchen nem a Simoni estão no vídeo), fez um ensaio nu para uma revista feminina em 2000, é casado (tive sérias dúvidas sobre a heterossexualidade dele assistindo ao vídeo), tem filhos.&lt;br /&gt;Vem em seguida o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zj677gEjzbs"&gt;Marcelo&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Me inquieto. Conheço o cara, sei que ele é famoso. Me parece ator de novela da década de 80, mas era cantor, óbvio. O que foi que ele fez???? Internet again: você se lembra da música &lt;em&gt;"Ah, abre coração, vem me fazer feliz!"&lt;/em&gt;. Pois é. Marcelo.&lt;br /&gt;Neguinho da Beija Flor canta e eu, desatenta, o confundo com Emilio Santiago. Parecem gêmeos.&lt;br /&gt;Quando você começa a se sentir mais confortável, reconhecendo os ídolos de 80, surge &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.yehplay.com/musics/Renato-Terra-Bemtevi/92140/"&gt;Renato Terra&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Você se esforça, se esforça, e nada. Quem era o cara? Resposta: autor de "Bem-te-vi, oh, meu bem, te vi... Voa livre por entre os jardins e pousa no meu coração..." Linda canção. Me emociono ao lembrar.&lt;br /&gt;Depois do Erasmos, claro, eu imagino ver a Wanderléia, mas convidaram a Adriana (isso reforça a tese do cachê baixo), que na verdade é irmã gêmea da Wanderléia. Unha e carne. Tudo parece uma mutação genética neste clip.&lt;br /&gt;O momento que esfria a espinha é quando o Tim Maia grita "&lt;em&gt;quero viver outra vez&lt;/em&gt;". Nada mais assustador.&lt;br /&gt;Rosana está magnífica, façamos justiça à moça. Canta inspirada, faz seus gestos de deusa com a convicção de sempre. Muito justo a presença dela no videoclip. Tudo a ver.&lt;br /&gt;Quando a galera resolve bater palma e simular que está cantando rock a coisa se complica seriamente. Você acha que não aguenta até o final. Persistente, eu sigo. Mas a sensação é de paúra.&lt;br /&gt;Agora, a vez é do Dalto. Muito estranho (sem trocadilho). Não sei porque razão, mas esperava, logo em seguida ver quem, quem? Vinícius Cantuária. Mas não.&lt;br /&gt;Finalmente colocam o tal do Osmir Neto no clip. Muito prazer, Osmir. &lt;br /&gt;Jane Duboc mostra a que veio, mas decepciona. A única com algum currículo mais consistente, que poderia dar um certo ar musical mais elitista à coisa, só grita, não canta.&lt;br /&gt;Ninguém consegue entender a razão da imagem do Dr. Silvana (do &lt;em&gt;"Amor sem preconceito sigilo total, sexo total, amante profissional"&lt;/em&gt;). Acho que nem ele entendeu porque o convidaram, então só dá uma risadinha, para constar.&lt;br /&gt;Peraí, peraí: o que a Monique Evans está fazendo no recinto??? Pois é. Nem eu, nem o Guilherme Arantes, nem o Osmir Neto e nem a Rede Globo sabem explicar, mas o fato é que a Monique Evans aparece no clip. Ouvi dizer que ela namorava o Marcelo na época. Achava que ele estava junto com o Silvinho. Tudo bem. A vida íntima deles não interessa.&lt;br /&gt;O Tim Maia era amigo da Adriana? Porque se abraçam tão calorosamente?&lt;br /&gt;O Silvinho era gay?&lt;br /&gt;E para confundir tudo, tudo mesmo, aparece o Fábio. Descubro na internet que ele cantava Estela, mas ainda assim a coisa não fica muito clara para mim. &lt;br /&gt;As surpresas não param, e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fz7mtUYp79A"&gt;&lt;strong&gt;Marcio Greyc &lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;dá o ar da graça. Eu não me lembro dele, mas o importante é que ainda continua na ativa, pessoal. Confiram neste link!&lt;br /&gt;É chocante ver a imagem de 1987 e o atual Greyc. O tempo não pára (Cazuza não faz parte do vídeo. Exatamente em 1987 foi diagnosticado ser portador do HIV).&lt;br /&gt;É impressionante como os anos 80 estão pregados na nossa alma para sempre. Você pede para viver outra vez, mas não adianta. O passado te ronda, te aprisiona, te consome. O melhor é se entregar. Ao contrário do lema da música, nem para tudo existe um fim. E continuo, alucinadamente, tentando achar o clip do Fábio cantando Estela...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5263576824109469035?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5263576824109469035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5263576824109469035' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5263576824109469035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5263576824109469035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/06/memories.html' title='Memories'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8412984399901308409</id><published>2009-06-12T14:34:00.000-07:00</published><updated>2009-06-13T12:43:39.208-07:00</updated><title type='text'>Me, Charles Darwin and London</title><content type='html'>Em Londres, há sempre um elemento surpresa - para o bem ou para o mal.&lt;br /&gt;Quando eu receio cair na melancolia, algo novo acontece.&lt;br /&gt;Nesta sexta-feira - dia dos namorados, diga-se de passagem - o inusitado foi um convite de &lt;a href="http://annasbones.com/"&gt;Anna Barros&lt;/a&gt;, amiga, cientista, housemate, para visitar uma sala inusitada (fechada ao público e apenas acessível a cientistas/pesquisadores) no Museu de História Natural de Londres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui, óbvio. Inicialmente meu espírito era observar uma sala - cheia de fósseis, claro - usada na Segunda Guerra como bunker. Todo o museu foi um bunker na Segunda Guerra. Ou seja, meu genuíno interesse era político. Como sempre.&lt;br /&gt;However, houve uma reviravolta após minha chegada ao local.&lt;br /&gt;Primeiro, uma simpática professora inglesa, coordenadora do setor de Mamíferos - sem nenhum trocadilho -, nos recebe na porta do museu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos para um porão meio assustador, repleto de labirintos. O cheiro me lembrou o do laboratório de Anatomia da Faculdade de Fonoaudiologia (1996 depois de Cristo), cuja breve experiência com formol, órgãos e corpos humanos foi suficiente para me mostrar que aquele não era um caminho profissional que eu devesse seguir.&lt;br /&gt;A simpática inglesa, rápidíssima nas palavras, cheia de ironias e trocadilhos científicos na fala, pergunta se alguém na sala não tem nenhuma familiaridade com os termos biológicos, com Arqueologia, Paleontologia. Inibida, sou a única a levantar a mão. Explico que sou jornalista, amiga da Anna, e estou ali movida apenas pela curiosidade. Todos parecem me perdoar, mesmo sendo uma completa estranha no ninho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o &lt;em&gt;tour&lt;/em&gt; científico.&lt;br /&gt;O porão é cheio de armários fechados, que parecem de alguma forma uma biblioteca de ossos. "Já leu esse?" É exatamente com a naturalidade de quem busca clássicas preciosidades literárias numa biblioteca qualquer que ela fala sobre fósseis encontrados há 200 milhões de anos, como se isso fosse logo ali. Começo a tentar fazer as contas e me perco. Pego um exemplar minúsculo (minúsculo mesmo) de um dente de um mamífero que foi o ancestral das baleias. Data de nascimento: 150 milhões de anos antes de 2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entusiasmada, a cientista do Museu de História Natural vai abrindo armários, explicando milhões de coisas sobre a Era X, Y, Z(Mezozóica? Paleozóico?). Os estudantes (de Masters e PhD) parecem perplexos, o que me leva a acreditar que aquilo tudo deve ser MUITO importante. Digamos que o equivalente, para quem gosta de literatura, seria como receber um convite de um "ancestral" de Dostoevsky para entrar na casa dele e ver as "penas" que ele usava para escrever, a biblioteca particular dele, os manuscritos que nunca publicou. Emoção impossível de descrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguimos entre centenas de armários cheios de gavetas - e ossos - preciosas. Eis que em um armário está guardado o crânio de um provável ancestral dos rinocerontes (a professora explica que ainda não há indícios suficientes para comprovar quem foi o animalzinho em questão, mas os cientistas estão produzindo um "paper" a respeito). Idade provável do bichinho: 35 milhões de anos. E eu achava que minha vozinha, que partiu desta para a melhor com 96, era uma heroína. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos por um setor meio estranho, em que ela mostra "vestígios de gramas" encontradas no intestino de alguns mamíferos - claro que há milhões de anos. Eu penso que aquilo deve ser uma maconha poderosa, mas evito fazer qualquer comentário. Ela explica sobre a evolução do esôfago, porque precisamos ter algo "comprido" entre o estômago e a boca e, em seguida, abre uma coleção pré-histórica de coco. Isso é novo pra mim. Os cientistas estudam coco antigo para ter algum indício sobre a evolução das espécies. Ok, tem gosto para tudo, inclusive na Ciência. Os estudantes pegam o coco. Eu me recuso. Não sou cientista, sou a única jornalista do grupo. Não preciso pegar coco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu começo a me entusiasmar com o tesouro científico - tirando a parte do coco -, o inesperado acontece. Ela abre o armário "&lt;a href="http://www.nature.com/news/specials/darwin/index.html"&gt;&lt;strong&gt;Charles Darwin &lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Collection - Beagle Voyage&lt;/strong&gt;". Os estudantes tremem. Eu sinto que agora é o apogeu da nossa visita. Ela abre algumas caixas e nos deixa tocar alguns fósseis, depois que uma bióloga britânica, quase chorando, pergunta se pode passar o dedinho naqueles ossinhos. O fóssil em questão é de uma espécie gigantesca do bicho-preguiça (Malloton) que Darwin coletou na viagem feita a bordo do navio Beagle (1831-1836) para os Galápagos e América do Sul. Começo a entender a razão da falta de fôlego dos estudantes. A tal coleção é parte da inspiradora obra "A origem das espécies", talvez mais importante que a Bíblia. Me emociono. E passo a mão no avô do bicho-preguiça gigante. Estou ali em frente ao armário do Darwin. Sacou? Deu pra entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ela mostra uma coleção de cérebros de baleias - divertido, mas tudo fica pequeno depois da coleção do Darwin - e o tour termina com a exposição de uma coletânea de fósseis de cetáceos (golfinhos, baleias, etc). Incrível. Ela mostra como foi a "evolução" ou "adaptação" dos dentes dos cetáceos - até eles virarem de fato baleias e golfinhos. Realmente incrível. Primeiro comiam plantas aquáticas (dentinhos mais suaves, arredondados). Depois, começaram a comer peixinhos (dentes mais afiados). Enfim, a natureza é mesmo perfeita. E não há como duvidar da teoria da evolução das espécies. Ela está ali, catalogada. Na sua cara. Evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando nas coisas que o ser humano devia mudar no próprio corpo para "aperfeiçoar" a vida no futuro. Imagino o dia em que os meus herdeiros genéticos vão olhar o fóssil do meu dedão do pé e pensar como era atrasada essa coisa de ter unha encravada. Um dia isso vai mudar. O corpo, aos poucos, vai provar para a unha do meu dedão que não existe espaço suficiente para ela crescer como bem entende - assim como o estômago provou para o corpo que ele precisava de algo intermediário entre a boca e surgiu, então, o esôfago. E eles (a unha e o dedão do pé) vão se entender, harmonicamente, no futuro. Talvez isso demore 30 milhões de anos. Não tem problema. A espécie vai ser melhor. Uma espécie sem unha encravada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é mesmo incrível. A natureza é incrível.&lt;br /&gt;E eu, incrivelmente, passei a mão nos ossinhos do tataravô do bicho-preguiça gigante descoberto pelo Darwin. Pode ser mesmo supreendente a vida em Londres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8412984399901308409?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8412984399901308409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8412984399901308409' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8412984399901308409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8412984399901308409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/06/me-charles-darwin-and-london.html' title='Me, Charles Darwin and London'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-4190351153932363843</id><published>2009-05-28T03:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T04:40:37.139-07:00</updated><title type='text'>Barbie Girl</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;Meu objetivo com este post não é hipnotizar você e nem adianta tentar me processar só porque ao final deste texto você não vai se lembrar de outra música a não ser a &lt;em&gt;Barbie Girl&lt;/em&gt;, do Aqua (eu tive que pesquisar algumas coisas sobre o Aqua, porque realmente é incrível que alguém tenha tido tempo para escrever uma idiotice como essa e mais assustador ainda que a música tenha virado um sucesso...) Portanto, se quiserem levar alguém à Corte Suprema, levem o Aqua. &lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vamos aos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domigo de sol, e eu sou convidada por amigos para me divertir durante um picnic no parque. Sol, Londres, parque e picnic são combinações extremamente inspiradoras e reconfortantes. Aceitei o convite sem pestanejar, ainda que tivesse acordado com uma ressaca sem proporções.&lt;br /&gt;Dia lindo, gramado lindo, gente alegre. Estou mesmo em Londres? Inacreditável. Os amigos felizes, muita comida. A toalha é uma canga com a bandeira do Brasil e, coincidentemente, eu percebo que todos os brasileiros ao redor usam a mesma canga, com a bandeira do Brasil, para celebrar o domingo ensolarado. Estabelecemos de imediato uma conexão cosmológica em torno da canga. Brasileiros são mesmo incríveis.&lt;br /&gt;Entre os amigos está um casal cuja filhinha, maravilhosa e esplêndida, é bilíngue. Ela mistura com uma naturalidade invejável o português e o inglês e assim vamos nos comunicando, ora com um idioma, ora com outro. &lt;br /&gt;Encantada pela graça da garota, tento me aproximar. A fórmula da sedução é perguntar onde fica o castelo dela (já que algumas horas antes ela tinha nos avisado que era uma Princess). Animada, ela me dá a mão e vamos procurar o "castle" no parque. O "castle" é uma árvore enorme, e ficamos lá debaixo, imaginando as janelas, as portas, os cômodos. Quando eu me canso de tanta imaginação ela me manda sentar na grama e ficar lá quieta. E eu pergunto: por que? Ela: "Porque aqui é o nosso castelo, e você mora aqui comigo". Ah, tá. &lt;br /&gt;Conversa vai, conversa vem, e de repente eu também sou princesa.&lt;br /&gt;Para aumentar o nosso grau de cumplicidade, afinal princesas precisam trocar idéias sobre o mundo, eu pergunto quem é a princesa favorita dela.&lt;br /&gt;- Barbie Girl.&lt;br /&gt;- Barbie Girl? Mas não tem conto de fadas sobre Barbie Girl.&lt;br /&gt;- Yes, but there is the song, and the song is the story. &lt;br /&gt;E ela começa a cantar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I'm a Barbie girl in the Barbie world &lt;br /&gt;Life in plastic, it's fantastic &lt;br /&gt;You can brush my hair, undress me everywhere &lt;br /&gt;Imagination, life is your creation &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TODOS ao redor me olham. Talvez me culpem por ter estimulado a criança a cantar Barbie Girl. Eu digo, constrangida, que gosto da Barbie Girl. O que eu ia dizer? É a pricesa favorita dela, &lt;em&gt;come on&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu pai não gosta da Barbie Girl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ups. Já começo a entender que tenho um problema sério à vista. Deixamos o nosso castelo, e ela ainda cantando a Barbie Girl' song. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Papai, minha amiga gosta da Barbie Girl. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem preciso descrever a cara e o olhar do pai. Percebo de imediato a minha mancada. Claro que eu deveria ter dito a ela que a Barbie Girl não é tão legal assim. Dá pra imaginar aquele pobre cristão, o pai, escutando Barbie Girl todo santo dia? Eu olho para ele com uma cara de arrependimento enorme, e imploro por perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eh, mas o papai não acha ela muito legal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tento mudar de assunto, mas ela está obcecada por princesas, castelos, canções. Voltamos ao nosso castelo. E a Barbie Girl ainda está nas paradas de sucesso. Começo a refletir sobre a música. &lt;br /&gt;Como alguém pode achar que &lt;strong&gt;"Life in Plastic is Fantastic"?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Sério. Como eu pude dizer a ela que eu gosto de Barbie Girl? Onde eu estava com a cabeça? &lt;br /&gt;E por que, meu deus, essa música não sai da minha mente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo pegamos algumas "flowers", tento mudar de assunto para que os pais dela possam me perdoar pelo fato de eu ter feito uma apologia irresponsável à Barbie Girl. Acho que a coisa fica bem, ao final. Preciso ir embora. Me despeço, ela diz que vai me chamar para a gente ir ao cinema. Começo a tremer: será que ela vai me chamar para ver Barbie Girl? Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou caminhando, e, de repente, vejo que estou cantarolando o que? Barbie Girl. &lt;br /&gt;Chego em casa e vou checar a letra. Não pode ser tão ruim assim.&lt;br /&gt;Mas é. É bem pior que eu imaginava.&lt;br /&gt;A voz do Ken é algo inexplicável. &lt;br /&gt;E como o Ken pode, numa música assim, tirar e colocar a roupa da Barbie como ele bem entende? &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Kiss me here, touch me there, hanky-panky"... &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Ah, tá de brincadeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso em telefonar para os amigos e pedir desculpas de novo. Na verdade, planejo um abaixo-assinado de pais revoltados contra o Aqua. Já imagino uma grande mobilização de pais no parque contra a Barbie Girl. Uma ONG. Gente, como isso tocou nas rádios? Sério, isso é uma agressão ao menor. E ao maior. E à terceira idade.&lt;br /&gt;Bem, como o Aqua gravou isso em 1997 acho que em breve ninguém vai se lembrar da Barbie Girl em 2010 (mas é arriscado, porque estamos em 2009 e uma criança elegeu a Barbie Girl como princesa favorita). &lt;br /&gt;Deixo a indignação de lado, preparo meu chá e me organizo para dormir. Enquanto estou na cozinha conto a história (triste) para as minhas flatmates. Vou dormir. &lt;br /&gt;Da cama, escuto alguém cantarolando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Come on, Barbie, let's go party, ha ha ha, yeah &lt;br /&gt;Come on, Barbie, let's go party, oooh, oooh &lt;br /&gt;Come on, Barbie, let's go party, ha ha ha, yeah &lt;br /&gt;Come on, Barbie, let's go party, oooh, oooh &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só posso estar tendo um pesadelo.&lt;br /&gt;Melhor procurar meu "castle" e me esconder no parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;p.s - Eu avisei. Processem o Aqua. Ou o Ken, esse tarado.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-4190351153932363843?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/4190351153932363843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=4190351153932363843' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4190351153932363843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4190351153932363843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/05/barbie-girl.html' title='Barbie Girl'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-961157858297103737</id><published>2009-05-24T15:34:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T16:32:42.819-07:00</updated><title type='text'>Buena Vista on the corner</title><content type='html'>Nada pode ser mais interessante para um estudante pobre que um supermercado popular. Eu posso fazer loucuras no Morrinson's com poucos pounds. É realmente incrível. Sendo assim, fazer compras no supermercado é um dos meus programas favoritos em Londres (olhem, eu adoro fazer compras em supermercados no Brasil as well, so, take it easy).&lt;br /&gt;Você acaba criando uma relação muito simbiótica com o supermercado da esquina. Ele vira o seu provedor. &lt;em&gt;Are you going to Morrinson's&lt;/em&gt; talvez seja a pergunta mais corriqueira entre mim e meus flatmates. Ir ao Morrinson's é como ir à missa aos domingos. É como picnic em dia de sol. É igual a roubar sorvete na geladeira escondido da mãe. Ou seja, é um misto de sagrado e profano, sem o qual você não pode viver.&lt;br /&gt;Sábado à noite, eu deprimida... "Vou a Morrinson's", reajo imediatamente. E vou, feliz da vida, imaginando quão divertida é a minha estadia em Londres, sendo que eu posso ir ao Morrinson's numa noite de sábado, e isso não é pouca coisa. Não para quem conhece o Morrinson's.&lt;br /&gt;Faço minhas compras, encontro fantásticas promoções, compro meu vinho para beber sozinha à noite, pesquiso marcas e produtos inacreditáveis (a cada dia eles inventam um novo aparelho para cozinhar ovo ou fazer ovo poché, por exemplo). Pronto. Diversão garantida.&lt;br /&gt;Dirijo-me ao caixa e, claro, procuro a minha querida Omara Portuondo. A minha Omara, cashier do Morrinson's, usa uns óculos gigantescos (eu juro que já vi a Omara ao lado do Ibrahim Ferrer em alguma capa de CD com uns óculos gigantes, mas uma amiga minha disse que a cubana nunca usou óculos, muito menos de grandes proporções) e tem um humor invejável. &lt;br /&gt;Depois da minha terrível experiência no Tesco (o concorrente do Morrinson's) por alguns meses, eu achava que nunca conseguiria estabelecer uma comunicação com os cashiers em Londres, já que o inglês paquistanês deles é algo absolutamente incompreensível e o semblante está longe de ser amigável. &lt;em&gt;Bullshit&lt;/em&gt;. No Morrinson's o diálogo é garantido. Sobretudo se for no caixa da Omara.&lt;br /&gt;Meio gordinha, pele corada, óculos literalmente gigantescos, lenços na cabeça, a Omara se diverte com o que faz. "Oh my god, where did you find these bananas? The price is amusing, isn't it?". "Hi, darling... Oh my god, I love this yogurt as well. It is my favourite. Have you tried the halzenut's one?" "It's a lovely night. Are you going out tonight?" "Do you wanna cash back, my dear?"&lt;br /&gt;A Omara se preocupa com a gente. Quer dar dicas sobre os produtos, dividir com você aquele momento único de estar no Morrinson's às dez da noite de um sábado. Ela quer que você tenha a certeza de que está fazendo um bom negócio, não só para o bolso, mas sobretudo para a saúde. Ela não é um produto do marketing. O dono do Morrinson's provavelmente nunca conversou com a Omara e não tem a menor noção de como ela é a sua melhor campanha publicitária.&lt;br /&gt;E, além de tudo, você olha para a cara dela e tem vontade de sair bailando pelo supermercado, de chamar correndo o Wim Wenders e perguntar para ele, com toda franqueza: "Escuta aqui, meu caro, por que o Buena Vista não foi filmado no Morrinson's?&lt;br /&gt;Volto para a casa cantando &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"De Alto Cedro voy para Marcané, Llego a Cueto, voy para Mayarí"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Tomo uma taça de vinho. Penso em tomar o iogurte que a Omara gosta. Acho melhor ficar só no vinho (combina mais com o sábado, a Omara vai entender). Penso em voltar ao Morrinson's e convidar a Omara para tomarmos uns Mojitos num cubano lá em Angel. Mas &lt;em&gt;Chan Chan&lt;/em&gt; já está tocando nos salões da minha imaginária noite de sábado, e decido esperar pela próxima compra. Claro que no Morrinson's.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-961157858297103737?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/961157858297103737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=961157858297103737' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/961157858297103737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/961157858297103737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/05/buena-vista-on-corner.html' title='Buena Vista on the corner'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2552934018928628760</id><published>2009-05-21T15:05:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T16:34:12.402-07:00</updated><title type='text'>Moving Slowly</title><content type='html'>(RECOMENDO QUE LEIAM A HISTÓRIA INFANTIL DA LÚCIA-JÁ-VOU-INDO ANTES DE LEREM O TEXTO ABAIXO. COM CALMA, MUITA CALMA. ACHEI UMA CÓPIA DA HISTORINHA NESTE &lt;a href="http://contandoradehistorias.blogspot.com/2008/09/texto-lcia-j-vou-indo.html"&gt;&lt;strong&gt;BLOG&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; de uma contadora de histórias): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algumas histórias infantis que ficam grudadas na mente pra sempre. Não sei bem a razão, mas adoro a da &lt;strong&gt;Lúcia-Já-Vou-Indo&lt;/strong&gt;(a lesminha molenga), seja pela ligação com meu próprio nome, seja pela criativa apologia à calma, seja pela birra cada dia maior com a contemporânea obrigatoriedade em ter pressa. &lt;br /&gt;Meu tempo em Londres é, de alguma forma, o tempo da calma. Minha ansiedade pulula em ritmo histérico, mas existe um calendário que não pode ser hostilizado. Nem mesmo pela loucura da saudade. E a calma compulsória me faz perder muitas festas (e nenhuma Lúcia gosta de perder festa).&lt;br /&gt;Fiz primeiro o curso de inglês. Comecei o Master. Tive pausa de fim de ano. Recomecei. Terminei os essays. Outra pausa. Os exames finais. O fim das aulas. E agora um reinício para preparar a tese. Enquanto eu estudo, libélulas organizam encontros eletrizantes no meio da mata, mas eu não tenho tempo de chegar. &lt;br /&gt;Existe uma razão para ir devagar. Deve existir. Eis que, agora, a ciência me dá uma resposta. Estava lendo na semana passada uma matéria da &lt;em&gt;BBC&lt;/em&gt; sobre uma recente descoberta "evolucionista", referente ao metabolismo dos &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/earth/hi/earth_news/newsid_8043000/8043689.stm"&gt;&lt;strong&gt;caracóis&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;Os cientistas que perdoem a minha linguagem leiga e simplista, mas basicamente a história é assim: descobriram que determinados caracoizinhos, espertos, reduziram o ritmo do metabolismo para aumentar o tempo de vida. Explicando melhor: enquanto os seus colegas gastam uma energia danada diariamente (fazendo só deus sabe o que, já que vida de caracol deve ser super complexa), esses caracóis espertos vão levando a vida devagar. Com isso, segundo os cientistas, "guardam" energia para a reprodução (eu disse que eles são espertos) e para a velhice. Moral da história: levam a vida numa boa, no ritmo deles, vivem mais, têm mais tempo para o sexo e, como se não bastasse, enterram todos os outros colegas da espécie que se julgavam até então super ativos e superiores aos molengas.&lt;br /&gt;A historinha dos caracóis deixou a comunidade científica intrigada. Será que a redução do metabolismo está diretamente ligada ao fato de se mover muito devagar, por exemplo? &lt;br /&gt;A Lúcia, lenta nos passos mas talvez avançada nas idéias, já sabia disso há muito tempo. &lt;br /&gt;Eu ainda preciso parar de sentir saudade das festas. Das libélulas elétricas. Dos encontros boêmios sob pés-de-maracujá. &lt;br /&gt;E enquanto acho o compasso da minha evolução, eu vou indo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2552934018928628760?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2552934018928628760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2552934018928628760' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2552934018928628760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2552934018928628760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/05/moving-slowly.html' title='Moving Slowly'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6536505235205662695</id><published>2009-05-20T14:34:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T15:47:37.244-07:00</updated><title type='text'>Fans and Critics</title><content type='html'>Talvez a internet seja mesmo o milagre da comunicação, mas eu permaneço no mais absoluto anonimato fazendo meu pacato blog. Nada de badalação. Nada de celebridade. Sequer os amigos lêem com frequência _ uns gatos pingados deixam uns comentários aqui, acolá, para incentivar o esforço criativo da amiga. &lt;br /&gt;A ausência de fama não me consterna. Ao contrário. Me tranquiliza. Escrever é sempre um processo individual (ainda que tal definição seja um perfeito paradoxo), e o faço por puro prazer.&lt;br /&gt;Mas qual não foi minha surpresa quando, relendo alguns textos antigos, encontro o comentário de um desconhecido no meu blog. Meu coração dispara. Parem as máquinas. Chamem os mediadores, os web-designers, os editores de podcasts, os inventores da linguagem HTML. Pronto. Globalizei-me. Sou famosa. Estou na rede. &lt;br /&gt;O desconhecido me ataca diretamente e me critica pelo meu profundo desconhecimento sobre música. Está certíssimo, meu crítico. E qual é mesmo a razão do comentário? Vinícius Cantuária. Jura?&lt;br /&gt;Meses e meses de trabalho árduo e nenhum comentário irado dos brasileiros que idolatram Londres? Nenhum britânico disposto a me chamar de amargurada? Nenhum nativo se candidata a fazer um discurso em prol da coxinha e do Guaraná Antárctica? Nenhum nostálgico pronto para relatar os seus tempos memoráveis de estudante no exterior? Nada de acessos de xenofobia? Nenhum jornalista (coleguinha) decepcionado com minhas opiniões cruéis sobre a mediocridade da grande imprensa brasileira? Nenhum ex-namorado vingativo ou amargurado? Nenhum crítico literário me descobriu? Nenhum leitor atento me aconselha a desistir pela falta de talento? Nada? Só me resta o Vinícius Cantuária?&lt;br /&gt;Sim. Fato consumado. E eis que o Wilson Alexandre, fã de Vinícius Cantuária (e não meu, obviamente), me detona. Como é que eu _ que não entendo nada de música popular brasileira e fico escrevendo idiotices neste blog &lt;strong&gt;Chá com Cinco &lt;/strong&gt;_ ouso questionar se o Vinícius ainda existe? Heim? Quem eu penso que sou? Com que direito eu, parte desta mídia brasileira "de merda" e que "aliena a cabeça das pessoas", digo que ninguém se lembra do Vinícius Cantuária?&lt;br /&gt;Fico tão transtornada com o comentário do Wilson Alexandre (meu deus, quem é o Wilson Alexandre, onde ele mora, devo ligar pra ele, me desculpar, ligar para o Vinícius, escrever uma carta, mandar telegrama, um txt? Ele tem blog? O que eu faço?) que começo insistentemente a tentar me lembrar das músicas do Cantuária. Como é aquela? Como é aquela? Gente, aquela que todo mundo cantava? Bem, eu acho que só tinha uma mesmo (me desculpe, viu, Wilson, eu não entendo nada de música)...&lt;br /&gt;Ufa. Veio. Lembrei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Demorei muito pra te encontar&lt;br /&gt;Agora eu quero só você&lt;br /&gt;Teu jeito todo especial de ser&lt;br /&gt;Fico louco com você"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maravilhoso, o Vinícius. E aquela parte, lembram: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Tava cansado de me preocupar&lt;br /&gt;Tantas vezes eu dancei&lt;br /&gt;E tantas vezes que eu só fiquei&lt;br /&gt;Chorei, chorei"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinha um trecho que eu não entendia de jeito nenhum (isso acontece com qualquer música da década de 80, especialmente as do 14 Bis, Djavam, Roupa Nova e Biquini Cavadão):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Agora eu quero ir fundo lá na emoção&lt;br /&gt;Mexer teu coração&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Salta comigo alto e todo mundo vê&lt;/strong&gt;[ERA AQUI QUE EU INVENTAVA UMA FRASE]&lt;br /&gt;Que eu quero só você"...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bons tempos aqueles, quando a gente ouvia o Vinícius...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, Wilson, eu queria te agradecer. Primeiro porque é uma honra ter qualquer tipo de comentário no meu blog (puxa, como foi que você descobriu meu blog? gente, a internet é um milagre). Além disso, pessoas com gosto musical apurado, como o seu, são coisa rara hoje em dia. E sempre têm muito a ensinar. Concluindo, foi maravilhoso saber que o Vinícius Cantuária não entrou para o Almanaque dos Anos 80 por causa dessa imprensa medíocre e vendida. Isso é mesmo imperdoável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, gente, por hoje é só. Foi um prazer falar com todos vocês. Me escrevam, viu!!! "Meu pensamento voa de encontro ao teu", como dizia o Vinícius. Ou será que é sonho meu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6536505235205662695?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6536505235205662695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6536505235205662695' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6536505235205662695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6536505235205662695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/05/fans-and-critics.html' title='Fans and Critics'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6754296967701425766</id><published>2009-05-19T13:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T14:11:20.668-07:00</updated><title type='text'>Tittle in English: Linguistic Dilemma Tittle in Portuguese: "Na Onde?"</title><content type='html'>O &lt;em&gt;jet lag&lt;/em&gt; espiritual não dura muito no Brasil. Inevitavelmente você vai presenciar alguma cena que te mostrará com absoluta lucidez onde você está.&lt;br /&gt;A minha foi no ônibus Guarulhos-São Paulo, rota Hotéis/Paulista. Meu estado de espírito continuava confuso, eu pensava em como seria complicado voltar para Londres sem dinheiro, sem saber direito o que eu quero fazer da vida, deixando meu amor de novo abandonado ali pertinho do Largo da Batata. Além do &lt;em&gt;jet lag&lt;/em&gt; espiritual _ que não saía do meu corpo desde que eu tinha chegado ao Brasil no início de abril _, o cérebro estava prejudicado por genuínas questões aéreas (que contaram com a generosa colaboração da TAM), listadas abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) um vôo às 6h da manhã;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) um vôo &lt;strong&gt;INTERNACIONAL&lt;/strong&gt; às 6h da manhã, informação cuidadosamente omitida do cliente quando ele compra o bilhete online;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) pânico na fila de embarque por causa da &lt;strong&gt;regrinha dos 100 ml &lt;/strong&gt;(aqui vamos ter um longo parênteses: quem foi o GÊNIO que inventou a regra dos 100 ml? Ele poderia fazer a gentileza de CONVERSAR com a indústria de cosméticos e pedir que parem de fabricar potinhos de 125ml, 110 ml, 120 ml, 175 ml???? Hãaaaaaaaaaaaa?) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) ameaça de morte (eu &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; a simpática atendente da TAM) por causa dos saquinhos de plástico para colocar a m. dos vidrinhos que têm MENOS de 100 ml - ou seja, praticamente só sobra o colírio Moura Brasil, sendo que quase todo o resto você é obrigado a jogar naquele lixinho que fica na sala de embarque _ by the way, QUEM É QUE FICA COM TODOS OS VIDRINHOS DE PERFUME, CREMES, PROTETOR SOLAR, ESFOLIANTE, DEMAQUILANTE, LUBRIFICANTE E AFINS QUE SÃO ATIRADOS COMPULSORIAMENTE NAQUELE LIXO DA LUXÚRIA ANTERIOR À SALA DE EMBARQUE?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) gritos, indignação, e a perda de um fabuloso (E CHEIOOOOOOOO) protetor solar da Natura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando os fatos relatados acima, é fácil imaginar a gravidade do meu &lt;em&gt;jet lag&lt;/em&gt; espiritual. E cheguei em Guarulhos. Gostoso!!!!!! Alternativa: ônibus rota Hotéis/Paulista. E eu vou, assim, detonada, sonâmbula, indignada pela perda do meu protetor solar, preocupada em como depois de alguns dias em Sampa seria a vida em London....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que de repente o auxiliar do motorista (ônibus executivo que se preza tem que ter auxiliar de motorista), de uniforme branco e vermelho, gravatinha, com caneta e caderninho na mão, muito educado, me pergunta, com excesso de zelo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora vai descer "na onde"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?, pergunto, achando que tinha entendido errado, que o &lt;em&gt;jet lag&lt;/em&gt; estava me fazendo misturar sílabas indevidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Na onde?, ele insiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Metrô Consolação, respondo desolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ "Na onde"?, ele reitera o mantra linguístico dirigindo-se desta vez à passageira atrás de mim, uma espanhola, que sem pestanejar responde que desceria num hotel na Paulista, pois alguém iria dali levá-la a outro hotel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Hotel a hotelllllllllll?, ele pergunta de novo, desta vez com entonação em espanhol. E troca mais algumas palavras em "espanhol" com a passageira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me contenho, afinal o auxiliar de motorista tem tanta convicção sobre sua abordagem que não seria humano constranger o moço por conta de um simples dilema linguístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desço no metrô Consolação. E me pergunto, ensimesmada no meu &lt;em&gt;jet lag&lt;/em&gt;, "na onde" é que estou indo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6754296967701425766?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6754296967701425766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6754296967701425766' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6754296967701425766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6754296967701425766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/05/tittle-in-english-linguistic-dilemma.html' title='&lt;em&gt;Tittle in English&lt;/em&gt;: &lt;strong&gt;Linguistic Dilemma&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Tittle in Portuguese&lt;/em&gt;: &lt;strong&gt;&quot;Na Onde?&quot;&lt;/strong&gt;'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2796990603179865908</id><published>2009-04-03T15:32:00.001-07:00</published><updated>2009-05-01T18:13:48.425-07:00</updated><title type='text'>Puzzling, forgetting... and Bossa Nova</title><content type='html'>Às vezes é melhor manter em segredo o quão estranho você se sente após voltar para um lugar muito tempo depois. O muito tempo depois pode ser dez anos, alguns meses ou décadas a fio. O lugar pode ser a casa onde você viveu na infância, a cidade onde você fez faculdade, o colégio da adolescência, o estado onde você nasceu, etc. &lt;br /&gt;No meu caso, foram nove meses fora do lugar. E o lugar é o Brasil. &lt;br /&gt;A pausa aqui no meu país vai durar apenas algumas semanas. O problema é que eu estava com tanta saudade e tão ansiosa com a chegada que idealizava aquela sensação de amor à primeira vista. Achava que chegaria, convidaria o Brasil para tomar um chope e comer bolinho de bacalhau. Nós dois, eu e o Brasil, nos sentaríamos à beira mar, num cantinho _ e mesmo sem violão _, e comecaríamos a falar da vida, da nossa vida, da vida alheia. Eu, então, me sentiria completíssima num dia de luz, com a festa do sol. E entenderia que quero a vida sempre assim, com o Brasil perto de mim. E que a velha chama, ah, a velha chama, essa não se apaga nunca.&lt;br /&gt;Mas o compasso do nosso reencontro não foi assim tão ritmado. Ficar na fila da imigração mais de uma hora mesmo sendo cidadã brasileira e com passaporte brasileiro (o único lugar deste mundo redondinho em que o seu passaporte de fato deveria valer alguma coisa, pois sabemos que ele não vale o pão que come fora dali) é um tanto desagradável. &lt;br /&gt;Uma hora e meia na Marginal Tietê durante o trajeto Guarulhos-Pinheiros também não é legal. &lt;br /&gt;Ficar sem carro em São Paulo não é gostoso como tomar chope à beira da praia. Andar de carro em São Paulo não é como saborear bolinho de bacalhau.&lt;br /&gt;Abandonar em segundos o sonho de ser ciclista em São Paulo é abandonar a aura mágica dos festivais da canção (e definitivamente).&lt;br /&gt;Ir ao supermercado e "realizar" que as suas compras mensais em Londres ficam mais baratas que as compras mensais no Brasil começa a despertar em sua mente a idéia de que você não quer a vida sempre assim.&lt;br /&gt;Você sabe quem quer perto de você _ e é por isso que estou aqui _, mas por alguns segundos você os olha e não os reconhece.&lt;br /&gt;Você sabe que um dia vai ter que retomar a rotina de trabalho, mas isso simplesmente te entristece.&lt;br /&gt;E se você diz que está estranha, vão dizer que você agora é esnobe. Exceto aqueles que migram com certa frequência e sabem que o mundo globalizado - ou De(s)-Globalizado, como estão redefinindo os teóricos - está mudando as mentes, as almas, os corpos. Que está difícil manter a velha chama acesa porque você começa a se identificar com tudo e nada. Que nenhum lugar é mais o seu lugar porque o seu lugar pode ser qualquer um. "&lt;em&gt;The world is puzzling&lt;/em&gt;", me explica uma amiga que também morou fora por algum tempo e retornou há poucos meses ao Brasil. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;In other words&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;I'm puzzling. More specifically, the world is a puzzle.  &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acabo de assistir à &lt;em&gt;True Stories&lt;/em&gt;, de David Byrne, e tudo ficou mais claro. Quando você realmente quer conhecer um lugar, você precisa esquecê-lo para construí-lo. Esquecê-lo para reconstruí-lo. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;I'm forgetting Brasil&lt;/em&gt;. E isso não é ruim. Isso é necessário para que eu veja os dia de luz, a festa do sol, essa calma de verão, os dias tão azuis, a tardinha que cai, encontre o barquinho que de algum jeito e por algum caminho sempre vai...&lt;br /&gt;Me deixe te esquecer, Brasil, mas não me deixe. Porque tristeza não tem fim. Felicidade sim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2796990603179865908?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2796990603179865908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2796990603179865908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2796990603179865908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2796990603179865908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/04/puzzling-forgetting-and-bossa-nova.html' title='Puzzling, forgetting... and Bossa Nova'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2653307455512701781</id><published>2009-02-22T15:24:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T16:26:37.915-08:00</updated><title type='text'>Brave lions, las madres and the gaps</title><content type='html'>&lt;em&gt;Sempre me senti hipnotizada por crianças, mas certamente há uma sensibilidade especial em meu útero e uma vontade genuína de ser mãe que me fazem desconectar do resto do mundo quando essas pequenas criaturinhas atravessam minha rotina. Penso que conectar a minha vida de adulta com a mente dos pequenos me faz entender o que estou fazendo aqui. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mom, it is really dangerous to stand up, isn't it?"&lt;br /&gt;Yes, it is. E a mãe lhe explica que ficar em pé no ônibus não é uma boa idéia porque o motorista pode frear bruscamente e ele vai bater a cabeça no vidro e se machucar muitoooooooooooooooo...&lt;br /&gt;"And it hurts." Yes, it hurts. A mãe é tão clara que ele nem se atreve. Mas claro que é preciso encontrar alguma novidade no ônibus. Lentamente, ele se ajoelha no assento e gira o corpo em direção ao banco detrás. Olha o jovem casal silencioso e se enche de coragem: &lt;strong&gt;"Uaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh". &lt;/strong&gt;Os gestos, a cara e a entonação do rugido me fazem ter a certeza de que ele havia imitado um leão. A mãe segura o riso. Eu idem.&lt;br /&gt;O casal não se mexe. Nem a mãe. Ele se desencanta. Senta-se novamente.&lt;br /&gt;"It is dangerous to move, isn't it, Mom?" Brava, ela encara seriamente o bravo leãozinho, que já sabe a resposta. Ele espera alguns minutos, deixa a mãe se distrair, mas vira de novo rapidamente para o casal e solta um novo e violento urro. Eu não me aguento. Me derreto de rir no assento ao lado, impressionada com a insensibilidade do jovem casal diante do rei da selva. Mas, claro, tenho medo de encarar a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*****&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bravos são os filhos, guerreiras são as mães. Conecto o episódio no ônibus com o texto que recentemente havia lido sobre &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Las Madres de la Plaza de Mayo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, que enfrentaram a ditadura militar na Argentina na década de 80 em busca de seus leões desaparecidos. Mães são capazes de tudo pelas crias. São a única prova do amor incondicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*****&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no metrô, a curiosidade infantil volta a me perseguir. "Do we always mind the gap?" Oh, yes, always. Quem responde desta vez é a vovó. Com as perninhas balançando no ar, sapatinhos mocassim pretos, gorrinho combinando com cachecol, ele observa tudo e acha um tanto exagerada a repetição britânica dos "Mind the Gap" em toda estação. Vira (será que todos eles sempre se viram, repentinamente???), fica em pé no assento e se depara com o cartaz no vidro: &lt;em&gt;"Please keep feet off the seat"&lt;/em&gt;. A vovó lê bem alto o cartaz. Envergonhado, ele vai descendo, lentamente, e fica novamente sentado, como quem não quer nada.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Mind the gap", &lt;/em&gt;repete de novo o motorista na próxima estação.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Mind the gap, mind the gap; there are always gaps"&lt;/em&gt;, reflete o pequenino, falando baixinho para si mesmo, e arrancando gargalhadas deliciosas da vovó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2653307455512701781?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2653307455512701781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2653307455512701781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2653307455512701781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2653307455512701781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/02/brave-lions-las-madres-and-gaps.html' title='Brave lions, las madres and the gaps'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5870450277067872714</id><published>2009-02-17T15:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T18:36:41.893-08:00</updated><title type='text'>Library</title><content type='html'>Talvez seja a falta de sol, cerveja gelada e peixinho frito.&lt;br /&gt;Talvez seja algum hormônio que se ativa nos dias cinzas.&lt;br /&gt;Falta de coxinha? Guaraná Antárctica?&lt;br /&gt;Falta de coragem de não fazer nada?&lt;br /&gt;Necessidade de achar que você de fato faz alguma coisa?&lt;br /&gt;Enfim, seja a razão gastronômica, filosófica, cultural ou ambiental, o fato é que a obsessão do estudante inglês por biblioteca é realmente um fenômeno científico. E pior: contagiante.&lt;br /&gt;Nos dias em que eu resolvo estudar em casa _ auto-afirmando que tudo na vida é uma questão de disciplina, que eu sou uma mulher madura e uma estudante auto-centrada _, o meu inconsciente grita freneticamente: vá imediatamente para a biblioteca! Mas não, eu não vou. Uma paradinha para o chá, outra para o café, outra para ver emails, outra para ler novos blogs recém-descobertos, um amigo no skype aqui, uma irmã no messenger acolá. Não rende. Simplesmente. É um dia inteiro para ler um ou dois artigos em inglês.&lt;br /&gt;Já na biblioteca.... A coisa é frutífera. Organizo textos, penso, seleciono livros e mais livros, leio quatro artigos. É batata! Ou melhor: é científico. &lt;br /&gt;Se fosse Einstein, a fórmula seria assim: &lt;strong&gt;e.c = (m.t.p)2 /4&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Traduzindo: &lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt;studar em &lt;strong&gt;c&lt;/strong&gt;asa é igual a: &lt;strong&gt;m&lt;/strong&gt;uito &lt;strong&gt;t&lt;/strong&gt;empo &lt;strong&gt;p&lt;/strong&gt;erdido ao quadrado, divido pelos quatro artigos ou quatro capítulos de livro que você não vai ler.&lt;br /&gt;Como tudo na vida, você precisa passar pela experiência para entender.&lt;br /&gt;Bibliotecas têm algo mágico. &lt;br /&gt;Primeiro que elas, aqui, têm aquela aura de "O Nome da Rosa". Outro dia me perdi na Senate House Library e entrei num labirinto com cheiro de arsenico, livros de capa dura formato A2 (sei lá se é A2, A5 ou A3, mas é bem maior que A4). Era o setor de teologia. Claro que entre os padres anglicanos eu vi o Sean Connery.&lt;br /&gt;Na biblioteca você tem devaneios criativos, cinematográficos.&lt;br /&gt;Você tem uma opressão sufocante. Literalmente. Está encurralada no meio de milhares de livros. Freud, Aristóteles, Marx, Gramsci, Lacan, Foucault, Hobbes, Weber, Hegel estão todos ali, vigiando que tipo de contrato social você vai inventar para o seu inconsciente e qual antítese será invocada para explicar, democraticamente, a síntese do seu vazio intelectual caso você, simplesmente, não estude. Ou seja, você não tem saída.&lt;br /&gt;Quando você entra na biblioteca, todos te olham. Mas é um olhar suave, do tipo que Hitler daria se fosse uma velhinha bondosa que mora no alto da colina. Mas ela continua sendo Hitler.&lt;br /&gt;Você checa sua lista de livros. Pega o que precisa. Senta-se. Começa. Há um relógio à sua frente. Você terá quatro, cinco horas. O tempo passa. Mas passa com qualidade. Você não pode desviar sua atenção. Não pode comer. Não pode atender telefone. Não pode falar, basicamente. Sabe aquela coisa de "você e sua consciência"? Pois é. Existe. Ali na biblioteca.&lt;br /&gt;Você só ouve a respiração dos que estão a seu lado estudando. Cria uma competição imaginária.&lt;br /&gt;Quando está exausto, pensa no café. Mas o campo visual a seu redor te detém: se você passar quinze minutos tomando café, eles, os seus concorrentes intelectuais (mesmo que imaginários), vão ler três capítulos a mais que você.&lt;br /&gt;Você quer ir ao banheiro. Não. Weber nunca fez xixi. Sossegue. &lt;br /&gt;Você tem vontade de comer chocolate. Não. Hegel devia ser esquálido.&lt;br /&gt;Você pensa nos emails. Pare. Aristóteles escrevia em pergaminho.&lt;br /&gt;E assim as horas passam, o intelecto te alimenta. &lt;br /&gt;Toca a sirene. Todos se levantam das suas cadeiras, chateados.&lt;br /&gt;O templo se fecha.&lt;br /&gt;Eu saio dali exultante, orgulhosa. Cumpri meu dever de estudante.&lt;br /&gt;Vou para a casa pensando no marxismo ecológico, nas respostas ineficazes para a globalização, na falência da construção do Estado na América Latina, na necessidade de revisitar a teoria da democracia. &lt;br /&gt;Mas meu pensamento mais forte mesmo é o da cerveja gelada na praia. &lt;br /&gt;De preferência com o Sean Connery.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5870450277067872714?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5870450277067872714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5870450277067872714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5870450277067872714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5870450277067872714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/02/library.html' title='Library'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-3007461638786732471</id><published>2009-02-04T15:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T06:15:25.322-08:00</updated><title type='text'>Bonne année!!!</title><content type='html'>Eu tinha que começar de novo.&lt;br /&gt;Confesso que depois do Natal na Alemanha, Ano Novo na França, despedida de namorado em Londres, me deu uma preguiça de começar este ano.&lt;br /&gt;É ruim a sensação de estar, mas não estar em lugar nenhum.&lt;br /&gt;Ou de estar num lugar onde tudo, sempre, é temporário.&lt;br /&gt;Passei duas semanas na Alemanha tentando aprender a falar Feliz Natal. Claro que o '&lt;em&gt;Frohe Weihnachten&lt;/em&gt;' não saiu, digamos assim, perfeito. Mas meio bêbada, depois de ter encarado a Oma _ que chamou minha sobremesa maravilhosa de Leka, Leka, Leka (e que fique bem claro que Leka não é geleca nem meleca) _, e de ter dado abraços e beijos no casal alemão que passou horas conversando comigo sem que eu fosse capaz de dizer UMA frase no idioma deles, dizer '&lt;em&gt;Frohe Weihnachten&lt;/em&gt;' foi fichinha.&lt;br /&gt;O complicado mesmo é pronunciar &lt;em&gt;Entshuldigen&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Meu namorado já tinha desistido da minha capacidade linguística, sobretudo depois de perceber os sons mirabolantes que eu tentava emitir para dizer um simples "&lt;em&gt;Dank&lt;/em&gt;". Demorou, e apesar do ceticismo extremo dos meus entes queridos eu consigo sim, senhoras e senhores, falar &lt;em&gt;Entshuldigen&lt;/em&gt;! Sinceramente, acho que vai ser a única palavra que eu vou aprender nesta vida do idioma. E como foi sofrido... &lt;br /&gt;Imagine você, andando pela rua, de repente dá uma simples trombadinha na pessoa e, apressadamente, tem que soltar essa: &lt;em&gt;Entshuldigen&lt;/em&gt;!. Por que não dizer: &lt;em&gt;hein, dein, frein, uoun, whatever&lt;/em&gt;... Por que nada meio monossilábico, rápido, simples? (afinal de contas você trombou no sujeito e não quer deixar o papo render, quer encerrar logo o assunto) Por que não apenas um som, uma ou duas sílabas, tipo 'sorry'? Ok, é alemão, e não há nada simples em alemão. Viver não é simples em alemão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Voilá!!! Ces't la vie!!!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Animada com meus progressos linguísticos, fui para a França e lá, senhores e senhoras, a coisa rendeu... Era um tal de &lt;em&gt;Bonne Année&lt;/em&gt; pra lá e pra cá na madrugada do dia primeiro de janeiro de dois mil e nove que, sinceramente, eu estava me achando... Tudo bem que isso ocorreu VÁRIAS GARRAFAS DE VINHO DEPOIS, várias horas depois de termos dançado Ivete Sangalo (ok, esse parêntesis é só para dizer que o ser humano é capaz de coisas muito estranhas quando está longe das suas origens, dos seus entes queridos, do seu país), várias horas depois de termos nos aventurado, na neve (temperatura negativa, que fique bem claro), na Torre Eiffel. Mas a minha capacidade de interagir em francês de madrugada estava ótima. Bastante fluente. Tive que interromper algumas conversas por absoluta falta de vocabulário (o que se diz depois de &lt;em&gt;bonne année&lt;/em&gt;???), mas ninguém se importou, naquela hora da noite.&lt;br /&gt;Bom, o importante é que eu desejo um &lt;em&gt;Bonne Année&lt;/em&gt; para você também.&lt;br /&gt;E que você aprenda a dizer coisas diferentes a cada ano.&lt;br /&gt;E dizer coisas diferentes implica viver e sentir diferente.&lt;br /&gt;And this is unique.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Happy New Year!!!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-3007461638786732471?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/3007461638786732471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=3007461638786732471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3007461638786732471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3007461638786732471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/02/bonne-annee.html' title='Bonne année!!!'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1339345532641321486</id><published>2009-01-16T08:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T08:24:33.498-08:00</updated><title type='text'>Airport</title><content type='html'>Já tinha passado alguns momentos da vida prestando atenção na expressão e gestos ansiosos daqueles que esperam por alguém: corpos estáticos ou inquietos, mãos suando, buquês estendidos, cartazes, balões, fanfarra, sinceros sorrisos, criança pulando em colo de pai. &lt;br /&gt;Se as chegadas sensibilizam, as partidas chorosas de namorados também dificilmente passam incólumes quando você está circulando pelo saguão do aeroporto.&lt;br /&gt;Sim, eu já me despedi de muita gente, já senti aquele corte de levinho no coração, que parece começar como uma pequena rachadura e se aprofunda lentamente até parecer abismo. &lt;br /&gt;Mas foi a primeira vez que me senti oca, perdida, sem rumo após dizer adeus. Foi a primeira vez que o cortezinho virou abismo em questão de segundos. Foi a primeira vez que eu não tive vontade de ir para lugar nenhum após a despedida, exatamente porque eu não sabia para onde ir. Eu não tinha para onde ir. &lt;br /&gt;Foi a primeira vez que eu sustentei meu corpo na ponta dos pés até o último segundo, enquanto acompanhava os passos dele até o detector de metais e depois em direção ao portão de embarque.&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que a imagem no meu foco foi gradualmente ficando distante, distante, distante, até não haver mais definição.&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que eu pensei que se acenasse eternamente poderia paralisar o momento.&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que eu tive vontade de gritar por desespero.&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que eu entendi que é fácil devastar-se quando você vive longe do seu país e longe de quem você ama.&lt;br /&gt;"It is pretty hard, no?", me diz a mulher ao lado que também se equilibrava na ponta dos pés, com quem construi uma cumplicidade inconsciente por intermédio do olhar.&lt;br /&gt;Ele partiu. Mas me deixou com a certeza de onde quero chegar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1339345532641321486?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1339345532641321486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1339345532641321486' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1339345532641321486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1339345532641321486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2009/01/airport.html' title='Airport'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-3653360872361631443</id><published>2008-12-06T10:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T14:36:56.942-08:00</updated><title type='text'>Ethiopia in London</title><content type='html'>Além de saber que a Etiópia ficava perto do Sudão, mas não aparecia no tabuleiro do War, eu também me lembrava daquelas cenas tenebrosas da crise de fome maciça de 1984 e que havia se repetido em 2002 naquele país. &lt;br /&gt;O fato de sempre ter associado Etiópia a fome tornava ainda mais estranho sair para jantar num restaurante etíope. Mas a curiosidade move o homem, e comer com as mãos algo bastante apimentado me levava a crer que despertaria meus mais primitivos instintos; então, sequer hesitei.&lt;br /&gt;Primeiro tentamos o Fassiba, mas o cheiro de incenso e o salão absolutamente vazio não nos inspiraram.&lt;br /&gt;Seguimos para o Addis Ababa. Ali sim era o lugar. Repleto de etíopes, que se assustaram com nossa chegada. Música etíope ao vivo, com Tilahun e Zewditu, esse último carinhosamente apelidado por mim de Seu Dito. &lt;br /&gt;Tilahun é uma negra maravilhosa, que se mexia como cobra Naja em meio a seu canto hipnótico. Seu Dito me lembrou muito o Lombardi, pois freneticamente gritava "Rarraiiiiiiiiii", enquanto a Tilahun gritava zazazazazazazaza e botava pra quebrar com os ombros. Claro que poucos minutos depois a banda virou Zazá e Seu Dito. &lt;br /&gt;Pedimos o prato para dois, com direito a tudo. Todos os sabores, todos os tipos de pimenta, todas as cores. Também provamos a Bati, uma deliciosa cerveja etíope. &lt;br /&gt;A comida chega em lindas tijelas, mas a mocinha etíope despeja tudo rápida e harmonicamente num tabuleiro gigante forrado com uma espécie de massa de pão semi-crua. O cheiro entorpece. Há ainda vários rolinhos de pão na cestinha. Fico intrigada com a beleza das louças, já que ali só vale gol de mão.&lt;br /&gt;Olhamos para o lado, com o intuito discreto de checar se todos os nossos amigos etíopes vão mesmo comer com a mão esquerda, pois a direita é utilizada para outras coisas (coisas que não devemos mencionar na hora de comer).&lt;br /&gt;Mas não. Eles comem com a direita mesmo, e nos achamos no mesmo direito. Prosseguimos. Como eu imaginava, comer com as mãos é libertador. E pimenta é algo purificante.&lt;br /&gt;Stefan chega à conclusão que a música de Zazá é um ingrediente necessário para que nosso intestino não pule pela goela afora desesperado com a pimenta ou para que o estômago não comece a fazer gracinha num lugar público. Eles dois simplesmente se acalmam enquanto Seu Dito grita como Lombardi e Zazá sai se esfregando no ar pelo salão. &lt;br /&gt;O povo é lindo, mas quieto. Eles todos têm um ar meio triste (eu sempre achei todo etíope triste, desde 1984). A manifestação mais intensa e efusiva da cultura está concentrada nos ombros. Acho que eles sambam com os ombros. No dia em que você vir um etíope dançando entenderá bem o que eu quero dizer. Fará imediata analogia com samba. &lt;br /&gt;Quando eles tomam mais de duas Batis, batem palmas. Mas não uma palma qualquer. Uma palma etíope. O som, o observa com precisão meu namorado, é o de dois toquinhos de madeira se encontrando. Palma etíope.&lt;br /&gt;A galera do Adis Ababa começa a se acostumar com a nossa presença _ os únicos gringos do restaurante _ e Zazá fica dando uma de Naja na minha frente. Eu tento bater a tal palma de toquinho (já estou na segunda Bati) para ela, mas a coisa não engrena. Tenho uma simples palminha brasileira. Zazá, toda simpática, agradece.&lt;br /&gt;Levamos as tampinhas da Bati para fazer uma aliança no futuro. Eu cismo que a tampinha tem um mapa da Etiópia desenhado, mas claro que Stefan consegue me provar em um segundo a minha inabilidade para identificar imagens; se trata de um leão deitado, o símbolo da etiópia. &lt;br /&gt;Deixamos o Addis Ababa felizes e sorridentes (ainda que eu tenha ficado muito preocupada com a naturalidade com que Stefan encarou o ovo cozido de gema meio esverdeada que, espero eu, tenha sido mesmo de galinha; e ainda que em dois momentos tememos ter os músculos da face paralisados para sempre pelo efeito da pimenta).&lt;br /&gt;Pronto. Assim é a vida dos que experimentam. &lt;br /&gt;Agora preciso visitar a Etiópia, e inclui-la, por conta própria, no meu tabuleiro do War.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-3653360872361631443?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/3653360872361631443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=3653360872361631443' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3653360872361631443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3653360872361631443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/12/ethiopia-in-london.html' title='Ethiopia in London'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-416977949886581286</id><published>2008-11-14T16:45:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T17:46:35.994-08:00</updated><title type='text'>Sofa's Theory</title><content type='html'>Enclausurar-se e ler por horas e horas a fio é uma experiência recompensadora, hipnótica. Entendo perfeitamente porque as freiras carmelitas descalças conseguem sorver a bíblia e todos os apóstolos até a última gota. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;However&lt;/em&gt;, a prática também deixa qualquer ser humano com um pino a menos. Especialmente quando você tem que ler, ler, ler, inspirar-se e escrever três &lt;em&gt;essays&lt;/em&gt; de três mil palavras cada enquanto acha que não consegue pronunciar nem uma frase completa em inglês com nexo. Quem dirá um ensaio... &lt;br /&gt;Todos os estudantes estrangeiros sabem bem o que eu digo, e entenderão o raciocínio freudiano a seguir.&lt;br /&gt;Eis que me pego pensando (e sonhando) com a estruturação do Estado, com as teorias do desenvolvimento, estruturalismo, construtivismo, corporativismo, populismo, modernismo, liberalismo, autoritarismo, institutionalismo. Como não sei bem definir nenhum conceito, me deito no sofá.&lt;br /&gt;O sofá em questão (no sonho) é o da casa da vovó Guará e do vovô Análio. Havia lá dois sofás. O mais escuro, grande, aconchegante, disputado por todos os netos. Na hora da novela, eu, Elisa, Grá e Dani quase nos matávamos por uma vaguinha no sofá. Era a sensação da noite, porque a vaga no sofá também garantia a melhor visão da queda da dentadura do vovô enquanto ele lentamente adormecia. Era batata. Tinha hora marcada. E em meio às nossas risadas incontidas, o Seu Análio acordava nervoso, botava a dentadura no devido lugar e, irritado, desligava a TV. E enquanto os adultos nos olhavam com aquela cara de ódio, esperávamos a contravenção seguinte. Aguardávamos algumas horas para o vovô ir dormir e, depois, era só caminhar pé-ante-pé, ligar a TV, rezar para a antena pegar e ver o Tela-Quente de sábado (sim, nas telas da Globo).&lt;br /&gt;Portanto, não era um simples sofá. Era o nosso sofá. Era o sofá da visão privilegiada, do mundo novo que se abria depois das onze da noite. Era o sofá que nos permitia delimitar o território com a classe adulta. Era o nosso símbolo do desenvolvimento, a marca do nosso autoritarismo infantil, onde nos estruturávamos enquanto classe, nos definíamos hierarquicamente (quem ia ligar a TV naquela noite depois que o vovô fosse dormir, quem vigiaria a porta, quem levaria a culpa, quem se assentaria nas pontas e no meio do grande sofá). Basicamente, o sofá era a âncora do nosso institucionalismo, o iceberg construtivista da infância.&lt;br /&gt;E, agora, exausta, me deito no sofá (volto ao sonho). &lt;br /&gt;E eis que um amigo intelectual abre a porta da sala, também no sonho, me vê deitada no sofá grandão, feliz da vida, e me pergunta: Já terminou os seus essays? &lt;br /&gt;Digo que sim. &lt;br /&gt;- "E formulou alguma teoria?" &lt;br /&gt;Não, respondo assustada. &lt;br /&gt;- "Então não serve."&lt;br /&gt;Desesperada, sou obrigada a me levantar do sofá.&lt;br /&gt;E entendo que só me resta deitar no outro sofá, que ficava à frente do sofá grandão. Este sofá azul clarinho era desprezado por toda a classe na infância. Era frio, ficava ao lado da TV. Sendo assim, o infeliz que não tinha vaga no sofá grandão e era obrigado a se sentar no sofá frio vivia apartado da realidade. Não via a TV de frente, nem o vovô de tão perto. Resumindo: o sofá frio azul clarinho não tinha graça nenhuma. Era a escória da humanidade.&lt;br /&gt;E, sem teoria, só me restou o sofá frio (no sonho).&lt;br /&gt;Acordei irritadíssima (ao fim do sonho) com a decisão imbecil de sair do aconchego do sofá grande só porque não tinha formulado uma estúpida teoria. Perguntei-me, acordada, por que aceitei tão pacificamente a auto-punição de me deitar no sofá frio azul clarinho. &lt;br /&gt;Como Freud era um cara que manipulava com maestria a arte da criação das teorias, eu acredito que o meu inconsciente está gritando vários recados.&lt;br /&gt;Então, resolvi criar a teoria do sofá:&lt;br /&gt;1) Sempre haverá os lugares quentes e os frios. Não é preciso ser muito inteligente para decidir em qual você quer estar, mas você também sabe que alguns momentos da vida obrigatoriamente vão te levar para os frios, porque é só neles e eles que vão te dar a real perspectiva do que é viver e desfrutar dos lugares quentes;&lt;br /&gt;2) Todas as pessoas vão te cobrar teorias sobre tudo, especialmente depois dos 30. Se você disser que não as têm ou se admitir em público que não sabe bem do que se trata a consequência pode não ser das melhores. Portanto, finja que tem uma teoria. Ou você acha mesmo que os acadêmicos entendem em profundidade o que é a dialética da luta de classes? Invente, tente, formule uma teoria diferente;&lt;br /&gt;3) Quando tiver netinhos, perca sempre a dentadura ao lado deles e finja que está dormindo. Eles certamente terão os mais divertidos momentos da infância. Você, as mais doces lembranças da sua vida. O efeito da queda da dentadura, se é que vocês me entendem, não é externo, mas interno;&lt;br /&gt;4) Tenha dois sofás em casa e volte ao item 1 para entender o que eu quero dizer com isso, pois o 1 é uma espécie de nota de rodapé da análise 4 (e a dinâmica de notas de rodapé é essencial para quem quer formular teorias);&lt;br /&gt;5) A vida é como um sofá. Aparentemente, você pode se deitar no que quiser e ao lado de quem lhe apetece e te acrescenta algo. Porém, se a sala estiver cheia e você não chegar na hora certa e não conseguir formular uma teoria convincente para garantir o seu lugar, já era. Quem vai ao ar, perde o lugar. Para os que não vivem, só resta o sofá frio. Aquele que fica bem à frente do sofá grandão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-416977949886581286?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/416977949886581286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=416977949886581286' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/416977949886581286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/416977949886581286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/11/sofas-theory.html' title='Sofa&apos;s Theory'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1315819299686263436</id><published>2008-11-01T15:12:00.000-07:00</published><updated>2008-11-02T03:06:35.174-08:00</updated><title type='text'>Thirty Five - That is all there is</title><content type='html'>Existe em mim uma vitalidade nova e inexplicável.&lt;br /&gt;Não me sinto com 35, assim como não me senti com 30 e não soube muito bem estabelecer a real diferença entre 18 e 25. &lt;br /&gt;Construí inconscientemente uma relação atemporal com a idade.&lt;br /&gt;Celebrei-me, recentemente, apartada das minhas origens. Talvez pela primeira vez tenha pensando de fato no sentido de uma idade. Não em seu peso _ ela ainda não me sufoca _, mas no que tenho e no que me falta.&lt;br /&gt;Tenho: &lt;br /&gt;uma vida livre e descompromissada; &lt;br /&gt;"no real job"; &lt;br /&gt;milhões de livros dispostos em seis bibliotecas; &lt;br /&gt;novos grandes amigos; &lt;br /&gt;novas pessoas chatas no ciclo social _ o que vai haver em todos momentos da vida (especialmente a grega bélica com seu inglês incompreensível); &lt;br /&gt;vício por chá com leite (tenho que admitir isso publicamente); &lt;br /&gt;novos hábitos alimentares (praticamente sem carne); &lt;br /&gt;a bicicleta vermelha; &lt;br /&gt;duas roupas de cama; &lt;br /&gt;cinco sapatos (e a doce lembrança dos 95 que ficaram no Brasil); &lt;br /&gt;a saudade do país, das origens, de feijoada, picanha, coxinha, bolinho de bacalhau e chope gelado; &lt;br /&gt;três ou quatro quilos a menos; &lt;br /&gt;um novo corte de cabelo; &lt;br /&gt;milhões de dúvidas políticas na cabeça; &lt;br /&gt;as mais sérias indagações da história sobre o futuro profissional; &lt;br /&gt;medo; &lt;br /&gt;pontadas estranhas de solidão (mesmo morando ao lado de quem me conforta); &lt;br /&gt;fortíssimas inspirações socialistas; &lt;br /&gt;uma libido (in)contida; &lt;br /&gt;um coração aberto, mas apertado; &lt;br /&gt;juventude (e o que de fato o conceito significa).&lt;br /&gt;Me falta: &lt;br /&gt;Rever os que amo, ter o homem que amo a meu lado, construir algo com ele.&lt;br /&gt;Não quero respostas agora. Tenho tudo o que mereço, o que procuro, o que alcanço. Tenho o que há para ter. Agora. &lt;br /&gt;E, como presente, descobri no dia 26 de outubro a música que me define, cantada por Peggy Lee. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;When I was 35 I woke up and asked to myself: "Is that all there is?". Of course not, I've said. There is much more.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Is that all there is, is that all there is?&lt;br /&gt;If that's all there is my friends, then let's keep dancing...&lt;br /&gt;Let's break out the booze and have a ball&lt;br /&gt;If that's all there is...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I know what you must be saying to yourselves: if that's the way she feels about it why doesn't she just end it all?&lt;br /&gt;Oh, no, not me. &lt;br /&gt;I'm in no hurry for that final disappointment,&lt;br /&gt;for I know just as well as I'm standing here talking to you,&lt;br /&gt;when that final moment comes and I'm breathing my last breath, I'll be saying to myself: Is that all there is, is that all there is? If that's all there is my friends, then let's keep dancing...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1315819299686263436?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1315819299686263436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1315819299686263436' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1315819299686263436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1315819299686263436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/11/thirty-five-that-is-all-there-is.html' title='Thirty Five - That is all there is'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-4658741445960220492</id><published>2008-10-23T17:21:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T07:26:31.406-07:00</updated><title type='text'>O homem, o estalo (My 'click') - Para Stefan</title><content type='html'>Na primeira declaração de quase amor &lt;em&gt;(era quase porque só veio a ser inteira dias depois)&lt;/em&gt;, disse-me sentir &lt;strong&gt;"estalos em neon"&lt;/strong&gt; ao me ver.&lt;br /&gt;A prática do amor nos faz inventar nomes engraçados &lt;strong&gt;(porque amor é graça)&lt;/strong&gt; e então eu virei o "Estalinho". &lt;br /&gt;Ele me estala. Estalo por ele. Estalamos.&lt;br /&gt;Por ele _ e por causa dele _ eu produzo sons. Eu quebro, espatifo, explodo. Me espremo.&lt;br /&gt;Fiquei intacta por anos. Agora, com ele, eu simplesmente estalo.&lt;br /&gt;Ele é o algo em mim que faz o som oco, o eco. &lt;br /&gt;O céu da boca que estala com a língua. &lt;br /&gt;A taça repleta de vinho tinto estalada freneticamente pela impaciência dos dedos das mãos.&lt;br /&gt;O riso estalado da criança.&lt;br /&gt;A chuva inesperada que estala.&lt;br /&gt;O estalar da guerra.&lt;br /&gt;O desejo, que ardente e longe estala.&lt;br /&gt;Ele é um grito novo que me quebra e me refaz.&lt;br /&gt;Venha logo ver o Estalinho.&lt;br /&gt;E hoje, homem, tenho que dizer-te: EU TE ESTALO. &lt;br /&gt;Em neon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os homens de barro quebram, os de pau corrompem-se, os de vidro estalam, os de cera derre­tem-se" (Pe. Antônio Vieira)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-4658741445960220492?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/4658741445960220492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=4658741445960220492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4658741445960220492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4658741445960220492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/10/o-homem-o-estalo-my-click-para-stefan.html' title='O homem, o estalo (My &apos;click&apos;) - Para Stefan'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8707108257395101070</id><published>2008-10-17T13:33:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T11:09:50.136-07:00</updated><title type='text'>Do we speak the same language? OU As "portugas" da Staveley Close</title><content type='html'>Não tenho mais dúvida sobre a existência de uma sincronia energética no universo, ainda que eu não saiba a essa altura da vida se sou budista, espírita, cristã. &lt;br /&gt;Não sigo nenhum rito religioso, não canto, não sei balbuciar "rezas" formais _ exceto aquelas conversas estranhas comigo mesma e sempre inconscientemente direcionadas a alguém no universo. Mas sei entender alguns sinais e, não sabendo exatamente de onde eles vêm, prefiro sempre achar que eles vêm lá de cima. Melhor que achar que vêm debaixo (essa coisa de perspectiva conta muito, sabe?).&lt;br /&gt;Considerações astrológicas, geológicas ou teológicas à parte, o fato é que vim morar aqui na Staveley Close, em Londres, porque eu precisava conhecer duas "gajas" portuguesas. Anna e Catia.&lt;br /&gt;Primeiro conheci Anna. Por acaso. Comentei com uma holandesa que eu estava à procura de apartamento, uma luta ingrata em Londres. A holandesa falou para portuguesa (que na verdade é metade canadense, metade portuguesa, um quarto francesa e 0,000025% inglesa)que uma brasileira estava procurando flat. A portuguesa me chama para uma conversa. Vou com a cara da rapariga de imediato. Dois dias depois ela me convida para vermos uma casa. As duas entram "no sítio", se olham e pimba: "Precisamos morar aqui". Foi automático. Chegamos à mesma conclusão, rapidamente.&lt;br /&gt;E assim aconteceu. Catia chegou duas semanas depois.&lt;br /&gt;Na sucessão de sinais, descubro que o telefone da Anna é o telefone da casa dos meus pais. Dias depois, as duas me contam que as duas melhores amigas delas, em Portugal, eram a Maria e a Lúcia. E, agora, elas têm o pacote "dois em um" _ olha eu aqui, com o nome composto escolhido por papai e mamãe.&lt;br /&gt;Catia é apaixonada por música brasileira. Bossa nova. Elis é sua preferida. A minha também.&lt;br /&gt;Anna adora gim. Minha bebida favorita. (A segunda é whisky, também na lista das preferidas da Anna).&lt;br /&gt;Em menos de um mês conseguimos estabelecer uma espécie de rotina socialista na casa: "Posso comer um tomate seu e depois você pega se quiser uma maçã? Você me empresta hoje o seu vestido? Olha, tenho um gravador, se quiser usar na sua entrevista. Estou precisando de dinheiro. Me paga na semana que vem. Vou preparar o jantar. Já comeste?  Vamos fazer uma sopa? Eu tenho abóbora; você, as cenouras".&lt;br /&gt;Rejeitando a "mais valia", assistimos a Grey's Anatomy e House juntas e discutimos sobre o futuro do mundo. Se Marx e Engels pudessem nos contratar para o staff de uma campanha política, estariam feitos. Adeus Obama, adeus McCain. O mundo acreditaria de novo num final feliz para a luta de classes e num modelo de poder tripartite.&lt;br /&gt;Falamos a mesma língua. Não exatamente. (Por favor, nunca diga que está 'procurando um bico' quando estiver em Lisboa. Evite também comentar que está usando o "broche" da vovó, seu preferido. Se quiser comprar calça jeans na terra de Dom João, diga calça de ganga. Domingo é dia de ir à "pixina". Guarda-fax para uns, ou guarda-fatos para outros é um jeito interessante de dizer "guarda-roupas". Os putos ficam em bichas na escola. Parece estranho, mas ficam, lá em Portugal. Fish é peixe só em inglês. Se o cara é giro, vá adiante porque a aventura vai valer à pena). &lt;br /&gt;Acho que a vida vai ser assim: Anna vai se casar com um gajo e morar no Chipre, numa casa simplesmente estonteante. Vai ter dois filhos. Lindos. Eu e Catia vamos sempre visitá-la no Natal. &lt;br /&gt;Catia vai estar morando no Brasil. Primeiro, vai passar um tempo cantando bossa-nova. Vai fazer sucesso lá, achar um gajo brasileiro e morrer de paixão. E tesão. Depois de algum tempo, apesar de amar música, vai decidir voltar para a Biologia Molecular. Será convidada pela USP para desenvolver um projeto revolucionário no tratamento de câncer. &lt;br /&gt;Eu... vou estar aonde mesmo? Não consigo imaginar. Só sei que vou estar com o meu "petusco", com a Eduarda ou o Joaquim, provavelmente andando de bicicleta na Patagônia. Talvez a gente também consiga levar adiante o plano de comprar a Land Rover e andar mundo afora com nossos "miúdos". Só sei que vamos estar juntos.&lt;br /&gt;E que teremos compromisso no Natal.Ou no Ano Novo. Ou na primavera.&lt;br /&gt;Mas ninguém pode ficar muito tempo sem saborear os Pastéis de Belém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8707108257395101070?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8707108257395101070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8707108257395101070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8707108257395101070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8707108257395101070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/10/do-we-speak-same-language-ou-as.html' title='Do we speak the same language? OU As &quot;portugas&quot; da Staveley Close'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-315058886355033990</id><published>2008-10-08T17:39:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T15:12:03.200-07:00</updated><title type='text'>Bike Accident and Credit Crunch</title><content type='html'>Comprei uma bicicleta. Vermelha.&lt;br /&gt;Não dá pra descrever a sensação de liberdade de uma pessoa de bicicleta numa metrópole, especialmente se a pessoa em questão veio de São Paulo.&lt;br /&gt;Hoje, particularmente, deixei a bike em casa. Tinha que assistir a uma Conferência, precisava chegar cedo, etc, etc, etc.&lt;br /&gt;Na volta, resolvi caminhar. Vim pensando nos efeitos do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;credit crunch&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; na minha conta bancária. &lt;br /&gt;Nunca fui do tipo de gente que dá importância exacerbada a dinheiro, mas perder muitos Reais em uma semana dá um frio na barriga para quem vive em... &lt;strong&gt;LONDRES &lt;/strong&gt;e não teve a brilhante idéia de transferir seu dinheiro para... &lt;strong&gt;LONDRES&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Enquanto sonhava com cifras e me desesperava, uma inglesa de colete verde limão despenca da bicicleta quase a meu lado. &lt;br /&gt;Vejo duas pessoas correndo em direção a ela, em segundos. Corro também. &lt;br /&gt;A cabeça jorra sangue, ela está meio inconsciente. Depois chora, se desespera ao ver as mãos totalmente vermelhas. &lt;br /&gt;Uma italiana, que tenta ajudar, chama a ambulância. Disca e me entrega em seguida o celular dizendo que não sabe falar direito em inglês. Eu muito menos.&lt;br /&gt;Pouco minutos depois, estou com o celular da italiana, falando com os paramédicos ingleses que nos orientam sobre o que fazer com o ferimento. Tento relatar ao ciclista inglês que socorreu a ciclista inglesa estatelada no chão o que os paramédicos recomendam que façamos com a "cabeça" dela. Testamos se ela está de fato consciente, perguntamos seu nome, idade, em que cidade vive.&lt;br /&gt;Em cinco minutos a ambulância chega. Finalmente perdôo o excesso de barulho de sirenes em Londres. O sistema funciona de fato. Você liga, e em cinco minutos a ambulância chega. Talvez porque em Londres o número de bicicletas tenha aumentado consideravelmente e as ruas estão mais livres. E, sendo assim, é preciso mesmo ter mais ambulâncias para socorrer prontamente os acidentados de bicicleta.&lt;br /&gt;Meu momento E.R dura pouco, mas é altamente reflexivo.&lt;br /&gt;Eu pensava em &lt;em&gt;&lt;strong&gt;credit crunch&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; e o inusitado acontece à minha frente.&lt;br /&gt;Andei mais um pouco, ainda em estado de choque.&lt;br /&gt;Hoje, havia deixado a bicicleta vermelha "estacionada" em casa. &lt;br /&gt;Sinto-me reconfortada, por alguma razão.&lt;br /&gt;E consciente de que tombo na conta corrente não mata.&lt;br /&gt;Já os outros, esses são outra história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-315058886355033990?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/315058886355033990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=315058886355033990' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/315058886355033990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/315058886355033990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/10/bike-accident-and-credit-crunch.html' title='Bike Accident and Credit Crunch'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-4912162609608144544</id><published>2008-10-06T14:35:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T15:02:39.893-07:00</updated><title type='text'>The Tenants and 1000 problems</title><content type='html'>Morar em uma casa aconchegante muda de forma significativa a qualidade de vida de qualquer ser humano triste (ou seja, estudantes sem dinheiro) em Londres.&lt;br /&gt;Ainda que, na primeira semana, você perceba que duas bocas do fogão não funcionam.&lt;br /&gt;E que, na segunda semana, o chuveiro não te ofereça mais água quente.&lt;br /&gt;Você ainda duvidará da alegria do seu lar (Home, sweet home?????) quando o &lt;em&gt;"landlord"&lt;/em&gt; desaparecer logo após a assinatura do contrato e um enorme colchão de molas tortas passar a ser parte decorativa do &lt;em&gt;living room&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Alguma incerteza há de pairar sobre a sua cabeça sobre o real mmomento de harmonia em seu novo cantinho caso a sua cama (&lt;strong&gt;da Ikea, claro&lt;/strong&gt;) despenque inesperamente numa gostosa noite de sono.&lt;br /&gt;Mas a vida está aí para testar nossa tenacidade. Diariamente. &lt;br /&gt;Ainda que a gente ache isso um pouco demais. &lt;br /&gt;Vale tudo em nome da tão almejada felicidade. E viver numa boa casa em Londres, acreditem, é sim sinônimo de felicidade.&lt;br /&gt;Vale tentar não se irritar porque o &lt;em&gt;freezer&lt;/em&gt; parou de funcionar e ninguém na casa pode comer carne, por exemplo. Nem peixe. Nem camarão. Nem tomar cerveja gelada. Esqueça pizzas, qualquer tipo de congelado. Mesmo os maravilhosos, baratos e práticos bolinhos de salmão. Não pense em &lt;em&gt;Yorkshire Pudding&lt;/em&gt;. Você não os terá, com o freezer fora de ação. Sorvetes estão fora de moda. Não sofra.&lt;br /&gt;Não vale se irritar quando os &lt;em&gt;tenants &lt;/em&gt;esquecem luzes acesas, máquina de lavar ligada, máquina de lavar louças idem, portas abertas, pilhas de pratos sujos na cozinha.&lt;br /&gt;Esqueça também (ou sublime, se quiser dar um ar psicanalítico para esse seu novo momento vivendo no tão caloroso lar) o barulho frenético dos &lt;em&gt;fire alarms &lt;/em&gt;quando você está preparando o seu delicioso jantar (sem carne, sem peixe, sem camarão).&lt;br /&gt;Problemas por que seu cartão de crédito do Brasil nunca chega no seu novo endereço (sua linda casa nova)? &lt;em&gt;Forget it. You have a new house.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Ansiedade por que o cheiro de gás na entrada da casa está forte? Não tema. A &lt;em&gt;British Gas&lt;/em&gt; vai chegar em dez minutos, dizer que você poderia ter morrido e cortar em questão de segundos a água quente. &lt;br /&gt;Ah, e o fogão (que depois de três semanas finalmente foi substituído pelo &lt;em&gt;landlord&lt;/em&gt;) não terá utilidade nenhuma pelos próximos quatro dias.&lt;br /&gt;Lembre-se: tenacidade.&lt;br /&gt;Eu achei que era pegadinha. Sério. E que a sucessão de problemas podia ser algum erro seríssimo nos randômicos mecanismos divinos. Mas não. Parece que é só o retrato do péssimo serviço londrino e algum reflexo de como as pessoas aqui lidam com "contratos sociais" (viva a Sociologia). &lt;br /&gt;Tenacidade.&lt;br /&gt;Sobretudo em Londres. &lt;br /&gt;Mas eu vivo numa simpática casa. E, mais que isso, tenho os meus &lt;em&gt;flatmates&lt;/em&gt;. Em especial, agradeço por dividir a casa com "raparigas" que vieram de terras conhecidas: Portugal.&lt;br /&gt;Tenho pessoas que me convidam para pegar maçãs aos sábados, tomar caipirinha na sexta.&lt;br /&gt;Novos e potenciais amigos que me incluem no &lt;em&gt;Sunday Roast &lt;/em&gt;de domingo.&lt;br /&gt;"Gajas" que assistem Grey's Anatomy ao meu lado _ no nosso sofá vermelho todo manchado.&lt;br /&gt;Tenho alegria de viver, ainda que tudo às vezes pareça muito trágico.&lt;br /&gt;Mas estou em Londres. E aqui, agora, é preciso ter tenacidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-4912162609608144544?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/4912162609608144544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=4912162609608144544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4912162609608144544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4912162609608144544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/10/tenants-and-1000-problems.html' title='The Tenants and 1000 problems'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6277843969869170201</id><published>2008-09-11T16:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-12T06:26:39.191-07:00</updated><title type='text'>Our little sunshine</title><content type='html'>Cheguei em London há dois meses. Coincidentemente, hoje peguei a nota final do meu curso de inglês. Alcancei o score que precisava. Na verdade, não havia uma imposição para alcançá-lo. Minha oferta para entrar na universidade é incondicional. &lt;br /&gt;Mas existe uma estranha característica em mim. &lt;br /&gt;Quando traço metas e objetivos, realmente vou até o final. Sei que posso ter êxito ou não, mas sou bastante consciente disso. Meu plano era chegar, fazer o curso de inglês, tentar melhorar minha nota e entrar para a universidade mais tranquila. It's done. &lt;br /&gt;Claro que não estou fluente, mas na última semana atendi o celular com uma desenvoltura jamais imaginada quando cheguei aqui. Claro que várias palavras e sentenças ainda flutuam no limbo do vocabulário desconhecido, um profundo buraco negro existente na mente de qualquer indivíduo que começa a interagir diariamente com uma nova língua.&lt;br /&gt;Chega também ao fim meu período na residência estudantil. Estou me mudando no final de semana para uma nova casa. Vou morar com desconhecidos. Uma nova aventura. Um inglês, uma belga, duas portuguesas (sendo uma delas half canadian, half portuguese). Ou seja, vou ter muita chance de falar inglês em casa. E quando encher o saco, apelo para as raparigas, que me matam de rir com os verbos e as expressões inusitadas. Certamente serão novas histórias do blog.&lt;br /&gt;Mas o mais interessante é como o corpo e a mente se adaptam a novas situações. Acho que vou ter saudade do meu quartinho minúsculo, do colchão de molas torto. Mas vou ter muito mais saudade de quem eu conheci. &lt;br /&gt;O sol não brilha para todo mundo aqui nesta terra cinza. Como eu previa, minha amiga do Taiwan não alcançou o score que precisava. Agora, ou ela volta para o Taiwan, ou negocia com a universidade um master especial, sendo obrigada a fazer um curso de inglês concomitantemente. Mas não sei se ela terá dinheiro para isso. Provavelmente não. &lt;br /&gt;Eu tinha certeza de que ela não passaria, e tentei várias vezes aconselhá-la a buscar um plano B. Simples assim: inscrever-se para um outro teste de inglês fora da universidade. Mas a filosofia oriental dela é imiscuída de uma estranha paciência. Só se dá um passo de cada vez. Nada de plano B. Espera-se o resultado do A e se ele não der certo, só então pensa-se no que fazer. Sem pressa, sem açodamento. Só que agora não há muito a fazer.&lt;br /&gt;Mei ficou trancada no quarto, provavelmente chorando todo o dia. Se os seus olhos já são pequenos, era impossível vê-los no início da noite. Mandei duas mensagens no celular dela. Depois, disse para a belga que Mei estava deprimida. &lt;br /&gt;Resolvemos bater no quarto da nossa amiga oriental, sem plano B. Perguntamos se podíamos fazer algo por ela, se ela queria sair para andar, tomar uma cerveja, ir ao cinema, ver um filme. Ela disse que não. Que só queria dormir e acordar cedo no dia seguinte para tratar da sua situação. Tentar achar um novo plano A, já que os Bs não existem jamais em seu cérebro.&lt;br /&gt;Vim para meu quarto incomodada, a belga idem.&lt;br /&gt;A belga me manda uma mensagem: "Precisamos fazer algo pela Mei".&lt;br /&gt;Alguns minutos depois, a belga bate no meu quarto: "Trouxe meu computador com filmes. Vamos vê-los no quarto da Mei. Ela vai escolher. E temos sorvete, não temos?". Digo que sim, temos ainda uma lata de sorvete no congelador.&lt;br /&gt;Enquanto a belga abre a tela eu encho os três potes de sorvete e os levo para o quarto da Mei. Me emociona ver a rapidez com que a belga, de 21 anos, achou um plano B para ficarmos ao lado da Mei.&lt;br /&gt;Decidimos que queremos ver um filme alegre. Sugiro &lt;strong&gt;Little Miss Sunshine&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;A belga tem os subtitles em holandês, o que não ajuda muito Mei a entender o inglês. Mas vamos em frente. Temos sorvete. &lt;br /&gt;Mei não entende várias coisas, sobretudo por que o avô é viciado em cocaína. Na verdade, não entende que cocaína é para cheirar. Vou explicando-lhe passo-a-passo.&lt;br /&gt;Depois, ela pergunta assustada por que todos empurram a Kombi juntos. Explico que as marchas 1 e 2 estão quebradas. É preciso que alguém dê a largada, empurrando a Kombi, para só depois colocar a terceira e quarta marchas e seguir adiante. &lt;br /&gt;Terminamos a sessão de cinema e Mei nos dá um abraço apertado. Me pergunta quantos filhos eu quero ter. Digo, brincando, que "um e meio". Ela quase acredita. Depois explico que talvez apenas um, porque a vida anda difícil. Ela concorda. Acha que também terá apenas um, sobretudo porque a situação em seu país não é nada fácil. A belga acha estranho. Diz que precisamos ser otimistas, que talvez nossos países sejam melhores em vinte anos e nossos filhos possam ter acesso a boas universidades gratuitas, como em toda Europa. &lt;br /&gt;Eu começo a rir. Digo para elas que o mundo vai acabar, e não melhorar.&lt;br /&gt;Mas confesso que saio do quarto vendo uma luminosidade diferente na cinzenta Londres.&lt;br /&gt;Sim, talvez eu esteja numa Kombi amarela de porta quebrada, buscando gente que possa me ajudar a empurrá-la até que ela pegue no tranco. &lt;br /&gt;Mas quando a vida não é um concurso, e só simplesmente um doce raio de sol, a gente se permite viajar thousands and thousands miles, sem se preocupar com um plano B.&lt;br /&gt;E sempre tem o sorvete pra ajudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6277843969869170201?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6277843969869170201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6277843969869170201' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6277843969869170201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6277843969869170201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/09/our-little-sunshine.html' title='Our little sunshine'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5205458436065486850</id><published>2008-09-03T08:47:00.000-07:00</published><updated>2008-09-03T09:15:28.235-07:00</updated><title type='text'>It's a tall man's world</title><content type='html'>Cansada da vida de jornalista e totalmente ciente da monotonia e chatice da mídia brasileira (e aliviada por não ter que escrever uma linha sequer sobre a estupidez das eleições municipais), fui surpreendida em Londres pela saborosa notícia de um "dwarf burglar recruited by a gang". &lt;br /&gt;Minha primeira reação: como é que nenhuma gangue no Brasil nunca pensou em contratar um anão? &lt;br /&gt;A criatividade britânica no quesito criminalidade me surpreendeu. O pequeno meliante _ ou "diminutive criminal",conforme o delicado relato da mídia britânica _ era parte fundamental de uma engrenagem especializada em assaltar casas fechadas em períodos de férias, prédios abandonados, edifícios aparentemente desabitados, mas com algum buraquinho ou uma frestinha qualquer à vista. E pumba, lá mergulhava o dwarf. &lt;br /&gt;O carinha foi preso com a cabeça entalada num buraco de uma casa. Deu azar, o probrezinho. O policial achou a cena meio estranha e prendeu o miúdo.&lt;br /&gt;Ler as matérias foi um momento de satisfação ímpar. É possível fazer jornalismo sério com senso de humor. A importância está mesmo nos detalhes. Neste caso, nos pequeninos detalhes. "It's a tall man's world", disse o ladrãozinho para tentar explicar a razão dos delitos. A sentença do juiz: "Por ser capaz de passar por buracos, é correto dizer que ele tinha certas vantagens em relação aos outros da gangue. Por isso, seus companheiros o estimularam a fazer parte deste grupo criminoso já que, como consequência do seu tamanho, ele sempre encontrava a forma mais fácil de entrar em pequenos lugares".&lt;br /&gt;No Brasil, possivelmente a grande imprensa ia dar um jeitinho de transformar a notícia mais incrível dos últimos tempos numa idiotice politicamente correta, do tipo: quantas multinacionais empregam anões em São Paulo?&lt;br /&gt;Mas, enfim, felizmente o mundo é mesmo dos altos. E por isso eles vendem jornal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5205458436065486850?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5205458436065486850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5205458436065486850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5205458436065486850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5205458436065486850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/09/its-tall-mans-world.html' title='It&apos;s a tall man&apos;s world'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-7372385370495187465</id><published>2008-08-23T16:05:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T16:51:14.465-07:00</updated><title type='text'>Unveiled</title><content type='html'>Ela mexia delicadamente os pés, sentada num sofá.&lt;br /&gt;Levantava-se, girava-os novamente, fixando o fiapo de olhar na imagem do espelho.&lt;br /&gt;A visão me paralisou.&lt;br /&gt;A sandália que ela planejava comprar era prateada, cravejada de &lt;em&gt;strass&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Salto alto. &lt;br /&gt;Tatuagem de henna nos pés.&lt;br /&gt;Unhas pintadas de negro.&lt;br /&gt;Pés delicados, pele fina.&lt;br /&gt;Entendi o sentido de fetiche, fetiche masculino por pés.&lt;br /&gt;Seus pés eram a única parte visível do corpo.&lt;br /&gt;Corpo encoberto por uma burca, a breve pista do deleite muçulmano na loja de sapatos de Whitechapel era o olhar.&lt;br /&gt;Seduzida por aquela imagem de mulher, acho toda nudez desnecessária. &lt;br /&gt;Só quero ter olhos abertos e os pés no chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-7372385370495187465?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/7372385370495187465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=7372385370495187465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7372385370495187465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7372385370495187465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/08/unveiled.html' title='Unveiled'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1224388772055640203</id><published>2008-08-18T08:03:00.000-07:00</published><updated>2008-08-18T09:24:04.523-07:00</updated><title type='text'>"Susie and the thief", or my angel from Taiwan</title><content type='html'>Sempre acreditei no famoso 'anjo da viagem', aquela pessoa que inesperadamente surge para te dar uma mãozinha quando você está prestes a ter uma síncope nervosa diante das inúmeras dificuldades que é obrigado a enfrentar num país inóspito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não estou congelada na porta do Palácio da Catharina nas redondezas de Moscou até hoje porque uma alma abençoada apareceu do além e me apontou a parada do ônibus para voltar ao meu hotel. Não sei de onde aquela mulher surgiu, do que ela era feita, e muito menos como ela entendeu que eu e minhas amigas estávamos perdidas num lugar quase deserto e sem a menor chance de abstrair nossa origem latina para ver algum sentido nas letrinhas do alfabeto cirílico. Mas sobrevivemos, graças ao nosso anjo da viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também poderia estar presa num sombrio calabouço na Estônia se o soldado da imigração não fosse um obcecado por futebol e, por sorte minha, capaz de associar o nome Brasil ao nome Ronaldo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa periferia da Cidade do México, um velhinho me parou na porta do metrô sabe lá deus porque e, em seguida, me disse para tomar cuidado e obedecer "a fila dos homens e a fila das mulheres". O aviso, basicamente, me poupou de ter sido "amaciada" por vários mexicanos, cuja voracidade para tocar as moças no metrô levou o governo local a tomar medidas mais drásticas, tipo aquelas do jardim de infância, onde você coloca meninos de um lado e meninas do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em Londres não poderia ser diferente. Ainda que já contasse com alguns anjos especiais (os amigos que moram aqui e que hoje são meu pão, minha comida, todo amor que há nessa vida), acabei me deparando com outro, de nova nacionalidade. Desta vez, meu anjo é do Taiwan. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mei foi a primeira pessoa que conheci no alojamento de estudantes, no dia em que cheguei. Ela foi totalmente simpática, apesar do inglês sofrível, e eu quase me inclinei para cumprimentá-la, seguindo as normas orientais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos fazendo o mesmo curso de inglês, mas não na mesma turma, pois fiquei alguns níveis acima do dela, o que, por sorte minha, é um ótimo sinal. Vamos todos os dias juntas para a escola. E, aos poucos, meu anjo se revela. E revela seu inglês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia ela me perguntou se eu iria ao piquenique no Hyde Park. Disse que sim. Falávamos sobre qual comida levaríamos e de repente ela pronuncia 'Susiiiii'. Eu entendo que provavelmente Susi devia ser alguma amiga que ela gostaria de convidar para o piquenique. Pergunto a ela se a Susie também vai ao Hyde Park. Ela diz que sim, mas precisava primeiro 'enrolar a Susie'. Eu fico com medo de perguntar o que isso significa. Alguns minutos depois, pergunto se Susiiiiiiii é mesmo uma pessoa. Ela grita, corre para o armário, pega uma alga, enrola com as mãos. Ufa!!! Depois de meia hora entendo que ela queria levar 'sushie' para o parque (gosto não se discute). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia me contou que uma amiga dela da China tinha quatro empregos aqui em Londres e tinha que ralar muito porque o marido, em Taiwan, era 'shif' e ganhava muito pouco. "Thief?", perguntei assustada, já imaginando a pobrezinha da chinesa guardando dinheiro pra visitar o marido preso em Taiwan. "Yes", ela responde. Pergunto de novo o que ele roubou no Taiwan. Ela me olha assustada. Eu digo: Mei, você acabou de dizer que o cara é ladrão. Ela se corrige, desesperada. &lt;em&gt;"No thief, no thief... Shif"&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;"What shif means, Mei"&lt;/em&gt;, eu pergunto de novo. What is his job in Taiwan? &lt;em&gt;"He cooks&lt;/em&gt;", ela responde. &lt;em&gt;"Chef, Mei, he is a Chef!!!! He is not a shif." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nossos desencontros linguísticos, sem a Mei eu não teria tido paciência para esperar por duas semanas até que a conexão de internet funcionasse em meu quarto. Caso não tivesse ouvido atentamente os conselhos alados do oriente, teria surrado a árabe que é responsável pelo 'helpdesk' no setor de informática da universidade (e ainda bem que não seguem aqui a Lei de Talião).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu anjo do Taiwan me ensina a conseguir os melhores descontos para estudantes, me mostra todas as novidades tecnológicas que me permitem ter televisão, rádio e telefone no notebook, bate no meu quarto quando percebe que eu perdi a hora e vou chegar tarde na escola. Onde eu arrumaria grampeador, secador de cabelo e furador se não fosse a Mei? E imagine se eu, &lt;em&gt;by myself&lt;/em&gt;, iria me preocupar em fazer todos os cartões de supermercados para acumular pontos e ganhar alguma coisa no futuro (ainda que meu ceticismo ocidental não me permita acreditar na eficácia disso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me impressiona é a humildade do meu anjo, o que tem me feito entender a lógica oriental e me obrigado a refletir sobre o rasteiro sentido da vida segundo a lógica do Ocidente. Mei me contou que é budista. A vida, para ela, só tem sentido se for para ajudar quem precisa. Isso explica porque ela aparece na aula com uma pomada chinesa especial para bolhas porque está preocupada com o pé em frangalhos da nossa colega belga que insiste em usar sandálias e não tênis. 'Sempre tente sentir o que o outro sente' é o slogan que resume a filosofia de vida desse anjo taiwanense. Também teria me achado incapaz de manter um relacionamento à distância duas semanas depois de ter chegado aqui, caso não tivesse dado ouvidos à sabedoria do oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei a ela um novo apelido: &lt;strong&gt;'Magaveir'&lt;/strong&gt; (ela sempre vai ter uma solução para tudo, ou pelo menos para todos os meus problemas e dilemas tolos). Ela sorriu, mas achou exagerado demais, diante das 'tão pequenas coisas' que faz por mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Típico dos anjos. São o que são. Não querem nada em troca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1224388772055640203?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1224388772055640203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1224388772055640203' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1224388772055640203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1224388772055640203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/08/susie-and-thief-or-my-angel-from-taiwan.html' title='&quot;Susie and the thief&quot;, or my angel from Taiwan'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6579085166372868743</id><published>2008-08-16T11:59:00.000-07:00</published><updated>2008-08-16T12:15:42.749-07:00</updated><title type='text'>Do you eat flowers?????</title><content type='html'>Além dos caixas do Tesco, eu também nunca vou entender as conversas das crianças londrinhas. Especialmente se forem semi-alfabetizadas. É demais pra mim.&lt;br /&gt;Hoje, porém, conheci Alex, um fofo baby londrino de dois anos. &lt;br /&gt;E posso dizer que nossa comunicação foi bastante eficaz.&lt;br /&gt;Alex me deu a bochecha para um beijo, depois de um pedido meu.&lt;br /&gt;Deixou ainda que eu colocasse "cream com blueberries" em sua boca. Limpamos a boca, em seguida (posso dizer que o estado não estava lá essas coisas). &lt;br /&gt;Ainda pude ser rude com Alex, que não só comeu cream, chocolate cake, pudding, pasta, salad, everything else, and also... flowers. &lt;br /&gt;Ele achou várias flores vermelhas no jardim da vovó e nem pensou duas vezes: sacou tudo goela abaixo. E eu, meio que sem saber o que fazer diante da imobilidade da mãe inglesa do baby, perguntei a ele: Do you eat flowers???? E ele pensou, pensou, pensou. "No", me disse meio com medo de ser a resposta errada. "So", eu completei. E isso foi o suficiente para Alex entender que não é uma jardineira.&lt;br /&gt;Na despedida, vários "bye, bye, bye", alguns gestos e um sorriso arregalado.&lt;br /&gt;Minha primeira "typical afternoon with a british family" foi fantástica. Ainda que eu não entendesse muito bem o que eles diziam, a comida estava fantástica e Alex me salvou de qualquer constrangimento ou isolamento.&lt;br /&gt;Ele encheu esse vazio que eu sinto aqui dentro de vez em quando, me fez esquecer as minhas dificuldades de comunicação, trouxe à cena as minhas memórias dos meus sobrinhos ainda bebês, me fez lembrar da minha vontade de ser mãe...&lt;br /&gt;Voltei feliz de trem para casa.&lt;br /&gt;E morrendo de vontade de experimentar o gosto das flores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6579085166372868743?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6579085166372868743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6579085166372868743' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6579085166372868743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6579085166372868743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/08/do-you-eat-flowers.html' title='Do you eat flowers?????'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5471028667359787280</id><published>2008-08-11T07:01:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T07:12:29.658-07:00</updated><title type='text'>From blue to red</title><content type='html'>Penso em:&lt;br /&gt;- casca de ovo esfarelada;&lt;br /&gt;- pele rasgada;&lt;br /&gt;- batata esmagada;&lt;br /&gt;- farinha espalhada;&lt;br /&gt;- vidro trincado;&lt;br /&gt;- papel picado;&lt;br /&gt;- lixo triturado;&lt;br /&gt;- ar sugado;&lt;br /&gt;Não sei mais definir saudade.&lt;br /&gt;Estou um tanto oca hoje, agora.&lt;br /&gt;Sou todos acima e mais um: alma desfacelada. &lt;br /&gt;Tem dia que viro coração flutuante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5471028667359787280?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5471028667359787280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5471028667359787280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5471028667359787280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5471028667359787280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/08/from-blue-to-red.html' title='From blue to red'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-3509816467555733110</id><published>2008-08-03T07:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-03T07:54:19.745-07:00</updated><title type='text'>Don't cross the line</title><content type='html'>Além de aprender mandarim (já que 99% dos meus coleguinhas são chineses) em Londres e de não conseguir melhorar meu inglês, tenho certeza absoluta de que essa experiência aqui vai me obrigar a considerar o relógio no futuro.&lt;br /&gt;Se o seu "tutor" diz que quer te ver às 9h15, isso significa que ele &lt;strong&gt;REALMENTE&lt;/strong&gt; estará na salinha te esperando pelo menos desde às 9h14. Ou seja, aquele negócio de atrasar só cinco minutinhos não cola. &lt;br /&gt;Mas isso ainda é novo e o meu estranho estado de espírito de eterna preguiça desde que eu cheguei aqui me permitia atrasar pelo menos dois minutinhos. Só que nesta semana a coisa ficou feia e eu realmente tive que correr. &lt;br /&gt;É importante lembrar que a Lei de Murphy funciona com toda intensidade quando você está morando fora, desesperada, triste, inquieta, cheia de dúvidas. Claro que no dia da minha &lt;em&gt;Tutor Class&lt;/em&gt; a polícia de Londres resolveu fechar TODAS as ruas nas redondezas da Euston Station. &lt;br /&gt;"Tá de sacanagem", eu falei baixinho em português para um chinês do meu lado, assustadíssimo com a abordagem na minha língua nativa. Corrigindo-me logo em seguida, perguntei ao sujeito se ele sabia o que estava acontecendo. Nada. &lt;br /&gt;Todos os policiais estavam lá do outro lado da rua, a pelo menos dois quilômetros. Olhei para um velhinho inglês do meu lado, que também não entendia o que estava acontecendo. Como se fóssemos cúmplices, resolvemos os dois atravessar a linha. Puxa, a estação estava tão pertinho, estávamos atrasados, sabe como é...&lt;br /&gt;Pois bastou dar dois passos e uns três policiais britânicos apareceram num passe de mágica. Um deles olhou fixamente para mim e, correndo, na minha direção e na do velhinho, gritou: GO BACK........&lt;br /&gt;Eu gelei. Virei as costas correndo e fiquei imaginando o pior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) ele vai atirar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) ele vai me multar (quase tão ruim quanto a primeira alternativa);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) ele vai pedir meu passaporte e eu não tenho nenhum documento aqui;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) ele vai gritar puto comigo e eu não vou entender nenhuma palavra do que ele vai dizer (só um pouco melhor que a letra a).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... Enquanto pensava em tão nefastas possibilidades eu também andava apressada para que não houvesse tempo de o guardinha chegar perto de mim. &lt;br /&gt;E eu sabia que o vovô inglês estava do meu lado. Éramos cúmplices. Olhei para o vovô, mentalizei em português e tenho certeza que ele entendeu: "Fofo, faz um favor pra mim... Fica aí conversando com o guardinha, distraindo-o, enquanto eu volto correndo, atravesso de novo a linha e sumo daqui em dois segundos. Afinal, você é um senhor inglês, ele vai achar que você só atravessou a linha porque está gagá e não vai acontecer nadica de nada com você. Já comigo...". &lt;br /&gt;Pronto. O vovô entendeu. Acho até que ele me fez um sinal. &lt;em&gt;Run, Lola, run. The situation is under control.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu andava apressada _ com os cabelos já não tão vermelhos assim _ eu escutava o velhinho se desculpando com o guarda, pedindo informações sobre o que estava acontecendo e perguntando qual caminho ele teria que fazer para chegar à estação. Eu só escutei a resposta do guarda sobre o melhor caminho alternativo a percorrer.&lt;br /&gt;Tive que dar uma volta desgraçada e, resultado, cheguei CINCO minutos atrasada na &lt;em&gt;Tutor Class&lt;/em&gt;, botando os bofes pra fora e tremendo que nem vara verde. Expliquei ao professor a razão do atraso, me desculpei mil vezes. &lt;br /&gt;E ele logo disse que tudo bem, às vezes os londrinos são surpreendidos por esses bloqueios repentinos nas ruas. E acrescentou: mas quando isso acontece geralmente é tentativa de bomba, um crime grave ou alguma obra, num caso mais simples. &lt;br /&gt;Eu realmente evito pensar que a razão do bloqueio possa ter sido alguma das duas primeiras citadas pelo meu tutor e prefiro acreditar que se tratava de uma obra qualquer. &lt;br /&gt;Quando cheguei em casa _ nesse quarto que agora sou obrigada a chamar de casa _, finalmente entendi que aqui não se pode dar sorte ao azar.&lt;br /&gt;Ou seja: na dúvida,&lt;strong&gt; DON'T CROSS THE LINE.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-3509816467555733110?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/3509816467555733110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=3509816467555733110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3509816467555733110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3509816467555733110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/08/dont-cross-line.html' title='Don&apos;t cross the line'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1526000373729842184</id><published>2008-07-25T17:07:00.000-07:00</published><updated>2008-07-25T18:28:37.750-07:00</updated><title type='text'>When you get the chance...</title><content type='html'>É preciso admitir certas coisas em público.&lt;br /&gt;Nunca escondi minha queda pelo ABBA, embora &lt;em&gt;close friends &lt;/em&gt;tenham tentado me alertar sobre a importância de manter a discrição quando o assunto é bastante controverso e, sobretudo, constrangedor.&lt;br /&gt;O aviso fora ignorado diversas vezes _ com especial intensidade no meu aniversário de 30 anos, finalizado, of course, com &lt;em&gt;Dancing Queen.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dançar &lt;em&gt;Dancing Queen &lt;/em&gt;sem a menor vergonha na cara faz um bem sem precedentes. Posso garantir que supera qualquer efeito de meditação, yoga, comida orgânica, Redoxon com Zinco, semente na orelha, própolis e oração para Santo Expedito. Ganha de dez a zero até de São Judas Tadeu, o das causas perdidas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Friday night and the lights are low&lt;br /&gt;Looking out for the place to go."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando a solidão bate forte em Londres não adianta acreditar em placebo. Tem que ir direto ao ponto. Injeção na veia.&lt;br /&gt;Cheguei ao Odeon de Camden com baixas expectativas. Ok, eu gosto do ABBA, mas daí a dizer que eu aprecio musicais é um salto enorme. Um abismo, digamos assim. &lt;br /&gt;Mas, voltando ao ponto, &lt;em&gt;"friday night and"&lt;/em&gt;... Mamma Mia está em cartaz. &lt;br /&gt;Não sei se eu acharia tanta graça no filme no Brasil. Nem mesmo se estaria entre as minhas escolhas numa sexta à noite ou na tarde de sábado em que é preciso ter culhão para enfrentar a fila na Augusta. &lt;br /&gt;Porém _ reforçando meu discurso sobre a eficácia medicinal do ABBA _, resumo dizendo que saí do cinema descendo a escada embalada, pensando na vida em inglês, ignorando a realidade de que eu voltaria para um quartinho minúsculo numa residência de estudantes, desprezando o fato de que meu coração está partido por estar longe do homem que eu amo, e, para finalizar, sem dar a menor importância por estar há horas sem falar com ninguém. &lt;br /&gt;Eu sempre quis ter a chance de estar aqui. Não aos 34, mas tudo bem. A pista muda, mas as músicas que importam são as mesmas. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"And when you get the chance...&lt;br /&gt;You are the Dancing Queen, young and sweet, only seventeen&lt;br /&gt;Dancing Queen, feel the beat from the tambourine&lt;br /&gt;You can dance, you can jive,&lt;strong&gt; having the time of your life&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;See that girl, watch that scene, dig in the Dancing Queen."&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1526000373729842184?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1526000373729842184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1526000373729842184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1526000373729842184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1526000373729842184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/07/when-you-get-chance.html' title='When you get the chance...'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1663170555240715824</id><published>2008-07-23T16:42:00.000-07:00</published><updated>2008-07-24T10:25:20.239-07:00</updated><title type='text'>Studying in London</title><content type='html'>Do you have eggs?&lt;br /&gt;Considerando o estágio absolutamente disforme em que se encontrava (e se encontra) a minha mente, a pergunta até que soaria normal. Mesmo vindo de uma holandesa de cabelo desgrenhado e absolutamente pálida, com um pijama preto de moleton cujo tamanho devia superar em mais de três vezes o peso dela.&lt;br /&gt;O problema é que brasileiro acha que tudo é pegadinha. Ainda sem foco, meu cérebro reagiu. "Isso lá é pergunta que se faça? Eu, heim..."&lt;br /&gt;Fiquei ainda um minuto em silêncio tentando elaborar a melhor resposta em inglês. "No, sorry." Enquanto o canal 1 processava a mais correta e rápida resposta, o canal 2 pensava assim: "Ô fiota, tá pensando o que? Tá me estranhando? Onde é que tu tá vendo ovo aqui, ô gringa descabelada?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver em dois canais é quase desumano. Te leva a reagir com sarcasmo diante de uma pergunta pueril. A garota precisava de ovo (cada um com suas crenças) para curar uma ressaca qualquer. Mas o canal 2 é cruel, é a memória remota, nativa, elaborada.&lt;br /&gt;O canal 1 é medroso, lento, acanhado. O seu novo canal. Do tipo incapaz de fazer qualquer comentário depois de ler na TimeOut que Vinícius Cantuária vai se apresentar em Londres. "Hahahahahahahahahahahahahahahaha. Vinícius Cantuária? O cara ainda existe? E a gringalhada acha que o sujeito faz sucesso no Brasil? E não é que ele se deu bem aqui fora? Como era mesmo aquela música horrível que ele cantava? Viva Nova York! Trouxe o Vinícius até Londres." Resposta típica do canal 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O canal 1 tenta com delicadeza entender o inglês do chinês de Pequim cuja espessura dos óculos consegue ser menor que a de seus olhinhos. "Que porra de língua é essa que tu tá falando, meu irmão?", fica zumbindo o canal 2, concomitantemente. &lt;br /&gt;Student Residence, single room, chinese roommates, tutors, lectures, Self Study Centre. O canal 1 não se irrita com a retomada de uma vida simples, difícil, regrada. Deixa fluir. Mas o 2... "Tem que ter algum sentido essa merda toda que eu estou fazendo. Que porra eu vim fazer aqui pra ter essa vidinha de merda de estudante, largar tudo, deixar meu amor me esperando, ficar pobre e ainda não entender nada que esse povo fala na rua?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que nem o 1 nem o 2 estão pegando direito por aqui. Muitas interferências. Queria saber quem é o dono do controle remoto e pedir para ele definitivamente escolher só um botão. Dizem que uma hora, naturalmente, a TV acha sozinha o canal certo. E um tem que apagar, para o outro definitivamente funcionar direito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei. Nenhuma imagem ainda é nítida. Nem vejo ainda muito sentido na programação. Às vezes parece estar se formando um foco. &lt;br /&gt;Mas basta uma pergunta difícil e a imagem se apaga de novo. Uma tristeza, e só se escutam ruídos. Um rastro de solidão, e a tela fica totalmente escura.&lt;br /&gt;A onda passa e ressurgem algumas imagens: a descoberta de uma palavra nova, meu olhar mais profundo sobre mim mesma, a difícil arte de amar à distância, a oportunidade de elaborar opiniões consistentes sobre as coisas à sua volta, o entendimento real da dimensão da cultura. Me parecem razões suficientes para fazer funcionar o canal 1.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;So, turn it on.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1663170555240715824?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1663170555240715824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1663170555240715824' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1663170555240715824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1663170555240715824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/07/studying-in-london.html' title='Studying in London'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2949026900497668609</id><published>2008-06-16T13:51:00.000-07:00</published><updated>2008-06-16T14:13:32.739-07:00</updated><title type='text'>Ao Largo</title><content type='html'>Não sei se o nome surgiu pelo comércio de batatas. Mas as vejo, em larga escala, entulhadas em carrinhos de supermercado e à venda em várias banquinhas. &lt;br /&gt;Vejo aqui no Largo da Batata um conto de fadas só de gatas borralheiras, sem direito a cinderelas. Mas com muitos castelos. &lt;br /&gt;O Luzes de Miami brilha resplandecente após as 23h, com flashes azuis e vermelhos em neon que deixam qualquer pedestre desavisado hipnotizado.&lt;br /&gt;O Paulinho, Paulinho, Paulinho não deixa dúvidas sobre a importância da hereditariedade. Tradição, contos que passam de pai para filho.&lt;br /&gt;Para os que têm sede, o Goela Seca. De tudo pode oferecer.&lt;br /&gt;A famosa casa de pesca fica ao lado da sapataria e da loja de biscoitos. Muitas gatas, as borralheiras, saboreiam os de polvilho nos pontos de ônibus.&lt;br /&gt;Príncipes não encantados buscam milho verde ralado no carrinho que improvisa o trailer de sanduíche.&lt;br /&gt;Adolescentes cansados usam o fliper; pais cansados pensam em entrar no sex shop escondido aos fundos da lojinha de lingerie. &lt;br /&gt;A trilha sonora é estridente. &lt;br /&gt;Descobre-se no Largo quem é a dupla Hudson e Edson.&lt;br /&gt;Descobre-se sobre histórias sem varinha de condão. &lt;br /&gt;Descobre-se sobre a impossibilidade de reverter alguns feitiços.&lt;br /&gt;Descobre-se algo sobre quem vive nesses castelos, sempre ao largo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2949026900497668609?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2949026900497668609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2949026900497668609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2949026900497668609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2949026900497668609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/06/ao-largo.html' title='Ao Largo'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-439765181856895956</id><published>2008-06-12T07:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-12T08:05:29.100-07:00</updated><title type='text'>Tomates verdes rústicos</title><content type='html'>Os cardápios sempre me surpreendem e me transportam para um estágio de profundo questionamento sobre o verdadeiro sentido das palavras. "Sopa de tomate rústico", dizia um deles, aqui em Sampa. Uma amiga minha já fora censurada em Brasília por pedir pizza de tomate seco. A pizzaria lhe informou, em tom não polido, que só trabalhava com tomates frescos. Mas há ainda tomates rústicos? Até pensei que rústica pudesse ser a sopa. De qualquer forma, assustei-me. Rústico era mesmo o tomate.&lt;br /&gt;Deixando um pouco os tomates de lado, lembrei-me, ao ver o cardápio paulista, de uma brincadeira aplicada por outro amigo, maníaco por listas. Perguntou-me quais seriam os dez atores e atrizes do mundo mais rudes. Citei alguns e ele me repreendeu, dizendo que alguns selecionados por mim eram talvez rústicos, mas não rudes.  &lt;br /&gt;A confusão tomou conta da minha mente, pois sempre imaginei que rudes e rústicos pudessem andar lado a lado. E realmente podem, dizem os santos dicionários, confirmando que se tratam de sinônimos. Graças a deus ele concordou que Jack Nicholson era rude. Ponto pra mim. Mas Lázaro Ramos era rústico, dizia ele. &lt;br /&gt;Porém, é na sutileza que mora o perigo. Por que o tomate é rústico, e não rude? Sim, há alguma diferença forte, penso eu.&lt;br /&gt;Os rudes são "não cultivados". Ou seja, um tomate jamais será rude. Os rudes são pouco delicados, pouco airosos. Estúpidos, por assim dizer. Selvagens, melhor dizendo. Violentos, impulsivos. &lt;br /&gt;Os rústicos também são grosseiros, ignorantes, até rudes, admite-se. Mas são assim porque possuem uma boçalidade pueril, uma inocência adquirida no campo. Não, os tomates não são malcriados, nem incultos, sem arte. Aliás, vejo muita arte em ser um tomate. Tampouco são incivilizados. No entanto, tomates são vegetais que resistem bem às intempéries climáticas. Eureca!!!!! Há esse significado para rústico no santificado pai dos burros (aqueles incultos para as artes). &lt;br /&gt;Bingo. Tomates são rústicos, sem sombra de dúvida.&lt;br /&gt;Passei meses da minha vida tentando explicar para outros amigos as diferenças entre rudes e rústicos. Claro que jamais consegui. &lt;br /&gt;Talvez o tomate seja um importante ponto de partida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-439765181856895956?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/439765181856895956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=439765181856895956' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/439765181856895956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/439765181856895956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/06/tomates-verdes-rsticos.html' title='Tomates verdes rústicos'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5266007096457859458</id><published>2008-06-11T06:51:00.001-07:00</published><updated>2008-06-11T07:12:33.024-07:00</updated><title type='text'>Nostalgia antecipada de Brasil</title><content type='html'>Nunca havia pensado sobre como me identifico com ele.&lt;br /&gt;Mas onde é que eu vou sentar-me à mesa e ouvir casos mirabolantes de parteiras enquanto como pão de queijo e tomo um cafezinho? Onde, senão em Minas Gerais, vou reunir-me com os mais antigos amigos enquanto saboreio a cervejinha (porque o que é bom na minha terra leva um suave diminutivo) e o torresmim?&lt;br /&gt;Há outro lugar, além do Rio, onde você se joga na informalidade, abusa dos chinelos, se enfia no sol, liberta o espírito, pára num trailler vagabundo e se sente uma verdadeira rainha no topo de um morro olhando para o Corcovado enquanto o seu chope não vem?&lt;br /&gt;E existe coisa mais inesperada que acordar com um dia bonito e vê-lo terminar gemendo de frio enrolada no seu edredon, regado a vinho, pães e sopa, enquanto a garoa cai em São Paulo? &lt;br /&gt;E onde os pastéis serão mais gostosos, as feirinhas serão tão abundantes, o trânsito tão irritante? Onde o meu taxista vai ser um baiano arretado que passa todo o trajeto da marginal me contando a triste história do colega sortudo que juntou "pra mais de 22 dois milhão" e perdeu tudo na mesma cruel jogatina do bicho?&lt;br /&gt;Onde encontrarei nordestinos tão risonhos, gaúchos tão ensimesmados? E em que outro país do mundo eu seria bisneta de uma índia casada com um francês?&lt;br /&gt;É, eu sabia que gostava dele, ainda que tivesse com ele uma relação de mãe enérgica que tem total consciência de todas as limitações do filho. Ou de amiga sincera, que não deixa de contar as verdades que ele merece ouvir sobre seus toscos comportamentos.&lt;br /&gt;Mas agora que eu vou ficar um pouquinho longe sei que ele vai fazer falta. E arrisco-me a dizer que, na volta, provavelmente terei certeza de onde quero morar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5266007096457859458?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5266007096457859458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5266007096457859458' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5266007096457859458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5266007096457859458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/06/nostalgia-de-brasil.html' title='Nostalgia antecipada de Brasil'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-7960507487959717184</id><published>2008-05-14T17:55:00.000-07:00</published><updated>2008-05-26T07:26:07.352-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ã'/><title type='text'>Medos</title><content type='html'>Palhaços. Vamos direto ao ponto. Nada me apavora mais que palhaços. Poderia discorrer sobre o pânico implícito e dissimulado com mudanças de casa, país e estado civil (considerem os formais e informais). Mas tudo é fichinha perto dos palhaços.&lt;br /&gt;Nada a ver com o palhacinho de cartolina maravilhoso que minha irmã fez no meu aniversário de cinco ou seis anos. Também nenhuma relação com a capa do LP do Carequinha, que deus o tenha, porque o Carequinha é uma entidade. Quase um santo.&lt;br /&gt;Estou falando de gente-palhaço. Palhaço de rua. Os que aparecem sem avisar e pregam o focinho vermelho de plástico no vidro do teu carro no sinal (ou farol, como queiram). E acham que estão fazendo um bem à população estressada das metrópoles.&lt;br /&gt;Aqueles tipos palhaços que ficam freneticamente esfregando os olhos com as mãos achando que estão fazendo "carinha simpática de criancinha com fome".&lt;br /&gt;Os que se pintam sem classe, com uma intenção clandestina de imitar o borrado que fica depois das falsas lágrimas. E ainda acham que a graça pinta como se fosse batom.&lt;br /&gt;Palhaços dissimulados, pedintes de alegria. Palhaços sinistros, tristes no meio da rua. Palhaços que fazem a palhaçada de te dar um puta susto porque, desavisado, você deixou aquela maldita fresta do vidro aberta. Bem feito. Quem mandou ser tão desavisado...&lt;br /&gt;Podem me chamar do que for, acionar o Código de Defesa do Consumidor ou a Sociedade Protetora dos Palhaços. Nada mudará minha impressão. Palhaços não me animam, não deixam meu dia mais leve, não me fazem dar risadas, não me despertam nenhuma atenção positiva. Me irritam, me assustam, me dão MEDO.&lt;br /&gt;E andando pela cidade mais atenta a movimentos vespertinos, como o de adolescentes em casas de fliper (deve ter algum nome mais moderno para isso depois que inventaram as Lan Houses, mas eu sinceramente não sei), descobri qual é o segundo lugar do pavor: as maquininhas de dança nas quais você tem que bater os seus pés com força num tablado para imitar os movimentos e os sons que algum pateta (ou palhaço) te manda fazer. Resultado da cena pavorosa: um ser humano olha fixamente para a tela do joguinho do fliper, é incapaz de perceber que pode estar sendo observado por um número significativo de pessoas, e fica pulando sem nenhum sentido, ao som de nenhuma música plausível. Medo, muito medo. &lt;br /&gt;Para finalizar, a terceira posição: buffets especializados em festas infantis com seus espaços próprios para a grande comemoração em questão, incluindo os MONITORES (pessoas quase alopradas que vão ficar cantando e pulando na frente dos teus filhos e dos filhos dos teus amigos sem que eles consigam achar a menor graça) e os arcos de balões laranja e preto (quase sempre eles colocam os pretos, para dar muito pânico). Vamos combinar, pais: isso é tremendamente assustador.&lt;br /&gt;Agora, a visão do fim do mundo: a entrada do céu é um arco de balões pretos e azuis, Jesus é um monitor, acompanhado de 12 palhaços, e cada um dos palhaços-monitores ensina o visitante a dançar na heaven-machine, a versão espiritual das maquininhas do fliper. &lt;br /&gt;Nada melhor que encarar os meus medos terrenos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-7960507487959717184?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/7960507487959717184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=7960507487959717184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7960507487959717184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7960507487959717184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/05/medos.html' title='Medos'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1766764509115780974</id><published>2008-05-06T09:44:00.000-07:00</published><updated>2008-05-06T09:45:56.416-07:00</updated><title type='text'>Palavras cósmicas num mundo holístico</title><content type='html'>O bom das palavras é que cabem em becos sem pedir licença. As entulhamos em frases soltas e, mesmo desconexas, elas ganham um sentido próprio. Por exemplo: cósmico passou a ser algo universal (nada mais óbvio por se tratar de algo pertencente ao cosmos). Mas cabe em tudo. “Sinto por ele um amor cósmico.” Pronto. Ninguém vai perguntar se é um amor relativo e se está diante de qual perspectiva perante o universo. Amor cósmico é a coisa mais clara do mundo, é um amor do caralho. Melhor assim: “Nossa relação é cósmica”. E você por um acaso vai ter coragem de questionar o sentimento desta pessoa pela outra? Jamais. Nunca. Por que? Porque é cósmico, ora bolas! E ficamos assim, não se discute.&lt;br /&gt;“Queria entender você de forma holística.” Se disse isso para um amigo ou para o namorado, ponto para você. Você é “in”. Se colocou holismo na frase, tá bem na fita. Porque tudo no cosmos é holístico (mas os sentimentos são mais cósmicos que holísticos), já que as realidades são totalidades integradas (nossa, me senti muito Gilberto Gil agora).&lt;br /&gt;Cada segmento de uma realidade cósmica usa um termo específico _ se não for observada sob o ponto de vista holístico. Um amigo meu fez observação excelente. Na música, passa a ser importante aquilo que é “orgânico”. Se o cara lançou um CD e esse CD tem uma música “orgânica”, não perca tempo. Compre já. É orgânico. Se é cósmico? Meu deus, você tem alguma dúvida se o que é orgânico é cósmico? Pois se o CD tem moléculas de carbono na sua composição, é óbvio que ele é cósmico. Ele é holístico, mostra a organização mental de seres organizados.&lt;br /&gt;Então, num dia triste, frio, faça assim: escute um CD orgânico, ligue para o seu amor e diga que ele é cósmico e encare a vida com um olhar holístico. Se não der certo e a tristeza não passar, inverta a ordem: diga para o seu namorado que ele é orgânico, que a relação de vocês é holística porque tudo é cósmico. Se ainda assim que não funcionar, tente outra vez. Procure uma música holística, um coração orgânico e tenha a consciência de que a vida é cósmica. Se nada disso fizer efeito, meu filho, desista. E faça como minha “auxiliar do lar”. Crie, apele para a reengenharia. “Igualmentemente a você, eu só quero ser feliz”.  E para isso, qualquer palavra serve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1766764509115780974?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1766764509115780974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1766764509115780974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1766764509115780974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1766764509115780974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/05/palavras-csmicas-num-mundo-holstico.html' title='Palavras cósmicas num mundo holístico'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1227273102328564590</id><published>2008-04-29T21:26:00.000-07:00</published><updated>2008-04-29T21:38:57.075-07:00</updated><title type='text'>Repouso</title><content type='html'>Por favor não me liguem pela manhã. &lt;br /&gt;Não deixem recado na secretária.&lt;br /&gt;Não mandem muitos e-mails.&lt;br /&gt;Não me solicitem tanto.&lt;br /&gt;Tenho poucas horas para o café da manhã com ele.&lt;br /&gt;Minutos para diferenciar raiva, melancolia, angústia e frustração.&lt;br /&gt;Segundos para entender as diferenças de olhar.&lt;br /&gt;Temos poucas semanas para nos amarmos intensamente.&lt;br /&gt;Poucas horas para as danças novas.&lt;br /&gt;Quartos _de horas_ para inventarmos nomes.&lt;br /&gt;Milésimos para catalogar hábitos e rotinas.&lt;br /&gt;Se você me ama entenda que preciso da solidão antes de partir.&lt;br /&gt;De isolar-me com ele.&lt;br /&gt;Preciso estar com ele.&lt;br /&gt;Por favor, não me abandonem.&lt;br /&gt;Mas me deixem repousar com ele.&lt;br /&gt;Porque vamos gastar todas as horas de amor.&lt;br /&gt;Até que eu acorde. E volte para ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1227273102328564590?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1227273102328564590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1227273102328564590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1227273102328564590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1227273102328564590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/04/repouso.html' title='Repouso'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2583968235137949413</id><published>2008-04-15T11:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-15T12:26:52.560-07:00</updated><title type='text'>Festa de 80 anos</title><content type='html'>As horas passaram assim como passam quando a brincadeira é tremendamente boa.&lt;br /&gt;O bolo acabou rápido, assim como os anos que as velas representam.&lt;br /&gt;Ele circulava entre as mesas com um rosto e uma idade que eu talvez não compreenda.&lt;br /&gt;Com as máquinas fotográficas penduradas no pescoço, só entendo a razão dos registros.&lt;br /&gt;Olho para os mais velhos. Bem velhos. Os pequenos. Bem pequenos.&lt;br /&gt;São todos muitos. &lt;br /&gt;E ele os cerca, em todas as direções.&lt;br /&gt;Ele os abraça. Os aperta. Os protege.&lt;br /&gt;Seu império de emoção liberta e asfixia.&lt;br /&gt;Mas estamos todos lá. &lt;br /&gt;Por desejo. Amor. Consideração.&lt;br /&gt;Gratidão, talvez. Seguimos com ele.&lt;br /&gt;Mas é só à noite que eu flagro a cena de amor.&lt;br /&gt;Ele, cansado, a agradece. Pela festa, pelas cinco décadas juntos, pelos seis filhos, pelos inúmeros bolos, as horas de brincadeira, a ausência de liberdade, o excesso de proteção. Os álbuns. As certidões. Os títulos das bodas. O ar. A falta dele.&lt;br /&gt;Ela só diz que ele merece mais.&lt;br /&gt;Parece que se beijam, não sei.&lt;br /&gt;E eu, no quarto ao lado, clandestina, choro ao entender que no silêncio também há amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2583968235137949413?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2583968235137949413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2583968235137949413' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2583968235137949413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2583968235137949413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/04/festa-de-80-anos.html' title='Festa de 80 anos'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5233372293773167402</id><published>2008-03-25T18:30:00.000-07:00</published><updated>2008-03-27T13:12:48.682-07:00</updated><title type='text'>A visão do inferno, segundo a psicanálise</title><content type='html'>A relação causal  &lt;strong&gt;"feriado/sentimento de culpa por excessos"&lt;/strong&gt;  deve ter sido algum tópico da psicanálise (Por que Freud não tratou disso em ´O princípio do prazer`?), mas enquanto o meu vasto inconsciente não fornece respostas lógicas eu simplesmente resolvo ser previsível.&lt;br /&gt;Ou seja, fui à academia segunda-feira, após cinco dias de pura (muito pura mesmo) diversão.&lt;br /&gt;Esclareço que as academias nunca foram lugares que me inspiraram confiança. Mas _olha o inconsciente aí, sempre a me trair_ descobri também na folga do feriadão que freqüentei várias delas ao longo dos anos. Tudo porque fui arrumar gavetas e achei várias carteirinhas velhas, feitas no momento URRUUUUUUUU, quando você por um lapso acha que realmente vai gostar daquilo.&lt;br /&gt;Parêntesis sobre meu longo período de freqüência: nunca consegui virar uma gostosa, ainda que inconscientemente talvez buscasse isso ao longo dos anos.&lt;br /&gt;A minha mais recente academia é hype. É vibe. É in. Uma grande rede paulistana.&lt;br /&gt;Só estamos nos freqüentando (eu e a academia que é de flipar, segundo os modernos) porque eu ganhei três meses grátis. Mal de grana, com essa sombra psicanalítica e alguns anos a mais a me perseguirem, não consegui simplesmente abandonar a ginástica.&lt;br /&gt;O primeiro contato na academia hypada me flipou. Você é obrigado a conseguir resultados. &lt;br /&gt;Quando eu simplesmente relatei ao professor de musculação que meu único objetivo era o bem-estar e a "manutenção" daquilo que meu corpo já possui, ele me olhou com uma cara de "ela não tem espelho em casa" e passou meia hora me explicando que minha falta de ambição e perseverança me levariam a não ter a ficha amarela (veja bem, a amarela) e que eu teria que adquirir uma simples fichinha cor salmão (que deve ter algum apelido nada hype entre os entendidos do recinto, mas não fiquei curiosa em saber).&lt;br /&gt;No primeiro dia de aula, embora sem traumas anteriores apesar da classificação salmão, eu procurei a minha fichinha entre mais ou menos umas quatro caixas de fichas amarelas. Fiquei com um certo receio de, sendo salmão, desfilar de cabeça erguida ao lado dos amarelos. Paciência. Respirei e fui.&lt;br /&gt;Mas ontem, na volta do feriadão, precisei recorrer a Freud, Lacan e Jung de uma só vez para tentar sobreviver.&lt;br /&gt;Explico o cenário: nove da noite. Quarenta esteiras. Quinze telonas de TV. Globo, Telecine, um canal só com múltipla escolha sobre qual é a melhor forma de perder a barriga. Vários grupos de amarelos. Nenhum salmão. &lt;br /&gt;Descubro na academia hypada que há subtipos de eletrônico: o eletrônico-pagode (da aula de spinning, popularizado, animado, fácil de cantar/bater); o eletrônico-cult (para os que caminham sozinhos pelas esteiras); o eletrônico-axé (cantado em coro pelos praticantes assíduos da musculação); o eletrônico-de-raiz (para o início das aulas de GAP - glúteo, abdominal e perna _, estúpido...)&lt;br /&gt;Não é possível identificar qual eletrônico predomina. Começo a ficar tonta. Quase caio da esteira. Os amarelos me olham. Estou correndo muito devagar. Estou suando. Meu coração toca em eletrônico-raiz. A perna treme ao som do eletrônico-pagode. Minha irritação poderia ser expressa em eletrônico-axé.&lt;br /&gt;Resolvo encarar os amarelos. Nenhum deles é feliz.&lt;br /&gt;Aciono o botão de emergência da esteira.&lt;br /&gt;Vou pra casa. Bebo vinho. Faço jantar. &lt;br /&gt;Tenho vontade de cantarolar a Nona.&lt;br /&gt;Escuto Chico no carro.&lt;br /&gt;Penso nas fichas salmão.&lt;br /&gt;Meu próximo passo é roubá-las todas. &lt;br /&gt;E procurar sociedade para abrir um novo negócio. Hypado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5233372293773167402?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5233372293773167402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5233372293773167402' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5233372293773167402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5233372293773167402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/03/viso-do-inferno-segundo-psicanlise.html' title='A visão do inferno, segundo a psicanálise'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8026781466840985935</id><published>2008-03-16T17:50:00.000-07:00</published><updated>2008-03-16T18:11:10.242-07:00</updated><title type='text'>O pequeno menino   ou     O menino que não gostava de ser pequeno</title><content type='html'>O dia amanheceu amarelo, com cheiro de flor e fruta, som de passarinhos.&lt;br /&gt;Ainda que fosse uma linda manhã, Marcelo permanecia de mau-humor.&lt;br /&gt;Tudo porque se achava pequeno. Não gostava de ser pequeno.&lt;br /&gt;Ávidos por brincadeiras em horas que imaginavam ser certamente coloridas, João e Maria, amigos de Marcelo, decidiram convencê-lo de que havia razão para brincar, ainda que sendo pequeno. &lt;br /&gt;Explicaram a ele que é possível um menino pequeno fazer coisas inimagináveis.&lt;br /&gt;Marcelo não se convenceu. João e Maria insistiram numa brincadeira de esconde-esconde. Em poucas horas, Marcelo venceu o jogo. É que às vezes a condição de miúdo nos permite entrar em lugares apertadinhos, até mesmo arriscados. &lt;br /&gt;Ficamos lá, pequenos, e ninguém nos vê. &lt;br /&gt;Na corrida pelos campos, o corpo de Marcelo outra vez lhe garantiu a redenção. Apareceu, de repente, um javali selvagem no caminho. Marcelo avistou, a alguns metros, um cano de cimento jogado entre as árvores. Fez troça para atrair o animal, correu e entrou, de caso pensado, pelo cano. &lt;br /&gt;O javali grande, coitado, tentou seguir o pequeno e ficou ali, encurralado.&lt;br /&gt;João e Maria sorriram. Sabiam que Marcelo, agora, não tinha raiva do corpo.&lt;br /&gt;O dia amanhaceu bonito de novo e Marcelo acordou rindo na cama. Lembrou-se das aventuras do dia anterior e pensou em como foi grande sua coragem para salvar os amigos. Descobriu que isso basta para não tornar ninguém pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOTA DE RODAPÉ &lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Essa história foi escrita por Luíza Delgado, uma menina ainda pequena, que pediu para a titia Lucinha reproduzi-la, aqui neste blog, com as palavras de gente (que acha que é) grande. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8026781466840985935?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8026781466840985935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8026781466840985935' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8026781466840985935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8026781466840985935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/03/o-pequeno-menino-ou-o-menino-que-no.html' title='O pequeno menino   ou     O menino que não gostava de ser pequeno'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6501483840153517112</id><published>2008-03-03T18:20:00.000-08:00</published><updated>2008-03-03T18:36:35.490-08:00</updated><title type='text'>A semi-gostosa</title><content type='html'>Humanos masculinos são mesmo surpreendentes.&lt;br /&gt;Pensava que a cena de meninos levantando plaquinhas na sala de aula com as `notas´ para as meninas era só memória de infância.&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Eles mudam as técnicas, mas não a essência.&lt;br /&gt;Mais velhos, falam de forma desabrida se a garota merece ou não um 10.&lt;br /&gt;`Ela é semi-gostosa´, explicou um colega do trabalho a outro.&lt;br /&gt;Escuto a frase cifrada e não resisto.&lt;br /&gt;Vou tirar satisfação. &lt;br /&gt;Definição dele: `Tem alguns excessos em alguns lugares, mas...´&lt;br /&gt;Interrompo, para não ouvir o que não devo.&lt;br /&gt;E eu mesma acrescento: `Não é terra arrasada. Permanece terreno produtivo´.&lt;br /&gt;Os dois concordam com meu seco comentário sobre os tecidos da moça.&lt;br /&gt;Me afasto. Eles continuam tecendo definições sobre a semi-gostosa.&lt;br /&gt;Identificam outras semi-gostosas no recinto. Falam de novo das gostosas.&lt;br /&gt;Já estou longe. Mas não paro de pensar na lógica da linha evolutiva traçada pelos machos para as fêmeas.&lt;br /&gt;Diante de tanta sabedoria masculina, só nos resta (sobretudo às semi-gostosas) voltar a usar as plaquinhas.&lt;br /&gt;Será difícil dar um 10.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6501483840153517112?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6501483840153517112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6501483840153517112' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6501483840153517112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6501483840153517112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/03/semi-gostosa.html' title='A semi-gostosa'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2714709601783341132</id><published>2008-02-26T07:50:00.000-08:00</published><updated>2008-03-03T18:37:09.498-08:00</updated><title type='text'>Não-lugar</title><content type='html'>Evoluímos e, enfim, chegamos à Praça de Alimentação.&lt;br /&gt;Ali sentada, admirando a harmonia do lugar elaborado pela condição humana contemporânea, &lt;br /&gt;me dei conta de quão assustadora é nossa criação.&lt;br /&gt;Existe um som abafado de bocas que não escutam. Ou, se escutam, têm muito pouco tempo para isso.&lt;br /&gt;As pessoas se acotovelam, se esbarram. Mirando o prato alheio, vejo muita batata-frita, muita massa, muita fritura. &lt;br /&gt;Verdadeiras toras de tortas de chocolate.&lt;br /&gt;Pouca cor, resumindo assim.&lt;br /&gt;As amigas ao lado da minha mesa resolvem discutir uma nova proposta profissional. Tudo se resolve em quinze minutos.&lt;br /&gt;O casal de japoneses come pausadamente, arroz com feijão. Não falam. Dispõem de poucos minutos de almoço.&lt;br /&gt;Inventaram agora os caçadores da Praça. Eles gritam, berram, te atropelam com cardápios para te convencer que são melhores que os outros. &lt;br /&gt;Eu como salada, sozinha. Fico triste por não ter cinco minutos para almoçar com um amigo.&lt;br /&gt;Porque realmente as Praças de Alimentação são lugares de encontro, entrosamento. &lt;br /&gt;Pontos arejados, para quem busca um lugar sagrado para a hora da refeição.&lt;br /&gt;O lugar perfeito para a pausa tão merecida do trabalho exaustivo.&lt;br /&gt;Perfeito para respirar. &lt;br /&gt;Bonito olhar para o lado e ver milhares de placas de neon dos restaurantes.&lt;br /&gt;Incrível a mágica de estar lá de dia, de noite, e não ter a menor idéia do tempo lá fora.&lt;br /&gt;Os homens realmente  são máquinas de criação. &lt;br /&gt;E se fizeram as Praças, mal posso esperar pela próxima novidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2714709601783341132?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2714709601783341132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2714709601783341132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/02/no-lugar.html' title='Não-lugar'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-4725493189702367865</id><published>2008-02-07T04:41:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T04:47:30.723-08:00</updated><title type='text'>Quando ele perguntar de onde vem a Lua...</title><content type='html'>Em 450 antes de Cristo tentaram descobrir do que a Lua era feita.&lt;br /&gt;Um carinha cujo nome é a mistura de Aristóteles com Pitágoras jurou que a Terra quebrou e um grande pedaço dela solto por aí virou a Lua.&lt;br /&gt;Ninguém acreditou.&lt;br /&gt;Inventaram depois sucessivas teorias, algo relacionado a ondas de gases no sistema solar que atraem partículas (meteoritos ou algo parecido). &lt;br /&gt;Mais uma vez, ninguém acreditou.&lt;br /&gt;Depois imaginaram que a Lua era uma espécie de bola de fogo.&lt;br /&gt;Não colou.&lt;br /&gt;Galileu apareceu então com várias informações novas, mostrou que a Lua tinha buracos estranhos e não era tão bonita assim quanto se imaginava. De perto ninguém é normal (foi por causa de Galileu que Caetano, séculos depois, escreveu a canção).&lt;br /&gt;Em 1969 o homem chegou até a Lua e continuaram, ainda assim, a tentar descobrir como foi que a Lua surgiu no mundo. Ainda bem que nessa ocasião não estavam tentando descobrir o que era o Mundo, porque aí a vaca iria para o brejo de vez. Ou para a Lua.&lt;br /&gt;Os astronautas trouxeram para a Terra as pedrinhas da Lua.&lt;br /&gt;Descobriram que as pedrinhas eram bem parecidas. &lt;br /&gt;Opa, um problema: as pedrinhas da Terra são voláteis (lá vêm os tais gases de novo) e as da Lua não.&lt;br /&gt;Ok. Começam a imaginar que tinham se passado quase dois mil anos e o carinha primo do Aristóteles bem que podia estar certo. Mas alguma coisa deve ter acontecido para que as pedrinhas, formadas em parte pelas substâncias da Terra, perdessem a volatilidade. O oxigênio, resumindo assim. É como se as pedrinhas tivessem ficado sufocadas lá na Lua e não pudessem respirar. &lt;br /&gt;Sufocamento = fim da volatilidade (ou quase isso).&lt;br /&gt;Já estamos em 1974. Ainda não sabem direito como a Lua surgiu.&lt;br /&gt;Aí um outro carinha inventou a Teoria da Colisão Gigante.&lt;br /&gt;Alguma coisa bateu em alguma coisa, esbarrou feio na Terra. Foi pó de pedrinha para todo lado do Universo (não me pergunte como surgiu o Universo. É demais pra mim). Lembre-se de que há gases em todas as direções, que as coisas rodam, que foi um grande impacto, a Terra girando, o pó envolta dela, o lance gravitacional.... &lt;br /&gt;A Lua foi se formando, a Terra girando. E uma rodava, outra não. (Aquela parte da música que diz: ´a Lua, quando ela roda...` está errada. A Lua não roda).&lt;br /&gt;Inicialmente, ninguém deu bola de novo. Nem bola de fogo.&lt;br /&gt;Depois, cansados e sem saber de onde vinha a Lua, acharam melhor crer nessa teoria mesmo, de certa forma adaptada da teoria do carinha amigo do Aristóteles e do Pitágoras.&lt;br /&gt;Seria muito mais fácil se a Lua fosse uma bola de fogo que gelou. &lt;br /&gt;Mas o Universo não é simples assim.&lt;br /&gt;Fui dormir irritada com as caraminholas que o History Channel coloca na cabeça da gente, pensando em qual de fato seria a origem da Lua. Quase formulei uma teoria.&lt;br /&gt;Agradeci por ainda não ter filho, porque se ele me perguntar de onde vêm os bebês é moleza, mas de onde vem a Lua... Hummmm... Sei não.&lt;br /&gt;Bom, pelo menos eu já sei dizer pra ele que há pedras sufocadas na Lua.&lt;br /&gt;E que os buracos da Lua são como se fossem Mares. (Mare, é o nome que as crateras receberam por lá). &lt;br /&gt;Ah, e que nós não vamos poder viajar para a Lua nas férias, porque lá tem chuva de pedras. É um horror. &lt;br /&gt;Então, o melhor de tudo é olhar para o céu. Contemplá-la, sem saber de onde ela vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-4725493189702367865?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4725493189702367865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4725493189702367865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/02/quando-meu-filho-perguntar-de-onde-vem.html' title='Quando ele perguntar de onde vem a Lua...'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8189127617140785404</id><published>2008-02-06T04:47:00.000-08:00</published><updated>2008-02-06T04:54:34.353-08:00</updated><title type='text'>Dilema carnavalesco</title><content type='html'>Segunda-feira, meio do feriado. &lt;br /&gt;Provavelmente a ex-mulher viajou por aí com um namorado lindo. &lt;br /&gt;Ele ficou com as duas meninas: 4, 6.&lt;br /&gt;Sem criatividade (deve ter perdido esse traço da paternidade há alguns anos) e sem fantasia, leva as garotas ao shopping. &lt;br /&gt;Compra McDonald´s. Afinal, é carnaval.&lt;br /&gt;Enquanto a mais nova devora a batata frita, a mais velha se levanta e solta a frase temida por qualquer adulto: ´Quero ir ao banheiro`. &lt;br /&gt;Tinha que ser agora, ele revida nervoso.&lt;br /&gt;Justo agora, que a comida vai sair (a dele, claro; um prato de comida de verdade).&lt;br /&gt;Ela faz cara de choro. Tô apertada, explica.&lt;br /&gt;Ele se levanta. Olha para mesa, olha para o banheiro. Calcula as distâncias.&lt;br /&gt;Pega o prato lindo. Coloca sobre a mesa.&lt;br /&gt;Júlia, vou levar sua irmã ao banheiro. Você não saia da mesa.&lt;br /&gt;Detalhe: é um shopping. Júlia tem 4 anos. &lt;br /&gt;Ela chora. ´E eu vou ficar aqui sozinha?`&lt;br /&gt;Chora de novo.&lt;br /&gt;Ele focaliza mais uma vez a placa do banheiro, mira a mesa.&lt;br /&gt;´Vai comendo a batatinha`, tenta despistar.&lt;br /&gt;Nada. Júlia continua chorando.&lt;br /&gt;A outra segura a barriga, vira o olho.&lt;br /&gt;Ele olha o prato. Júlia chora.&lt;br /&gt;Como eu vou fazer?, fica nervoso.&lt;br /&gt;Manda a mais velha ir ao banheiro. Sozinha.&lt;br /&gt;Ela chora. &lt;br /&gt;A moça da mesa ao lado se oferece para tomar conta da Júlia.&lt;br /&gt;Ele agradece, mas vai deixar a mais velha se virar (se sujar) no banheiro sozinha.&lt;br /&gt;Ele se senta à frente de Júlia. Começa a comer.&lt;br /&gt;Ela chora. Uma vez começado o pranto, difícil parar nessas ocasiões.&lt;br /&gt;Ele come. Vorazmente.&lt;br /&gt;O celular toca. Ele conversa em inglês sobre algum assunto de trabalho.&lt;br /&gt;Júlia pára de chorar. Engole a batatinha com dificuldade.&lt;br /&gt;A outra volta do banheiro. Calça meio torta. Aparentemente limpa. Todas as mulheres ao lado comemoram o retorno da pequena, ilesa. Enfim, comemoram que ela simplesmente tenha voltado.&lt;br /&gt;As duas irmãs se olham. Olham para ele.&lt;br /&gt;Ele continua a conversar. Elas param de comer.&lt;br /&gt;Ficou fria a batatinha. Não dá mais para engolir.&lt;br /&gt;Mas é carnaval. &lt;br /&gt;E elas estão ali, no shopping, desfrutando uma infância sem nenhuma fantasia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8189127617140785404?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8189127617140785404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8189127617140785404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/02/dilema-carnavalesco.html' title='Dilema carnavalesco'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-732188613647021728</id><published>2008-02-03T18:22:00.000-08:00</published><updated>2008-02-03T18:27:36.667-08:00</updated><title type='text'>Escrever</title><content type='html'>Criou-se um ouvido em meu cérebro.&lt;br /&gt;Agora busco bocas soltas nas ruas.&lt;br /&gt;Escuto palavras que seguem lentamente o vento. Trocam de corpos. &lt;br /&gt;O escambo faz frases.&lt;br /&gt;Idéias soltas viram texto.&lt;br /&gt;Às vezes as espanto com meu leque.&lt;br /&gt;Mas não consigo afugentá-las.&lt;br /&gt;Pairam sobre mim como corvos pretos da Torre de Londres, como urubus que sorvem carne putrefata.&lt;br /&gt;Elas me inundam, me refrescam. &lt;br /&gt;Olho de novo e volto a procurar essas tantas bocas.&lt;br /&gt;Distribuo mapas aos sons.&lt;br /&gt;Eles se deitam então sobre o papel.&lt;br /&gt;Riscam o branco, faz-se a partitura.&lt;br /&gt;Começo a tocar.&lt;br /&gt;Tenho um ouvido em meu cérebro.&lt;br /&gt;Agora me embalo e consigo dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-732188613647021728?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/732188613647021728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/732188613647021728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/02/escrever.html' title='Escrever'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1987068296507796384</id><published>2008-02-01T05:23:00.000-08:00</published><updated>2008-02-01T05:34:58.892-08:00</updated><title type='text'>Sobre ratos e homens</title><content type='html'>A poucos metros da sua casa, um rato branco agonizava no chão. Havia sido atropelado, e se contorcia. A cena a incomoda, ela olha a chuva.  Fusão de nojo, angústia, compaixão.&lt;br /&gt;Chega em casa e o telefone toca. A amiga que mora na Europa diz que precisa conversar.&lt;br /&gt;- Preciso me desvencilhar dele e não sei como fazer.&lt;br /&gt;Interrompe a conversa e dá um grito. Um rato havia entrado no aquecedor.&lt;br /&gt;Ela volta. Retoma a conversa. &lt;br /&gt;- Preciso mesmo me livrar dele. Está incômodo, fico muito angustiada com a presença dele aqui.&lt;br /&gt;- É só matar, com vassoura.&lt;br /&gt;- Hein? &lt;br /&gt;- Coloca um spray qualquer, pra ele ficar doidão, e mete a vassoura. Mas de olho fechado, porque é péssimo.&lt;br /&gt;- Não estou falando do rato.&lt;br /&gt;- Ah, tá.&lt;br /&gt;- Mas ele não quer sair, e estou escutando o barulhinho lá dentro.&lt;br /&gt;- Mas você explicou as razões de tudo a ele?&lt;br /&gt;- Agora estou falando do rato.&lt;br /&gt;-  Assim não dá. Identifique a vítima, por favor. Acho que você é capaz de se livrar dos dois.&lt;br /&gt;- Não consigo. Ele me completa em tudo.&lt;br /&gt;Ela sabe que não é o rato. E a amiga continua a reflexão.&lt;br /&gt;- Acho que ele  apareceu aqui agora só pra deixar tudo ainda mais tenso. Pra eu me questionar: quer ficar sem ele mesmo?!?!?!?!?!?&lt;br /&gt;- Agora me perdi de novo. Ele apareceu aí?&lt;br /&gt;- O rato. Pra me fazer pensar nele. &lt;br /&gt;- Que merda...&lt;br /&gt;- Que merda esse filha da puta do rato imundo.&lt;br /&gt;- Mata logo essa coisa!&lt;br /&gt;- Tudo que eu mais queria era chamar ele pra matar ele (o rato).&lt;br /&gt;- Se tivesse vassoura e spray já tinha matado. Os dois. Eu acho.&lt;br /&gt;- Ou talvez o rato apareceu pra deixar a dúvida - é um homem ou um rato!?&lt;br /&gt;- Homens dão mais pavor que ratos.&lt;br /&gt;- Ou talvez ele apareceu porque essa Europa não tem barata nem inseto, mas tem uma população de 100 ratos para cada 10 habitantes.&lt;br /&gt;- A Europa abriga todos os ratos do mundo. Inclusive ele. Quer dizer, os dois.&lt;br /&gt;- Europa imunda. Quero ir embora daqui.&lt;br /&gt;- Você não vai sair daí. Mas me faça um favor. Mate o rato. Os dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1987068296507796384?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1987068296507796384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1987068296507796384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/02/agonia.html' title='Sobre ratos e homens'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-3121556908484068048</id><published>2008-01-27T07:13:00.000-08:00</published><updated>2008-01-27T07:38:55.907-08:00</updated><title type='text'>Yakult da metrópole</title><content type='html'>É incrível a capacidade que um carrinho de Yakult tem de me emocionar.&lt;br /&gt;Todas as vezes em que passo ao lado de um deles (e, para minha surpresa, sim, eles existem em São Paulo) é imediata a associação com a cara apreensiva da minha mãe comprando estojinhos do iogurte miraculoso para uma família gigante de seis filhos.&lt;br /&gt;O ritual da compra era coisa séria, tipo maçonaria, máfia siciliana. Era preciso agendar a ida de um vendedor do Yakult na sua casa. Havia uma cadernetinha para escrever quantos copinhos do líqüido você iria adquirir. O pagamento era só ao final do mês. &lt;br /&gt;Tudo muito controlado, uma espécie de comitê socialista do Yakult. Hoje chego até a pensar que havia células da Yacusa no Brasil controlando tal abastecimento interno. &lt;br /&gt;“Mãe, posso tomar um?”, eu começava logo depois que a preciosidade entrava na geladeira.&lt;br /&gt;“Já expliquei que é só um por dia, porque tem lactobacilos”, ela repetia.&lt;br /&gt;Não havia a menor possibilidade de tomarmos mais de um por dia. E nem mesmo um a cada dia por dias seguidos. Era coisa controlada ao longo da semana, com isonomia fraternal. &lt;br /&gt;E claro que o pavor dos lactobacilos nunca me deixava corromper essa regra.&lt;br /&gt;Uma vez minha mãe explicou que os tais lactobacilos eram uns bichinhos que faziam bem pra nossa barriga. E não se fala mais nisso. Pronto.&lt;br /&gt;A evolução dos lactobacilos levou à desenfreada produção atual de Activias, Nesfit/fibras, etc. Mas nada se compara ao gostinho doce/azedo dos lactobacilos vivos. Um prazer curto, objetivo, com gosto de eterno.&lt;br /&gt;Até hoje eu acredito que minha mãe falava a verdade. Que não pode haver sobrecarga de lactobacilos no corpo. Recuso-me a cogitar que se tratava de um estratagema dela para o estojinho durar mais tempo e os seis filhos não se matarem, vivos, pelos lactobacilos.&lt;br /&gt;O poder do carrinho de Yakult transcende o passado e chega até a consciência do presente.&lt;br /&gt;Porque a metrópole, além do iogurte com bactérias em pura atividade, oferece doces possibilidades em meio ao amargo da modernidade.&lt;br /&gt;O senhor que vende sorvete de Americana na rua pede para que as pessoas saiam de suas casas e levem seus potes. Há feirinhas com pastéis diversos, espalhadas em cantos que abrigam 11 milhões de pessoas. De segunda, de terça, de quarta, de quinta... &lt;br /&gt;Acordo aos domingos com os berros do sujeito que vende empadinha. Consigo escutar som de passarinho de manhã, intercalado pela passagem dos ônibus. Minha garagem é um pé de maracujá.&lt;br /&gt;Tem um pouco de Minas em São Paulo.&lt;br /&gt;Uma metrópole em estágio avançado de fermentação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-3121556908484068048?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/3121556908484068048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=3121556908484068048' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3121556908484068048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/3121556908484068048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/yakult-da-metrpole.html' title='Yakult da metrópole'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5233789904075506246</id><published>2008-01-24T05:38:00.000-08:00</published><updated>2008-01-24T10:54:52.915-08:00</updated><title type='text'>´Disco de mim`</title><content type='html'>Por mais de uma vez pensei em rivalizar com o tempo.&lt;br /&gt;Idéia recente foi discutida e aprovada entre o público feminino.&lt;br /&gt;“Olha, gostei de você. Leve o CD, coloque no DVD, dê uma olhada, selecione as cenas. Se interessar, vá no ícone contatos, pegue meu e-mail e telefone, e me procure.”&lt;br /&gt;Ou assim: “Você tem seu CD aí?”&lt;br /&gt;O ´seu CD` economizaria muito tempo. E faria quase que uma seleção natural das espécies.&lt;br /&gt;Você se apresenta, seleciona os aniversários mais importantes, faz um resumão do período da faculdade, opta por mencionar ou não os ex-relacionamentos mais relevantes, explica se toma ou não tarja preta, admite limitações básicas, mostra cômodos da casa, fotos da família, algum texto que já fez e gostou, filma rapidamente a estante de livros, lista hábitos, conta alguma coisa do trabalho (a longa parte que te frustra e a pequena parte que te faz feliz), relaciona interesses intelectuais atuais. Diz se é mais carnaval ou semana santa, se é cerveja ou destilado, se é Beatles ou Rolling Stones. Ou os dois juntos. Pronto. Simples assim.&lt;br /&gt;Vocês trocam os ´seus CDs`. Cada um analisa. Pensa com carinho. Vê se o jeito da pessoa te agrada. Imagina perguntas interessantes sobre algo que ela já tenha mencionado no CD. Em menos de trinta minutos você já conhece a família do outro, os ex, sabe onde está pisando e não vai precisar passar por aquele momento ridículo de ter que perguntar “e aí, o que você faz?” só para puxar assunto.&lt;br /&gt;Porque a preguiça está basicamente no início (também no meio, também no fim). &lt;br /&gt;Mas há uma preguiça incalculável nos inícios. Já imaginou ter que ficar falando sobre os últimos 30 e tantos anos para alguém que você nunca viu na vida? Ou seja, a probabilidade de isso dar errado é altíssima. &lt;br /&gt;Com o CD não. Tá lá. Você decide. Assiste, não assiste. Gostou, não gostou. Ninguém entra em bola dividida. Ninguém insiste em vão. &lt;br /&gt;Você economizaria mais ou menos uns três anos com o CD.&lt;br /&gt;Porque, sem o CD, no primeiro ano vai insistir em contar pílulas sobre os ex-relacionamentos sob o argumento de que não quer repetir os mesmos erros.&lt;br /&gt;No segundo ano vai tentar algum tipo de aproximação real entre ele e sua família.&lt;br /&gt;No terceiro ano vai começar a revelar o que realmente importa, o que realmente gosta, o que realmente te interessa, e quais realmente são suas aspirações profissionais e intelectuais para o futuro. &lt;br /&gt;Tá, admito que esse cronograma está longo demais e que podemos substituir os três anos por três meses. Ainda assim você ganha um baita tempo se tiver o CD.&lt;br /&gt;E tem que pensar que o CD é um título rolado a longo prazo no mercado.&lt;br /&gt;É a partir do CD que você decide ou não comprar as ações.&lt;br /&gt;Agora, o investimento não é seguro.&lt;br /&gt;Aplicações em bolsa não são. &lt;br /&gt;Porém, o CD é o seu corretor de bolsa avisando de antemão que não adianta ter pânico na baixa nem entusiasmo exacerbado na alta. E que há recessões norte-americanas pelo caminho. Mas você bem que avisou.&lt;br /&gt;Pense nisso. Faça o seu CD.&lt;br /&gt;E, se quiser, leve o meu pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5233789904075506246?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5233789904075506246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5233789904075506246' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5233789904075506246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5233789904075506246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/disco-de-mim.html' title='´Disco de mim`'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2908957315013256619</id><published>2008-01-22T04:39:00.000-08:00</published><updated>2008-01-22T04:45:57.668-08:00</updated><title type='text'>Sóbria numa noite suja</title><content type='html'>Café não podia. Chocolate nem pensar. Nem chá, nem álcool, nem fumo, nem lipídios. &lt;br /&gt;Achei que talvez sexo estivesse proibido, já que só pode se tratar de uma brincadeira de mau gosto privar o ser humano de todos os prazeres básicos e primitivos, provocando no cérebro um estado de loucura também rudimentar ao exigir dele duas semanas de completa abstinência e algumas horas de jejum.&lt;br /&gt;Ainda assim me aventuro a encarar a noite.&lt;br /&gt;Perdida, sóbria num lugar escuro, encontro as amigas.&lt;br /&gt;Todas acompanhadas, claro. Isso é ponto pacífico na minha vida.&lt;br /&gt;Beber é hábito contumaz. Não importa o gosto.&lt;br /&gt;Misturas de vodka com água tônica são celebradas. Mas é Absolut!, me explicam.&lt;br /&gt;Capi de melancia (vejam bem, melancia) é saboreada em goles pequenos. Mais de uma vez.&lt;br /&gt;Empolgada, resolvo tomar suco de melancia. E fico pensando no gosto da Capi Kiwi...&lt;br /&gt;Dançamos. Todos. Eu mais que todos, imersa na minha caretice compulsória por conta de um exame para testar a labirintite. &lt;br /&gt;Descubro que a sobriedade é alucinógena.&lt;br /&gt;Fico amiga do barman, um gordão de 200 quilos. Talvez porque fosse a única da pista capaz de trocar algumas palavras com nexo com ele.&lt;br /&gt;“Mais uma, Malu?”, antecipava ele, já pegando o suquinho de limão espremido para misturar na minha límpida água com gás.  &lt;br /&gt;As amigas resolvem que eu preciso conhecer os amigos dos namorados delas. Essa história nunca deu certo nem nas cavernas, mas o ser humano segue insistindo.&lt;br /&gt;Os amigos são lindos, claro. Gente boa. &lt;br /&gt;Mas bêbados e, óbvio, muito mais interessados nas gostosinhas da pista de dança que numa mulher não bêbada e vítima dos efeitos colaterais provocados pelo excesso de movimentação e calor na pista. E olha que eu estava com a minha linda blusa frufru-bufante, um escândalo da moda, última geração. &lt;br /&gt;Nem assim. &lt;br /&gt;Mas o bom do álcool é a perda gradual e progressiva do senso do ridículo e a completa ausência de bom senso.&lt;br /&gt;Os amigos bonitinhos do namorado da minha amiga até resolvem me paquerar de vez em quando, ao mesmo tempo em que paqueram umas trezentos e quarenta e cinco meninas de mais ou menos 17 anos. Eles certamente já devem ter passado dos 35.&lt;br /&gt;O gordão passa na pista. Acho que os caras o paqueram também.&lt;br /&gt;Minha amiga insinua que eles gostaram de mim. Penso que eles gostam até de anão de jardim, naquela situação.&lt;br /&gt;Mas sigo dançando, nessa paquera às avessas. &lt;br /&gt;As pessoas perdem bolsas. Pagam bebidas que não beberam.&lt;br /&gt;Desequilibram na pista. Brigam por nada com os namorados.&lt;br /&gt;Copos circulam com líquidos indecifráveis. Mas é Absolut.&lt;br /&gt;Inventam danças estilo João-bobo (cai, não cai).&lt;br /&gt;As conversas são construtivas. Emboladas, mas construtivas.&lt;br /&gt;Quase cinco horas da manhã e um dos bêbados bonitinhos me pergunta: já vai, tá cedo.&lt;br /&gt;Opa, não tenho a menor dúvida, respondo. Ele não entende. É estranho sóbrios explicarem coisas a bêbados. Melhor evitar.&lt;br /&gt;Chego em casa exausta, com ressaca de tanto dançar.&lt;br /&gt;Tomo banho sem desequilibrar. Acho o edredon. Durmo de pijama.&lt;br /&gt;Aquecida, sem lápis no olho e de dentes escovados. Não sinto fome.&lt;br /&gt;Quando me olho no espelho, no dia seguinte, descubro, então, os benefícios de tão sofrida abstinência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2908957315013256619?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2908957315013256619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2908957315013256619' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2908957315013256619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2908957315013256619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/sbria-numa-noite-suja.html' title='Sóbria numa noite suja'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8261256657353037195</id><published>2008-01-18T06:24:00.000-08:00</published><updated>2008-01-18T06:31:12.868-08:00</updated><title type='text'>As Meninas – parte 1</title><content type='html'>Dei-lhe o nome de Brisa no livro que nunca terminou.&lt;br /&gt;Sua amizade é suave, refrescante.&lt;br /&gt;É do tipo que areja as mentes ensimesmadas, sisudas pela rotina. Pelo tempo, pelo vento.&lt;br /&gt;Contei-lhe que seria a brisa das páginas. &lt;br /&gt;“Eu ia ser a libélula, né?”, ela me perguntava às vezes.&lt;br /&gt;Porque ela é assim. Nasceu pra fazer indagações às avessas.&lt;br /&gt;“Hoje podia tanto ser ontem pra gente ter mais tempo para dormir”, soltou ela no elevador, ao término do nosso encontro de Natal de 2007, já com seis (*).&lt;br /&gt;Ela também muda o calendário em ano bissexto.&lt;br /&gt;“E se a quinta-feira santa cair na sexta?”&lt;br /&gt;Só pude responder que, sendo assim, Sexta-feira da paixão ia virar sábado e talvez Jesus não fosse gostar muito de ressuscitar só numa segunda-feira qualquer.&lt;br /&gt;Tem música que é só dela. Duas, pelo menos. &lt;br /&gt;Ontem ouvi uma delas no rádio. Nunca soube quem toca isso, porque só ela sabe a letra inteirinha em inglês. E ensinou a todas nós. Diz algo mais ou menos assim: que quando se olha pra trás, entre outras tantas coisas, nunca se quer dizer adeus. &lt;br /&gt;“Deixe de lado esse baixo-astral, erga a cabeça, enfrente o mal”, diz a outra canção que ela sempre recorda, num samba, numa roda, num dia de tristeza.&lt;br /&gt;Ela muda o nome de cidades. Já nos obrigou a tomar sopa de repolho para ficarmos todas magras. &lt;br /&gt;É a única sarada da turma, mas nunca vai ser igual às ratas de academia (graças a Deus, seja lá em que dia seu filho tenha ressuscitado). &lt;br /&gt;Larga jornalismo por medicina e ainda assim consegue levar a vida com a leveza que só as brisas podem ter.&lt;br /&gt;Hoje podia tanto ser ontem para que eu pudesse passar mais horas e mais dias da minha vida com você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)&lt;strong&gt;NOTA DE RODAPÉ &lt;/strong&gt;- &lt;em&gt;Somos cinco, mas uma tem bebê. Por isso viramos seis. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8261256657353037195?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8261256657353037195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8261256657353037195' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8261256657353037195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8261256657353037195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/as-meninas-parte-1.html' title='As Meninas – parte 1'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6280810575918738720</id><published>2008-01-17T06:18:00.000-08:00</published><updated>2008-01-17T06:27:18.878-08:00</updated><title type='text'>O crime de Josefa</title><content type='html'>Josefa procurava emprego e como tinha carta de recomendação foi chamada para uma conversa na casa de Dona Solange. &lt;br /&gt;A madame explica com detalhes todas as funções futuras de Josefa: preparar o café da manhã para a família, arrumar todos os quartos, trocar roupa de cama dia sim, dia não, recolher as toalhas molhadas que as crianças costumam deixar jogadas em cima das camas, encerar, espanar, varrer, abrir todas as janelas para deixar o sol entrar, molhar as plantas do jardim, preparar então o almoço, o jantar. &lt;br /&gt;Haverá dias em que será necessária a preparação de lanche da tarde especial para visitas do chá das cinco.&lt;br /&gt;Familiarizada com todas as tarefas, Josefa não pestaneja, não desanima, segue rígida, atenta a Dona Solange, reparando no tamanho imenso da casa.&lt;br /&gt;“E então, para esse serviço, quanto você cobraria?”&lt;br /&gt;Ela permanece calada. Dona Solange imagina que vá cobrar caro. &lt;br /&gt;“E então, Josefa, pode dizer.”&lt;br /&gt;Josefa balança a cabeça, como se de imediato já tivesse concordado com tudo, independente do preço.&lt;br /&gt;“Vai cobrar um absurdo”, sentencia calada Dona Solange.&lt;br /&gt;“Com penso ou sem penso?”, questiona Josefa.&lt;br /&gt;“Hein?”, retruca Dona Solange.&lt;br /&gt;“Com penso ou sem penso?”, reitera a indagação.&lt;br /&gt;É a vez de Dona Solange se calar por alguns minutos.&lt;br /&gt;Ela mira Josefa. Balança a cabeça levemente. Sacode ligeiramente os ombros.&lt;br /&gt;“Por que se for com penso sai mais caro. Sem penso é mais barato.”&lt;br /&gt;Dona Solange tenta se ajeitar na cadeira, num evidente sinal de desconforto. Primeiro se sente inculta. Depois acha que é pegadinha. Classifica mentalmente de abominável seu preconceito subliminar por imaginar que não é obrigada a dominar gírias de mucamas, nomes de produtos de limpeza. &lt;br /&gt;Balança de novo os ombros. Passa a mão na testa. Mira Josefa. Leva as mãos à frente do corpo(o gesto `como assim?´)&lt;br /&gt;“Se penso o que vai ser no café, no almoço, no lanche, no jantar, a roupa que vai nas camas, a cor das toalhas, aí é mais caro. Se não tem penso, mais barato.”&lt;br /&gt;Dona Solange repete o gesto. Não responde, retoma algumas observações sobre os cuidados com o lar.&lt;br /&gt;Mais alguns minutos de conversa, Dona Solange agradece, diz que vai pensar e telefonar. &lt;br /&gt;Josefa não fala o preço. &lt;br /&gt;Deixa a mansão caminhando com a certeza de que Dona Solange não ligaria. &lt;br /&gt;E pensa que o crime não compensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ADVERTÊNCIA:&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os nomes uilizados neste conto são pura ficção.  Os fatos, para meu deleite, reais. Eu juro, Camys. Eu juro, Lu. Bi,você não vai ler, mas é verdade. A Gisa pode confirmar tudo. Eu juro.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6280810575918738720?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6280810575918738720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6280810575918738720' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6280810575918738720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6280810575918738720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/o-crime-de-josefa.html' title='O crime de Josefa'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5983894889144903278</id><published>2008-01-13T05:12:00.000-08:00</published><updated>2008-01-14T09:41:21.817-08:00</updated><title type='text'>Meu plantão médico</title><content type='html'>Sou do tipo que tem fascinação besta por seriados de TV. ER está na lista dos meus preferidos. Talvez porque é bom sentir um mínimo de realidade. Mas longe de você.&lt;br /&gt;Confesso também que não sou obececada por doenças, hipocondríaca _ ainda que a minha crise crônica de amigdalite na infância e a convivência com a irmã médica tenham me ensinado a diferença entre aspirina e novalgina, amoxil e bactrin, quando apelar para o tandrilax se o dorflex não faz mais efeito. &lt;br /&gt;Também gosto muito de bulas. Elas possuem um certo sarcasmo com efeito ao contrário. Você se sente o pior dos homens quando toma consciência das reações adversas que um medicamento pode provocar no teu corpo e, se tiver juízo, não vai sentir nenhuma delas.&lt;br /&gt;Me senti num capítulo do ER quando a última crise de enxaqueca chegou. Ela já é minha antiga conhecida, mas desta vez resolveu inovar com uma tontura de tirar qualquer um do sério. Na sala de emergência, peguei a troca de turno dos médicos. &lt;br /&gt;Pacientes são números. Eu era a número dois, com complicações de enxaqueca e definida como "caso neurológico".&lt;br /&gt;Fiquei pensando se eles me achavam meio pancada, se suspeitavam que eu estava fingindo os sintomas. Porque meus reflexos neurológicos estavam ótimos. A tomografia não apontou nenhum traço fora do percurso normal. Ainda bem, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;A paciente três, coitada, péssima. Caso de bronquite aguda, no oxigênio. A moça tinha um pavor no olhar capaz de comover qualquer enfermeiro nazista.&lt;br /&gt;A quatro estava dormindo há mais de cinco horas, dopada por uma tarja preta qualquer. O filho a largou lá, sozinha na maca, dizendo que voltava. Nas noves horas que eu passei na emergência o rapaz não retornou.&lt;br /&gt;O um era um caso difícil. Estava crente que tinha tido uma parada cardíaca. Os médicos garantiram que nada estava entupido, mas ele vestiu uma cara de cardiopata e não queria sair daquele leito de jeito nenhum. &lt;br /&gt;Enquanto eu observava o meu ER, pensava na graça de ser sã. Como a realidade pode ser bem mais colorida se você tem consciência de todos os males que pode causar a seu corpo. E se faz de tudo para mantê-los bem longe de você.&lt;br /&gt;Pensei ainda nas razões que nos levam a ser tão cruéis e impiedosos com quem carrega e abriga nossa pobre alma. As horas mal dormidas, o coração travado, a alimentação de má qualidade, a angústia que resvala para cantos indefinidos do cérebro, a falta de compaixão diária, as doses excessivas de mau-humor, a raiva. &lt;br /&gt;Pensei que canto pouco, tomo banhos rápidos. Que não ligo mais o som de manhã. Que abandonei o Flamenco, a acupuntura. &lt;br /&gt;Tento comer direito, faço ginástica pelo menos alguns dias, não sou do tipo ranzinza. Mas aqui, agora, tomando flunarizina (um novo princípio ativo na minha vida, para os que sofrem de labirintite), sei que há algo mais que eu possa fazer por mim. Mais que ver ER nas noites de quinta-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5983894889144903278?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5983894889144903278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5983894889144903278' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5983894889144903278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5983894889144903278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/meu-planto-mdico.html' title='Meu plantão médico'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-572016004301236843</id><published>2008-01-09T05:50:00.000-08:00</published><updated>2008-01-11T03:51:10.212-08:00</updated><title type='text'>Zizi, Zezete</title><content type='html'>Parece ser desse jeitinho charmoso que os pequenos franceses se referem às suas partes íntimas. Uma amiga minha, professora de jardim de infância, preferia dizer borboletinha e sapinho. Eu não consigo me imaginar portadora de uma borboleta justo lá, mas cada um chama o seu do que bem entende.&lt;br /&gt;O fato é que esse negócio de zizi e zezete tem diferenças explícitas já detectadas pela sabedoria popular e outras inalcançáveis para qualquer vã filosofia. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi&lt;/strong&gt;: apresenta destreza invejável para assuntos relacionados à tecnologia, inovação digital, automobilística ou sonora.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zezete&lt;/strong&gt;: não sabe o que é tecla Mute (de TV ou dos aparelhos de som dos carros). Prefere, delicadamente, reduzir o barulho aos pouquinhos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi&lt;/strong&gt;: ainda que não domine muito bem a mecânica e a engenharia elétrica, finge que sabe tudo a esse respeito e se arrisca a trocar chuveiro queimado e dar palpite sobre a qualidade e o desgaste de amortecedores. A ousadia pode dar muito errado, mas ele se acha um zizi.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zezete&lt;/strong&gt;: chora quando o carro faz barulho. Procura um amigo zizi para perguntar o que uma zezete faz com um automóvel estragado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi&lt;/strong&gt;: tem vergonha (e ojeriza) de ir ao shopping comprar roupa porque acha sacanagem a vendedora tirar tanta coisa das estantes sendo que ele vai comprar no máximo uma ou duas peças.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zezete&lt;/strong&gt;: se a vendedora é chata, usa e abusa. Não compra nenhuma peça naquela loja, mas se dirige ao estabelecimento ao lado e se esbalda. De preferência circula com as sacolas do concorrente bem em frente à loja da vendedora chata.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi&lt;/strong&gt;: quando se emociona, movimenta o olhar para que ninguém veja a possibilidade do choro. Pode usar o velho método do cisco no olho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zezete&lt;/strong&gt;: não consegue sentir nenhuma vergonha quando as luzes da sala de cinema se acendem e ela está lá, toda inchada, fungando.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi&lt;/strong&gt;: quando leva a paquera para a casa, no máximo tem água para oferecer. Provavelmente de torneira. (Sempre é bom registrar que, com a idade, os zizis surpreendem. Podem preparar não somente jantares deliciosos, com direito a vinho, como também te oferecer até panetone pela manhã).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zezete&lt;/strong&gt;: se é do tipo que mora sozinha, vai ter uma coisinha no congelador (um pão de queijo, por exemplo), um queijinho, um suquinho, frutinhas. E sabe fazer café. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi&lt;/strong&gt;: pode ser muito mais romântico que zezete&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zezete&lt;/strong&gt;: pode ser muito mais fria que zizi&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizi, Zezete&lt;/strong&gt;: andam, igualmente, se sentindo sozinhos, falando de amores frustrados, chorando de forma escancarada ou despistada nos cinemas. Se encontram pouco, conversam quase nada. Mas imaginam que são uma espécie de mesma letra do alfabeto e ficam por aí, como zumbis, tentando formar algumas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;p.s - A razão deste texto foi "A culpa é de Fidel". Ainda no meu momento cinéfila.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-572016004301236843?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/572016004301236843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=572016004301236843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/572016004301236843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/572016004301236843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/zizi-zezete.html' title='Zizi, Zezete'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5507214467926655206</id><published>2008-01-06T06:27:00.000-08:00</published><updated>2008-01-06T06:37:36.373-08:00</updated><title type='text'>Os outros, a vida, as sonatas</title><content type='html'>As palavras num alemão desencontrado corriam a tela. E eu perplexa, no meio da sala de cinema, sozinha, sem conseguir me mexer. Sim, tinha dificuldade em respirar. Talvez porque "A vida dos outros" te faça pensar em coisas únicas.&lt;br /&gt;A única inspiração de um escritor.&lt;br /&gt;A possibilidade irreal de um único amor.&lt;br /&gt;As poucas ou únicas almas de caráter.&lt;br /&gt;O livro que te mudou.&lt;br /&gt;A história que você quis escrever.&lt;br /&gt;A cena que passou correndo pela janela e que você não registrou.&lt;br /&gt;A memória que só você tem. &lt;br /&gt;O segredo que é seu.&lt;br /&gt;A risada que você nunca explicou. O choro que guardou.&lt;br /&gt;O seu melhor desempenho.&lt;br /&gt;O maior orgulho. O que fez diferença, mas foi silencioso.&lt;br /&gt;A única pessoa que te admira e você não conhece.&lt;br /&gt;A pessoa que você acha que é única e é desprezível.&lt;br /&gt;A maior dor, a melhor música.&lt;br /&gt;Você, na melhor versão.&lt;br /&gt;E, ao final, bem ao final, só para aqueles que têm paciência, descobre-se, além de tudo, que o filme (ou a sonata) de um homem bom foi feito para uma mulher.&lt;br /&gt;Nas telas. Não percam. É único.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5507214467926655206?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5507214467926655206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5507214467926655206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5507214467926655206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5507214467926655206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/os-outros-vida-as-sonatas.html' title='Os outros, a vida, as sonatas'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8230340339858573391</id><published>2008-01-04T05:17:00.000-08:00</published><updated>2008-01-04T05:33:04.600-08:00</updated><title type='text'>Contos do salão de beleza</title><content type='html'>Se os homens soubessem a riqueza antropológica contida num salão inventariam desculpas para acompanhar a mulher ou a amiga numa escova de chocolate ou encarariam uma depilação masculina sem freios ou temores. &lt;br /&gt;E eu os aviso: trata-se de experiência inesquecível. &lt;br /&gt;Mari, a depiladora, conta seu último assalto. Descia pelo Largo da Batata, cansadíssima, com o dinheiro do ônibus, o celular recém adquirido e quase nada na bolsa. O assaltante chega e exige dela o celular. &lt;br /&gt;"Ah, não vou dar não. Nem pensar." Ele se assusta. Ela continua o falatório. "Acabei de comprar, está na terceira prestação, trabalho muito pra comprar minhas coisas. Não dou, não!"&lt;br /&gt;O cara fica sem ação. Se conforma. Talvez entenda essa coisa de prestações. Manda ela ir andando. "Vou mesmo, e com meu celular."&lt;br /&gt;Ela entra no ônibus, vai pra casa do namorado. De madrugada, acorda ao lado dele, em prantos. Conta do assalto. O namorado não acredita. Olha na bolsa, vê o celular. Diz que ela deve ter sonhado, e para voltar a dormir em paz. &lt;br /&gt;A mulherada, já com as unhas pintadas, cabelos esvoaçantes, pele lisinha, ri da coragem da depiladora. E ela invoca com graça mais traumas antigos. "O primeiro bilau que eu vi foi de estuprador. Mas o pior é que não me traumatizou. Tô vendo bilau até hoje."&lt;br /&gt;No reino da beleza, realidade e miséria andam sempre disfarçadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8230340339858573391?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8230340339858573391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8230340339858573391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8230340339858573391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8230340339858573391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/contos-do-salo-de-beleza.html' title='Contos do salão de beleza'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6208719824535662183</id><published>2008-01-04T05:09:00.000-08:00</published><updated>2008-01-27T07:40:18.007-08:00</updated><title type='text'>Problemática</title><content type='html'>Quase madrugada, marmitex debaixo do braço, os dois trocam idéias no metrô antes de chegar à construção. &lt;br /&gt;"Você sabe a diferença de poblema e pobrema? Já vi gente falando as duas."&lt;br /&gt;"Sei", responde certeiro o outro. E se cala. Respira, antes da sentença.&lt;br /&gt;"Poblema é de matemática ou coisa de cabeça. Pobrema é o que a gente tem lá em casa."&lt;br /&gt;O outro balança a cabeça, totalmente de acordo. E tem olhar aliviado, depois de acumular tantas dúvidas com a estranha ortografia portuguesa.&lt;br /&gt;Na mesa do bar, anos ou meses mais tarde, repetida a história sucessivas vezes, com acréscimos e decréscimos que os contos costumam ter, Gisa formula a nova teoria: "E problema é falta de dinheiro, porque além de ser matemática é o que eu tenho lá em casa. E ainda dá dor de cabeça".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6208719824535662183?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6208719824535662183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6208719824535662183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6208719824535662183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6208719824535662183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2008/01/problemtica.html' title='Problemática'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-4713200379709447471</id><published>2007-12-23T18:05:00.000-08:00</published><updated>2008-01-04T05:08:23.470-08:00</updated><title type='text'>Um</title><content type='html'>Desisti de número par. (?)&lt;br /&gt;Falei muito, ou pouco.&lt;br /&gt;Atirei-me demais.&lt;br /&gt;Chorei quieta em demasia.&lt;br /&gt;Coloquei sal grosso em ferida aberta.&lt;br /&gt;Evitei putrefações.&lt;br /&gt;Oscilo agora entre o muito e o nada.&lt;br /&gt;Nenhum ou mais de três.&lt;br /&gt;Quero-os todos, desejo nenhum.&lt;br /&gt;Nem sempre estou triste, tampouco alegre.&lt;br /&gt;Quando violenta-me a consciência da solidão&lt;br /&gt;Sonho com casas sem saída, becos escuros, excesso de gente.&lt;br /&gt;Entenda: aprendi a conjugar o verbo um.&lt;br /&gt;Não sei mais ser dois. (?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-4713200379709447471?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/4713200379709447471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=4713200379709447471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4713200379709447471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4713200379709447471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/um.html' title='Um'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-7053555168580197669</id><published>2007-12-22T06:51:00.000-08:00</published><updated>2007-12-22T06:57:01.152-08:00</updated><title type='text'>Brincadeira de 2008</title><content type='html'>Do que é que você brinca?&lt;br /&gt;A pergunta é do Chico, mas quem formula o convite sou eu. &lt;br /&gt;Esqueça polícia e ladrão. Muita correria.&lt;br /&gt;Panteras? Só pra meninas...&lt;br /&gt;Para cutucar quem precisa, queimada. Com bola de meia.&lt;br /&gt;Bola de gude _ em horas de introspecção.&lt;br /&gt;Sinuca, truco, corrida de saco, estoura balão.&lt;br /&gt;Recomendo soltarmos papagaio, ou pipa, dependendo da região.&lt;br /&gt;Campeonato de bicicleta (quem tiver, pode ir de Ceci).&lt;br /&gt;Escolha você do que vamos brincar.&lt;br /&gt;Não preciso te lembrar do que você já fez.&lt;br /&gt;Mas preciso te alertar para o risco de não fazer mais.&lt;br /&gt;É por isso que eu te convido.&lt;br /&gt;A buscar um ano mais leve,&lt;br /&gt;A se permitir rir sem compromisso,&lt;br /&gt;A andar solto na rua,&lt;br /&gt;A se esconder se preciso,&lt;br /&gt;A procurar o pique,&lt;br /&gt;A correr,&lt;br /&gt;A sentir o vento,&lt;br /&gt;O mar, o rio, o sol,&lt;br /&gt;Fazer castelo na areia,&lt;br /&gt;Sentir dor de queimado de praia,&lt;br /&gt;Comprar um baralho novo,&lt;br /&gt;Organizar o jogo inesquecível para enterrar o velho,&lt;br /&gt;Beber porradinha,&lt;br /&gt;Colocar Keep Cooler no carrinho do supermercado,&lt;br /&gt;A equilibrar o ovo na colher,&lt;br /&gt;A puxar a corda para o teu lado,&lt;br /&gt;Pular elástico,&lt;br /&gt;A voar de balão.&lt;br /&gt;A ser bailarina, &lt;br /&gt;Ver fotos do Falcon,&lt;br /&gt;Pegar os filmes do Jerry Lewis,&lt;br /&gt;Se vestir de Homem Aranha, Mulher Maravilha.&lt;br /&gt;A consertar a mesinha de totó (sim, totó).&lt;br /&gt;A olhar para frente, para trás, para os lados.&lt;br /&gt;E ter certeza de quem você é. E de quem você quer ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-7053555168580197669?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/7053555168580197669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=7053555168580197669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7053555168580197669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7053555168580197669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/brincadeira-de-2008.html' title='Brincadeira de 2008'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-7278263813508607237</id><published>2007-12-19T05:36:00.000-08:00</published><updated>2007-12-19T05:57:31.182-08:00</updated><title type='text'>No princípio, era o verbo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Panicar&lt;/strong&gt; (v.t.i)/Do greg. &lt;em&gt;panikus&lt;/em&gt; = ato ou efeito de sentir dor e medo por algo, por falta de algo, ou por alguém.&lt;br /&gt;Ex: Ela panicava por não mais conseguir tocá-lo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colapsar&lt;/strong&gt; (v.i) = Relativo a colapsos, apresentar queda de força gradual ou fim abrupto de energia vital.&lt;br /&gt;Ex: Sem ele, colapsava.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eclipsar&lt;/strong&gt; (v.t.d.i) = saltar de um estágio a outro; transgredir ou transcender; experiência de passar do claro ao escuro, do escuro ao claro; tampar o sol ou a lua&lt;br /&gt;Ex: Leva a certeza de que ela eclipsa em dia de sol ao lado dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-7278263813508607237?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/7278263813508607237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=7278263813508607237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7278263813508607237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7278263813508607237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/no-princpio-era-o-verbo.html' title='No princípio, era o verbo'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8036926598874422232</id><published>2007-12-18T05:33:00.000-08:00</published><updated>2007-12-18T05:48:33.182-08:00</updated><title type='text'>Preservação</title><content type='html'>Salvem suas persianas.&lt;br /&gt;Miro a Kombi branca, sem entender a mensagem.&lt;br /&gt;Assimilo gradualmente a importância do texto.&lt;br /&gt;Viver sem anteparos é se expor à luz de forma constante.&lt;br /&gt;O humano não suporta tanto sol.&lt;br /&gt;Cria teorias sobre lesões da pele. &lt;br /&gt;Formula protetores.&lt;br /&gt;Rompe buracos no espaço.&lt;br /&gt;Intensifica a produção de gases.&lt;br /&gt;Precisa das persianas.&lt;br /&gt;Das baleias. &lt;br /&gt;De estranhas frases soltas nas ruas, nos carros, nos adesivos.&lt;br /&gt;De caminhos tortos.&lt;br /&gt;Da salvação distante.&lt;br /&gt;Do fim das extinções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8036926598874422232?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8036926598874422232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8036926598874422232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8036926598874422232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8036926598874422232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/preservao.html' title='Preservação'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-5899956293623665273</id><published>2007-12-13T05:26:00.000-08:00</published><updated>2007-12-13T05:28:41.909-08:00</updated><title type='text'>A carta de Tadeu</title><content type='html'>Giro a chave e a portinhola está emperrada. Excesso de volume.&lt;br /&gt;Muita comida chinesa barata, as últimas novidades do setor de plástico _como a vasilha para secar salada com cordinha e ímã _, mais uns cinco prédios novos só na minha rua, gente avisando que faz trabalhos para trazer de volta o seu  amor _e o pagamento, minha filha, só depois do resultado _, extratos e mais extratos bancários, condomínio não pago, banda larga, só telefone, aviso sobre a dedetização de fim de ano, japonês que também entrega em casa, a difícil realidade sobre cartões de crédito, as facilidades de comprar gás por telefone, delivery de ração de gato...&lt;br /&gt;Olho de novo para a caixinha do correio e não consigo imaginar espaço para tanta inutilidade num recipiente tão pequeno. &lt;br /&gt;No meio de tudo, envelope branco, não assinado. Um cartão. Leio. É Tadeu, o primeiro a desejar que o ano seja bom, que o Natal tenha algum significado.&lt;br /&gt;Me emociono. &lt;br /&gt;Não acumulo raiva pelo fato de Tadeu ter colocado tudo aquilo na minha caixa postal. Ele se redimiu. Deixou um abraço, se apresentou. &lt;br /&gt;Quis escrever de volta. Tadeu não deixou endereço.&lt;br /&gt;Tem nada não. &lt;br /&gt;Dia desses, quando abrir a janela, ele vai estar lá embaixo, ainda de amarelo e azul.&lt;br /&gt;“Ei, Tadeu, feliz 2008. &lt;br /&gt;Um beijo, Malu.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-5899956293623665273?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/5899956293623665273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=5899956293623665273' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5899956293623665273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/5899956293623665273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/carta-de-tadeu.html' title='A carta de Tadeu'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6335639655318929618</id><published>2007-12-13T05:01:00.000-08:00</published><updated>2007-12-13T05:02:39.836-08:00</updated><title type='text'>Dimólogo</title><content type='html'>Te escrevo porque não sei conversar.&lt;br /&gt;Até sei o que dizer, mas sempre imagino sob silêncio.&lt;br /&gt;Não falo em voz alta.&lt;br /&gt;Reproduzo também, calada e mentalmente, as suas respostas.&lt;br /&gt;Elas brigam muito com minhas perguntas.&lt;br /&gt;Minhas palavras retrucam delicadamente as suas.&lt;br /&gt;É um diálogo, afinal.&lt;br /&gt;E vamos assim, trocando idéias, horas a fio.&lt;br /&gt;Terminada a troca de frases à exaustão, nos despedimos.&lt;br /&gt;Sei exatamente o que você pensa sobre tudo.&lt;br /&gt;Você agora tem certeza de quem eu sou.&lt;br /&gt;Não resta dúvida.&lt;br /&gt;Ah, volta, tem mais uma coisa que eu não falei:&lt;br /&gt;Qual é mesmo seu nome?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6335639655318929618?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6335639655318929618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6335639655318929618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6335639655318929618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6335639655318929618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/dimlogo.html' title='Dimólogo'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6745284564219955468</id><published>2007-12-05T06:52:00.000-08:00</published><updated>2007-12-05T07:00:17.320-08:00</updated><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>Hoje tomei chuva.&lt;br /&gt;Porque quis.&lt;br /&gt;Lembro-me de pés na enxurrada, o primeiro orgasmo infantil.&lt;br /&gt;Gotas pincelam o rosto e penso: desopilar.&lt;br /&gt;No conceito de devastação.&lt;br /&gt;A psicóloga diz: terra devastada é terra estéril.&lt;br /&gt;Não estou devastada.&lt;br /&gt;Ainda sei me molhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6745284564219955468?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6745284564219955468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6745284564219955468' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6745284564219955468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6745284564219955468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-8647832947133190753</id><published>2007-12-02T17:06:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T17:08:38.986-08:00</updated><title type='text'>De vez em quando</title><content type='html'>Passe lá em casa de vez em quando.&lt;br /&gt;De vez em quando me ligue. &lt;br /&gt;Pergunte-me como dormi.&lt;br /&gt;Convide-me para um almoço.&lt;br /&gt;De vez em quando tome café da manhã comigo.&lt;br /&gt;Ligue de vez em quando no meu aniversário.&lt;br /&gt;Me dê um presente. Só de vez em quando.&lt;br /&gt;Alguma vez me faça uma surpresa. &lt;br /&gt;Mande flores, carta pelo correio. De vez em quando.&lt;br /&gt;Coloque a música baixinho, quando eu chegar, mesmo que seja de vez em quando.&lt;br /&gt;Faça massagem nos meus pés. Cante pra mim. Me embale.&lt;br /&gt;Rodopie comigo na sala, de vez em quando.&lt;br /&gt;Dê aquele abraço depois do dia difícil. &lt;br /&gt;Passe a mão no meu rosto para, de vez em quando, impedir a queda das lágrimas.&lt;br /&gt;Chore de vez em quando.&lt;br /&gt;Me entregue seu corpo. Beije-me. Só de vez em quando.&lt;br /&gt;Leia em voz alta. Me veja ler em voz baixa.&lt;br /&gt;Recite. Conte. Comente.&lt;br /&gt;Eu sei que só será de vez em quando.&lt;br /&gt;De vez em quando eu vou pensar que é para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-8647832947133190753?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/8647832947133190753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=8647832947133190753' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8647832947133190753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/8647832947133190753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/de-vez-em-quando.html' title='De vez em quando'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6305802344607277070</id><published>2007-12-02T16:44:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T16:46:21.033-08:00</updated><title type='text'>Pensamento</title><content type='html'>Vem em qualquer geometria.&lt;br /&gt;Os últimos foram hexaedro.&lt;br /&gt;Sete direções. Em raios, diagonais.&lt;br /&gt;Me confundem, me isolam na cama, me fixam ao lustre.&lt;br /&gt;O que quero, o que amo, quem eu quero, o que dele espero, valsa ou rock, sentinela ou choque, é amor ou toque?&lt;br /&gt;Serei sempre o inconstante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6305802344607277070?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6305802344607277070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6305802344607277070' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6305802344607277070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6305802344607277070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/12/pensamento.html' title='Pensamento'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-127053485256721160</id><published>2007-11-24T10:31:00.000-08:00</published><updated>2007-11-24T13:06:50.115-08:00</updated><title type='text'>Sampa, Rio e outras galáxias</title><content type='html'>Há certas inconveniências em todo lugar do mundo.&lt;br /&gt;Ao escapar de umas, outras me atropelam.&lt;br /&gt;A ponte aérea é um caos? Vá de ônibus.&lt;br /&gt;Mas a rodoviária é a visão do inferno. Vá de madrugada.&lt;br /&gt;Mas e se ao seu lado se assenta um fanho com tique nervoso, que durante o diálogo interminável com a avó bate a garrafinha de água mineral na mala?&lt;br /&gt;Mude de lugar. &lt;br /&gt;É madrugada, ninguém mais está se acotovelando no corredor com mais de 80 platarfomas. Sim, sim. &lt;br /&gt;E lá no fundo, outro banquinho, tranqüilo e cobiçado. Dois lugares. Um é seu. Perfeito. E o outro, do menino que come vorazmente sanduíche com bacon, às duas da manhã. &lt;br /&gt;Tudo passa, os vôos, os ônibus, as horas, o caos, a indigestão provocada por bacon. &lt;br /&gt;Você chega ao Rio. Rio, entendeu?&lt;br /&gt;Hahã. Tempo nublado, chuvinha entojada e... anomia.&lt;br /&gt;Melhor pagar o táxi pré-fixado. Parece mais honesto.&lt;br /&gt;Tudo caminha como deve ser a humanidade (no Rio).&lt;br /&gt;Em um segundo, a guarda municipal barra a passagem. &lt;br /&gt;Vinte taxistas gritam e tentam atacar os fiscais.&lt;br /&gt;Os fiscais pedem propina.&lt;br /&gt;Os irregulares começam a rondar o local para tirar uma casquinha dos passageiros.&lt;br /&gt;Os cariocas assistem a tudo com complacência.&lt;br /&gt;A sarada da fila me faz tirar da cabeça a idéia de pegar um táxi do lado de fora.&lt;br /&gt;"Caraca, meu noivo foi assaltado com AR-15 na semana passada."&lt;br /&gt;Do mesmo jeito que a babel se cria, se desmonta em segundos.&lt;br /&gt;Taxistas voltam felizes aos automóveis. &lt;br /&gt;Chego em Humaitá, com direito a aula sobre o cartel do transporte no trajeto.&lt;br /&gt;Aula não aplicável no metrô paulistano, cinco da matina, caminho da Sé.&lt;br /&gt;Gente triste, cansada, sem aquele sol nublado do Rio.&lt;br /&gt;Entre a aflição da metrópole e a malandragem do paraíso, sonho com uma outra galáxia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-127053485256721160?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/127053485256721160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=127053485256721160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/127053485256721160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/127053485256721160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/11/sampa-rio-e-outras-galxias.html' title='Sampa, Rio e outras galáxias'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1625607527794427450</id><published>2007-11-11T16:17:00.001-08:00</published><updated>2007-11-12T06:46:15.248-08:00</updated><title type='text'>Receita de avião</title><content type='html'>“Uma vez, eu fiz um avião que só eu tinha a receita.”&lt;br /&gt;A mãe o olha com espanto peculiar, sem intimidá-lo no raciocínio.&lt;br /&gt;Eu sigo do outro lado da rua pensando no meu avião.&lt;br /&gt;500 gr de temperamento forte.&lt;br /&gt;Um litro de whisky. &lt;br /&gt;Uma garrafa de água.&lt;br /&gt;4 colheres de raiva (para decolar).&lt;br /&gt;Liberdade fresca (à vontade, não pode ser de caixinha).&lt;br /&gt;Uma pitada de rancor (para aterrissar).&lt;br /&gt;Misture tudo. Reserve.&lt;br /&gt;Ponha o fermento (usar a marca preferida).&lt;br /&gt;Espere crescer por quatro horas.&lt;br /&gt;Acrescentar uma xícara de açúcar (para pousos).&lt;br /&gt;Flambar tudo em gotas de ousadia.&lt;br /&gt;Servir quente. &lt;br /&gt;Porção individual. &lt;br /&gt;Pode também servir dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1625607527794427450?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1625607527794427450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1625607527794427450' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1625607527794427450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1625607527794427450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/11/receita-de-avio.html' title='Receita de avião'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6511580765051913003</id><published>2007-11-05T05:45:00.000-08:00</published><updated>2007-11-05T06:04:48.431-08:00</updated><title type='text'>Antonio, o passarinho</title><content type='html'>Já vi muitas coisas inusitadas no meu próprio lar: a forma como jogo as roupas pelo chão, coleção de peças íntimas no banheiro (mesmo em dia de visita), pilhas de jornais inúteis (os novos e os velhos), estranhos artesanatos, vidro vazio, sopa de saquinho vencida, pêlo de gato em almofada, filtro de café sem pó, fruteira sem banana, ímã de geladeira em formato de baleia, vestidos absolutamente fora de moda pendurados em cabides, livros sem estante, fio solto, telefone quebrado, colher de pau rachada, acúmulo de potinhos de plástico. Tudo muito esquisito.&lt;br /&gt;Mas nada como encontrar filhote de passarinho encurralado piando debaixo do chuveiro.&lt;br /&gt;Madrugada, cansaço e... passarinho...&lt;br /&gt;O deixo no abrigo escolhido ao acaso ou o devolvo ao cruel mundo da natureza que seleciona as espécies? Preciso removê-lo. Ficar significa morrer: "cadê o passarinho, o gato comeu".&lt;br /&gt;O conduzo ao jardim. Grama molhada. Choveu. &lt;br /&gt;Acordo pensando nele. Sobrevivera num dia tão frio?&lt;br /&gt;Saio cedo. Ainda chove. Alguém canta baixinho lá do pé de maracujá.&lt;br /&gt;Pergunto: "Passarinho me conta então me diz&lt;br /&gt;Por que que eu também não fui feliz&lt;br /&gt;Cadê meu amor minha canção&lt;br /&gt;Que me alegrava o coração&lt;br /&gt;Que me alegrava o coração&lt;br /&gt;Que iluminava o coração&lt;br /&gt;Que iluminava a escuridão"&lt;br /&gt;Hora de batizado, nome certeiro: Antonio.&lt;br /&gt;Mora, alegre e feliz, no meu jardim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6511580765051913003?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6511580765051913003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6511580765051913003' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6511580765051913003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6511580765051913003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/11/antonio-o-passarinho.html' title='Antonio, o passarinho'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-898482104639001469</id><published>2007-11-03T07:22:00.000-07:00</published><updated>2007-11-03T07:24:49.771-07:00</updated><title type='text'>Entre uma mamada e outra (para Lu e Bel)</title><content type='html'>Ainda não a conheço. Imagino.&lt;br /&gt;Assim: um dia, cabelos encaracolados, olhos castanhos bem escuros, cara sapeca e perspicácia incomum, vai estar no meio da sala, com copinho de tequila (ou vinho), sentada no colo de uma das tias, no horário do chá. Como é a mais velha no clã da segunda geração (ainda não sabemos quem mais virá), ditará as regras. &lt;br /&gt;Um dia, vai nos contar de novos amores, enquanto nós cinco lamentamos todos os que deixamos passar e comemoramos os que ficaram para valer. Ou que não vieram, ou que nunca foram. &lt;br /&gt;Um dia, estaremos juntas numa grande celebração. &lt;br /&gt;Um dia, vamos todas ao parque, andar de carrinho bate-bate.&lt;br /&gt;Vamos jogar truco, ver todas juntas álbuns de retrato (faculdade, casamentos _feitos e desfeitos_, batizados, bodas, 15 anos). &lt;br /&gt;Faremos um jantar.&lt;br /&gt;Vamos encarar uma balada. Inevitável.&lt;br /&gt;Show. Teatro. &lt;br /&gt;Chá com seis, sete, oito.&lt;br /&gt;Ela veio para nos mostrar o que ainda vai chegar. &lt;br /&gt;Seja bem-vinda, abra a porta. &lt;br /&gt;É também sua essa casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-898482104639001469?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/898482104639001469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=898482104639001469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/898482104639001469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/898482104639001469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/11/entre-uma-mamada-e-outra-para-lu-e-bel.html' title='Entre uma mamada e outra (para Lu e Bel)'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2548651344176714519</id><published>2007-11-03T06:59:00.000-07:00</published><updated>2007-11-03T07:03:05.745-07:00</updated><title type='text'>Condição humana e condições para bobagens ou o poema do Nunca-Quase</title><content type='html'>Tristeza não revelada incomoda mais que dor escancarada.&lt;br /&gt;Tem olhar molhado, riso disfarçado. Tenta enganar, mas se fitada é descoberta. &lt;br /&gt;E tristeza triste fica represada, sem vontade de gritar.&lt;br /&gt;Grite pra mim, homem triste.&lt;br /&gt;Limpe o olhar, abandone esse riso falso e deixe a verdade chorar.&lt;br /&gt;Jogue fora parte da biblioteca e escute os meus casos bobos que te fazem rir.&lt;br /&gt;Dê ritmo novo ao turbilhão de pensamentos.&lt;br /&gt;Saia na chuva, porque é dela que você gosta.&lt;br /&gt;E assim, corpo molhado _ e não o olhar _, venha pra mim, &lt;br /&gt;Porque eu espero o sentido, eu espero as horas, entro na sua biblioteca. Pego o jornal desfeito por chuva, caminho até a padaria, tomo o vinho, o pão, chupo as balas de erva.&lt;br /&gt;Entro até na igreja. Rezo. Porque eu espero o sentido.&lt;br /&gt;Eu te espero, como nunca quase o mundo me engolisse. &lt;br /&gt;Uma situação tola, uma tola condição humana,&lt;br /&gt;E, humana, a nossa condição para bobagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2548651344176714519?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2548651344176714519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2548651344176714519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2548651344176714519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2548651344176714519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/11/condio-humana-e-condies-para-bobagens.html' title='Condição humana e condições para bobagens ou o poema do Nunca-Quase'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-91206188013097145</id><published>2007-10-31T08:57:00.000-07:00</published><updated>2007-10-31T09:01:59.356-07:00</updated><title type='text'>O sono</title><content type='html'>Eu me embalo fácil.&lt;br /&gt;Durmo bêbada, durmo com sono, durmo ao luar.&lt;br /&gt;As pílulas sempre as mantive distantes.&lt;br /&gt;Me comoveram, em certa ocasião.&lt;br /&gt;Tinha perdido o sentido do tempo. Do dia, da noite, do acordar.&lt;br /&gt;Acordar para que tempo? Para que hoje?&lt;br /&gt;Mandei então a esfera cor de rosa para dentro do corpo.&lt;br /&gt;O efeito veio rápido. O torpor avassalou minha angústia.&lt;br /&gt;Devo ter sonhado, não lembro.&lt;br /&gt;A tarja preta ficou meses escondida na gaveta.&lt;br /&gt;Pensei em usar nas muitas horas de dor.&lt;br /&gt;Resisti, me mandaram consultar os astros, ou o ortomolecular. &lt;br /&gt;Não tem búzios. Não tem zodíaco. &lt;br /&gt;Recuso-me a assumir o prognóstico de minha limitação.&lt;br /&gt;Segui fraca, sem bula.&lt;br /&gt;Outro dia abri de novo a gaveta. Vencimento: abril de 2005.&lt;br /&gt;Tive que caminhar. E, cansada, dormi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-91206188013097145?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/91206188013097145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=91206188013097145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/91206188013097145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/91206188013097145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/o-sono.html' title='O sono'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-4867174112541872862</id><published>2007-10-30T06:38:00.000-07:00</published><updated>2007-10-30T12:26:38.762-07:00</updated><title type='text'>Lúcia com Z?</title><content type='html'>Eu estava com eles e quando a gente está com eles não precisa inventar muita moda. Amigo te dá prazer por coisas simples. Decidimos que não faríamos nada, pegaríamos um filme na Blockbuster e passaríamos juntos uma linda noite de sábado. Temíamos uma verdadeira guerrilha retórica na loja até que um convencesse os outros dois sobre qual seria a película mais adequada. Inacreditavelmente os três concordaram com o filme, de imediato. Não bastasse isso, pegamos mais dois. Também em comum acordo. &lt;br /&gt;Estava tudo perfeito demais. Mais ou menos. Fred tinha derrubado todos os kit do Batman na Americanas express e tentava arrumá-los. Ou seja, tudo piorava a cada momento. Achei que era hora de pagar, antes que a coisa se agravasse. &lt;br /&gt;No caixa, o final catastrófico.&lt;br /&gt;“Está no nome de quem?” Maria Lúcia, respondo prontamente. “Lúcia com Z?” Fico imóvel, penso, penso, não entendo, não olho em hipótese nenhuma para o Fred nem para a Gisa e respondo: Não, com C mesmo.&lt;br /&gt;Escuto, ao longe, as risadas inconfundíveis dos dois. Já em casa, embolados em edredons no futon, não conseguimos eleger qual dos três filmes é o pior. Cochilos alternados, devidamente respeitados. E tudo termina docemente, como é a vida ao lado dos melhores amigos: “Gostou do filme, Luzia?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-4867174112541872862?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/4867174112541872862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=4867174112541872862' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4867174112541872862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/4867174112541872862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/lcia-com-z.html' title='Lúcia com Z?'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-411130366096041568</id><published>2007-10-26T07:40:00.000-07:00</published><updated>2007-10-28T08:23:24.375-07:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>Meus pais e irmãos são sempre os primeiros a ligar (e aviso que eles são muitos, o que transforma a manhã numa profusão de sons). &lt;br /&gt;A caixa de e-mail me surpreende com alguns amigos eternos, aqueles que você quase nunca vê _ e na verdade tem sérias dúvidas se os encontrará em carne e osso algum dia _, mas a existência deles na sua vida é realmente espiritual. E a cada ano que passa a coisa fica mais sofisticada, com bolos eletrônicos vindos pelo celular,  cartões virtuais que cantam pra você, bonequinhos que batem palmas no MSN, uma homenagem via web cam. Tudo muito caloroso, muito tecnológico, e ninguém te deixa esquecer por nem um segundo daquelas 24 horas que é o seu aniversário.&lt;br /&gt;Ainda que isso tudo me encha o coração para um dia que, na verdade, não terá nada de tão especial assim, passei os primeiros minutos da manhã imóvel, na cama, pensando na única doce lembrança que tenho sobre aniversários. Lá se foram 34 deles. Os primeiros podem ter sido até legais, ainda que eu não soubesse a diferença entre bolo e o peito da mamãe. Os últimos, sendo muito sincera, não foram lá a última coca-cola do deserto. Houve até os traumáticos _ ainda que tivesse 365 dias para escolher, uma irmã minha optou justo pelo dia 26 de outubro para se casar. Claro que ninguém se lembrou de mim. Mas alguns amigos que fazem aniversário em 25 de dezembro me consolaram, disseram que é assim mesmo, que a gente se acostuma a ser esquecido e trocado até por papai Noel.&lt;br /&gt;Entre todos eles, porém, há somente um inesquecível. O do palhacinho vermelho com corpo de cartolina e pernas de papel crepom. Eu não sei bem se tinha 5 ou 6. Mas jamais se apagará da minha memória a cena: acordo, recebo beijos da mamãe, das irmãs e vejo, ali, em processo de gestação, o meu palhacinho. Ele me parecia um verdadeiro Hércules. A coisa mais encantadora do mundo. Sentado num balanço, devidamente pendurado, após uma difícil articulação, no teto da sala. Os meus aniversários de criança tinham sempre muita pompa e circunstância, mas o do Palhacinho....Havia uma produção em série. Minha mãe dividia a família em núcleos: o de enrolar brigadeiro, o de cortar os saquinhos das surpresinhas, o de selecionar as balas das surpresinhas, o de finalizar a produção da mesa do bolo e, o mais especial, de terminar o Palhacinho. &lt;br /&gt;Eu não me lembro dos meus amigos do jardim de infância. Mas ainda sinto a dor, no dia seguinte ao aniversário, quando o Palhacinho teve que deixar a minha casa. Minha irmã explicou que ele iria alegrar outras festas. Eu não gostei. Anos depois acho que reencontramos o palhacinho, meio detonado, pernas de crepom pálidas. Novamente, me emocionei. &lt;br /&gt;Aniversários são dias em que você celebra você. Ainda que diariamente eu sonhe em acordar e ver na minha frente aquele balanço colorido, percebo, neste novo aniversário, que tenho nas mãos o que me é mais precioso: a ternura da memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-411130366096041568?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/411130366096041568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=411130366096041568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/411130366096041568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/411130366096041568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/aniversrio.html' title='Aniversário'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6785448848229692698</id><published>2007-10-25T09:12:00.000-07:00</published><updated>2007-10-25T09:17:27.426-07:00</updated><title type='text'>As Marias de cada um</title><content type='html'>Dez da manhã, e nada de Maria. Nem me inquieto. &lt;br /&gt;Aprendi, em dois anos, que é bombástica a combinação: chuva, São Paulo.&lt;br /&gt;Ela chega agitada. Não dá justificativa inicial. &lt;br /&gt;“Achei que esqueceu de mim”, comento.&lt;br /&gt;Aí vem a ladainha normal dos aflitos: “Acordei às 5h30, achei melhor passar pela marginal para ir rápido, mas na entrada do Piraporinha já tava tudo parado.” &lt;br /&gt;Sem nenhum traço de mau humor _ o que me parece incrível após uma jornada de mais de duas horas aos trancos e barrancos _, a minha Maria dá risada e continua: “E todo mundo dentro do ônibus telefonando para as patroas pra avisar do atraso. Eu me lembro que depois de trabalhar 20 anos na casa da Dona Ivonete sempre explicava os atrasos. Ela nunca acreditava. Agora nem explico mais.” Para ninguém, que fique bem claro, endossa a minha Maria.&lt;br /&gt;De saída, comento que é dia de mega-sena. “E se eu ganhasse? Eu não podia voltar pra lá onde eu moro, né?” Explico que não. E que de preferência não deve contar a ninguém. “Podem roubar os meus filhos”, ela pensa em voz alta, já contabilizando uma numeralha que nunca terá na conta bancária. Sugiro que ela compre um apartamento na Vila Madalena. “Tá pensando o que, minha filha. Vou logo pra Alphaville!” Então tá certo. Já convencida de que perderia a minha rica Maria, ela solta mais uma: “E vou ter uma faxineira feroz. Com horário para entrar e para sair.” &lt;br /&gt;Deixo a casa, sem nenhuma crença na mega-sena _ está claro que a vitória será de Maria _ e pensando na possibilidade de, um dia, trabalhar em Alphaville.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6785448848229692698?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6785448848229692698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6785448848229692698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6785448848229692698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6785448848229692698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/as-marias-de-cada-um.html' title='As Marias de cada um'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-6450817755357427239</id><published>2007-10-23T07:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-23T07:22:06.998-07:00</updated><title type='text'>O sexto elemento ou las ninfas felizes</title><content type='html'>Eu passarinho diz: isso, isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz:e tentar ser mais feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: a tal da felicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: existe? hahaha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: sei lá, às vezes acho que é coisa de propaganda &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: eu acho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: pra gente ficar buscando, comprando, consumindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: o povo ligado a Hitler que criou isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: tenho certeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: foi o duda mendonça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: será que deus é dono das Casas Bahia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: ontem por exemplo gastei 1,2 mil em roupas. tive a nítida sensação de ter visto a tal felicidade passando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: hahahahahaha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: mas hoje sumiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: viu, duda mendonça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: é ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: cpi da felicidade já&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: ou deus disfarçado de duda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: imediatamente, cpi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: quem são os laranjas da felicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: hehehehehehehe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: podemos escrever um conto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: vou botar no blog&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz:podemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: obaaaaaaaaaa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: e colocar no chá com cinco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: eu fico o sexto elemento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: isso, isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: de penetra no chá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: mas o objetivo é sempre receber convidados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, quase 35 diz: então vamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: o início da nossa conversa pode ser o abre do conto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera diz: ih... nem salvei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passarinho diz: eu salvo agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Diálogo interrompido. Começa a parte impublicável). Somos exemplos puros, como diz Vera Regina, da lascívia criativa. Ela, agora, já com 35. Eu, com quase 34. Ainda em busca dessa tal felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-6450817755357427239?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/6450817755357427239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=6450817755357427239' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6450817755357427239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/6450817755357427239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/o-sexto-elemento-ou-las-ninfas-felizes.html' title='O sexto elemento ou las ninfas felizes'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-1416162907953372105</id><published>2007-10-23T06:53:00.000-07:00</published><updated>2007-10-23T06:58:19.395-07:00</updated><title type='text'>Resignação e perfume</title><content type='html'>A prova irrefutável de meu estado de resignação foi assistir à queda do perfume favorito.&lt;br /&gt;Poucas semanas de uso, frasco cheio. Espatifou-se.&lt;br /&gt;Olhei para o espelho, pensei em chorar.&lt;br /&gt;“É só um perfume”, insistia meu inconsciente.&lt;br /&gt;“Será fútil uma cena de escândalo”, apunhalava-me a razão.&lt;br /&gt;Madura, simplesmente resignei-me.&lt;br /&gt;Limpa a sujeira, restou-me o cheiro difundido pelo banheiro e pela casa.&lt;br /&gt;Cheiro que não há no corpo, mas permanece impregnado no catálogo mental.&lt;br /&gt;Agora, todas as vezes que a cena me vem à cabeça tenho vontade de quebrar o espelho, por vingança.&lt;br /&gt;Não quero outro frasco, por revanche.&lt;br /&gt;Finjo incansavelmente que me basta o odor do corpo.&lt;br /&gt;Se a resignação é prova de maturidade, traz junto novas sensações: grito contido, síncopes nervosas perigosamente contornadas e rancor fétido.&lt;br /&gt;Gritem, mulheres infantis! Quebrem taças e espelhos, mas preservem seu perfume.&lt;br /&gt;Esperneiem, mandem todos ao inferno. &lt;br /&gt;E, depois de um delicioso chilique, comprem de novo, aí sim resignadas, dois frascos de perfume.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-1416162907953372105?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/1416162907953372105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=1416162907953372105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1416162907953372105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/1416162907953372105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/resignao-e-perfume.html' title='Resignação e perfume'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-2461787383531309293</id><published>2007-10-09T21:10:00.000-07:00</published><updated>2007-10-10T06:37:39.983-07:00</updated><title type='text'>A razão do nome das coisas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Era pra ser chá das cinco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Disseram ser indisponível no momento e sugeriram "Chadas cinco.malucadel.2001."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Não somos odisséias soltas no espaço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;E a intenção é tomar chá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Chá com.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Chá com quem eu amo e quero.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Chá no universo.com&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Tomarei chá durante as tardes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Com um quinteto especial _ eu incluída.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Ainda que me sirva sozinha de doses de camomila, cada uma num lugar do mundo acompanhará a delícia dos rituais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Chá com cinco é isso: um ritual fraternal, histórias de cinco amigas como toalha de mesa, aberta a convidados. A raridade ímpar de sentar-se à mesa em horário nada habitual, lembrar-se do bolo da vovó _ que você não come mais, mas nunca se esqueceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Ou seja: falar do que realmente importa, nas horas certas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Favor pegar senha às 16h45.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-2461787383531309293?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/2461787383531309293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=2461787383531309293' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2461787383531309293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/2461787383531309293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/razo-do-nome-das-coisas.html' title='A razão do nome das coisas'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4252289389525082094.post-7411554276745292354</id><published>2007-10-09T17:12:00.000-07:00</published><updated>2007-10-10T06:44:42.910-07:00</updated><title type='text'>Composição</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Deitada eu fico entre. Sentir e entregar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Dormindo, com. O eu esticado na cama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Café da manhã sem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Almoço enquanto [há tempo].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt;font-family:courier new;" &gt;&lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Há horas em que a fome vem, porém.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Pela noite quero pronome. \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Eu, ele. Contudo, quase.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Toda entrega é mas.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;\u003c/font\&gt; \u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;\u003c/font\&gt; \u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;O filho que não quero ter\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Ele não suportará o calor.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Não saberá o que é mar em 2100.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Nunca terá comido jabuticaba.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Ninguém o ensinará sobre amarelinha, bolas de gude, futebol de botão.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Celulose pode estar em falta. Talvez não goste de páginas amareladas.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Não vai ler clássicos na tela.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Talvez nem veja as estrelas. \u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Nem ande a cavalo.\u003c/font\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" color\u003d\"#000000\" size\u003d\"3\"\&gt;Colocará os pés na areia?\u003c/font\&gt;",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Há horas em que a fome vem, porém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Pela noite quero pronome. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Eu, ele. Contudo, quase.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; FONT-FAMILY: courier new"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;Toda entrega é mas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4252289389525082094-7411554276745292354?l=chacomcinco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chacomcinco.blogspot.com/feeds/7411554276745292354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4252289389525082094&amp;postID=7411554276745292354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7411554276745292354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4252289389525082094/posts/default/7411554276745292354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chacomcinco.blogspot.com/2007/10/composio.html' title='Composição'/><author><name>malu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01871862921751449186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
